António Carneiro

Nocturno
1911

Galeria


Informação técnica

Autor(es)
António Carneiro (Amarante, Portugal, 1872 – Porto, Portugal, 1930)
Título
Nocturno
Data
1911
Materials and media
Tela; Óleo
Técnica
Óleo sobre tela
Dimensões
Altura 35,00 cm; Largura 90,00 cm
N.º de inventário
83P982

Inscrições

Tipo
Assinatura
Descrição
António Carneiro
Posição
Canto inferior esquerdo
Tipo
Data
Descrição
1911
Posição
Canto inferior esquerdo

Incorporação

Tipo
Aquisição
Proveniência
Jorge de Brito
Data
Julho de 1983

Texto

Nocturno (1911) assume-se como um dos trabalhos em que António Carneiro explora de forma mais manifesta o universo e a potencialidades da estética simbolista. Um dos aspetos centrais do Simbolismo foi a reabilitação e exploração de uma componente subjetiva na representação da paisagem, num desejo de individualidade e de uma nova espiritualidade contrárias à mentalidade positivista, mecanização e ânsia de progresso que caracterizavam a sociedade fin de siécle. A paisagem surge, por isso, frequentemente como metáfora da relação entre o artista e o mundo, como espelho de uma “outra” realidade, não aquela que o olhar descritivo e pretensamente objetivo do naturalismo pretendia captar, mas uma paisagem interior, capaz de exprimir e projetar os estados emocionais do sujeito. Em Nocturno, a opção pela representação da noite, num cenário onde a água marca presença e o casario é apenas denunciado pelas ténues luzes que se enfileiram ao longo da margem, parece apontar, não tanto para a ideia de sono, fim, mas para uma ideia de gestação e regeneração que o dia fará despontar. A lua, elemento ligado ao universo feminino, juntamente com a água, associada à fecundidade, relembram a constante e eterna capacidade de renovação da natureza, segundo ritmos e tempos a que o Homem não é alheio. A noite apresenta-se, desta forma, como entidade protectora, convidando à contemplação e recolhimento.

Do ponto de vista formal, esta é uma obra de grande modernidade, visível na construção da composição a partir da mancha de cor, numa secundarização (ou mesmo abdicação) do desenho preparatório, utilizado por Carneiro em trabalhos e encomendas de cariz mais académico. O predomínio de tons escuros apenas é contrariado pelo amarelo, rosa e violeta da luz lunar, numa pincelada solta, onde a procura de nuances nos focos de luz revela a vontade de experimentação do artista, verificável já numa obra anterior, de 1906, de tema similar, que integra também a coleção do CAM. 

 

Daniela Simões
Março 2015

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