Ângela Ferreira
Galeria
Criado por ocasião da 28ª Bienal de São Paulo, em 2008, este terceiro modelo do projecto de Ângela Ferreira intitulado For Mozambique continua a sua retrospecção simbólica ao período de pós-independência do país onde nasceu. O dispositivo funciona como uma máquina alusiva a dois momentos históricos e marxistas definidos pelo extraordinário optimismo socio-político que entretanto soçobrou: o período posterior à Revolução Russa, pelos anos 1920, implícito na estrutura física do trabalho; e a fase eufórica que sucedeu à emancipação colonial de Moçambique, em meados dos anos 1970, explícita nos dois filmes projectados.
A estrutura construtivista em madeira recupera os desenhos originais do artista letão-russo Gustav Klucis, em 1922, para os chamados agitprop, quiosques de propaganda do Partido Comunista Russo concebidos para influenciar a opinião pública. Por sua vez, a estrutura soviética serve de suporte (metaforicamente também) para mostrar dois vídeos que celebram a queda do regime colonial no país africano (1975-77): o filme Makwayela, de Jean Rouch e Jacques d’Arthuis, em que operários dançam e cantam uma independência ainda fresca; e a música de Bob Dylan, cuja letra vem coroar o programa de esperanças e utopias: “And you see why it’s so unique to be / Among the lovely people living free / Upon the beach of sunny Mozambique“.
[E perceberás como é único estar / Entre as amáveis pessoas que vivem em liberdade / Sobre a praia da solarenga Moçambique]
AR
Informação técnica
- Autor(es)
- Ângela Ferreira
- Título
- For Mozambique [Model n.º 3 for propaganda stand, screen and loudspeaker platform celebrating a post-independence Utopia]
- Data
- 2008
- Materiais
- Madeira, Vinil e Vídeo
- Dimensões
-
Tipo Valor Unidades Parte Altura 450 cm Escultura Profundidade 100 cm Escultura Largura 500 cm Escultura - N.º de inventário
- 09E1607