João Abel Manta
Galeria
João Abel Manta, que foi um dos maiores cartoonistas portugueses nas décadas de 1960 e 1970 e que ao longo da sua actividade publicou ilustrações emblemáticas para alguma da imprensa nacional mais relevante, como o Diário de Lisboa, onde começou por colaborar no suplemento Mesa Redonda e mais tarde em A Mosca, foi também ele vítima da censura vigente no período anterior ao 25 de Abril de 1974. O sistema controlava não apenas a informação a ser publicada na imprensa e noutros meios informativos, coartando a formação livre de opiniões, como também quaisquer formas de expressão artística, assim procurando assegurar a ordem estabelecida e manter o regime autoritário.
Nesta composição, Abel Manta representa precisamente a criação da máquina da censura durante o Estado Novo, ilustrando ironicamente o exercício e a acção de institucionalização da censura implementado por Salazar. Em Dinossauro Excelentíssimo (Lisboa: Arcádia, 1972), obra que esta ilustração integra, Cardoso Pires descreve a motivação do ditador como a vontade de “ver-se livre das palavras que o incomodavam” colocando em prática o “plano para pôr o Reino a falar numa língua limpa e severa em que todos se entendessem” (p. 32).
Sandra Vieira Jürgens
Maio de 2015
Informação técnica
- Autor(es)
- João Abel Manta
- Título
- A câmara de torturar palavras
- Data
- 1972
- Materiais
- Papel
- Dimensões
-
Tipo Valor Unidades Parte Altura 26 cm mancha Largura 18 cm mancha Largura 20,8 cm papel Altura 30,8 cm papel - N.º de inventário
- 83DP1129