Rui Chafes X Alberto Giacometti

Gris, Vide, Cris III

Museum Beelden aan Zee, Haia: 26 jun 2026 – 09 jan 2027
Fundação Gulbenkian, Lisboa: 18 mai – 18 set 2023
Fundação Gulbenkian, Paris: 03 out – 16 dez 2018

O Museu Beelden aan Zee, nos Países Baixos, abre portas a um diálogo entre duas vozes da escultura contemporânea: Alberto Giacometti (Borgonovo, Bregaglia, Suíça, 1901 – Coira, Suíça, 1966) e Rui Chafes (Lisboa, 1966). Esta exposição nasce de uma parceria entre a Fundação Giacometti e a Fundação Calouste Gulbenkian.

Nesta exposição, com curadoria de Helena de Freitas e Brigitte Bloksma, o título Gris, Vide, Cris III funciona como chave silenciosa para camadas não ditas.

A exposição sugere tensões rítmicas entre presença e ausência. Enquanto Alberto Giacometti marca com traços finos o vazio que habita os corpos, Rui Chafes responde com estruturas metálicas que parecem respirar lentamente.

Uma atmosfera densa instala-se ao longo dos espaços expostos. Cada obra ocupa o chão ou pende do teto com intenção quase discreta. Os visitantes circulam por dentro de figuras alongadas, esqueletos visuais feitos de arame e sombra. Algumas peças datam dos anos 1930 (peças de Giacometti), outras foram concluídas meses antes da inauguração (peças de Chafes). Há uma temporalidade múltipla aqui, desorganizada propositadamente.

Embora separados pela linha cronológica, ambos os artistas encontram-se na procura por dar forma ao que não se mostra logo à primeira vista – seja ela a existência, o vazio, a leveza frágil ou a dimensão invisível da experiência humana. Ao passo que Alberto Giacometti trabalha a redução da figura humana ao limite da fragilidade, Rui Chafes explora o ferro como quem conjuga solidez e etérea transparência. As suas obras ficam ali, pairando onde o peso encontra a ideia de desaparecer.

Entre as obras apresentadas, destaca-se La Nuit (2018), escultura pensada por Chafes a partir de Le Nez (1947–1950), importante obra de Giacometti. Em linhas semelhantes ao resto dos trabalhos expostos, o artista português desenvolve dispositivos que alteram a percepção do espaço e do olhar, permitindo uma aproximação distinta às esculturas do modernista suíço. Destaca-se também a obra da Coleção CAM – Centro de Arte Moderna Gulbenkian Tu nem sequer me vês (2021), de Rui Chafes.

É a terceira vez que se organiza a exposição Gris, Vide, Cris, anteriormente em Paris e Lisboa, e agora no Museu Beeldan aan Zee. Em Haia há uma grande mudança expositiva, influenciada pela estrutura física e pela iluminação diurna do espaço, intensificando contrastes como grandeza com fragilidade, ausência sonora contra aparição.

 

 

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