© Maru Serrano/La Casa Encendida 2025
Julianknxx
Coro em Rememória de um Voo
Barbican, Londres: 14 set 2023 – 11 fev 2024
CAM, Lisboa: 22 fev 2025 – 30 jun 2025
La Casa Encendida, Madrid: 27 jun 2025 – 30 nov 2025
A exposição individual de Julianknxx (Freetown, 1987) resulta das colaborações criativas que o artista multidisciplinar serra-leonês desenvolveu em nove cidades europeias, onde recolheu histórias não contadas da diáspora africana. Coro em Rememória de um Voo foi apresentado no Barbican, em Londres (2023); no CAM, em Lisboa (2025); e na La Casa Encendida, em Madrid (2025).
A exposição esteve em Inglaterra de setembro de 2023 a fevereiro de 2024 e em Portugal de fevereiro a junho de 2025, com novas obras criadas para a mostra no CAM.
Abordando temas como a herança colonial, a perda e a pertença, Julianknxx é uma das principais vozes da diáspora africana e trabalha nas fronteiras entre a palavra escrita, a música e a arte visual. Partindo da sua própria história, o artista procura desconstruir preconceitos acerca da arte, da história e da cultura africana, trabalhando sobre a experiência negra de construção e reconstrução de identidades, rejeitando rótulos e criando novas narrativas coletivas.
A exposição, inicialmente no Barbican, resultou de uma videoinstalação multicanal intitulada Coro em Rememória de um Voo. Esta nasceu de um projeto que levou o artista, ao longo de 6.500 quilómetros, a diferentes cidades portuárias europeias com fortes ligações à história colonial, como Lisboa, Antuérpia, Hamburgo, Marselha e Roterdão. Durante um ano, Julianknxx colaborou com coros, políticos, bailarinos e ativistas locais.
Adotando uma «prática de escuta», o artista recolheu os testemunhos, performances e contextos para criar uma série de filmes que refletem sobre o coro como um meio de resistência à erradicação de diferenças.
Esta «prática de escuta» baseia-se nas tradições da história oral africana, sendo as suas trocas tecidas como um coro de perspetivas individuais, locais e globais. O resultado é um encontro emocionante com o passado e o presente da Europa e as possibilidades que se abrem no futuro.
A vasta distância percorrida é reflexo dos muitos quilómetros atravessados pelas pessoas entrevistadas e pelos seus antepassados ao longo da história. Um único refrão – «Nós somos o que resta de nós» – une as vozes corais, falando da forma como a música pode ser um veículo vital para a sobrevivência da memória cultural.
Em 2023, Julianknxx esteve em residência artística em Lisboa, onde trabalhou com o coro Gospel Collective e com os músicos Edvania Moreno e Kenny Caetano. Destas sessões de trabalho surgiu uma performance poética que, centrando-se na relação entre a materialidade e a psique negra, foi apresentada no anfiteatro ao ar livre da Fundação Gulbenkian.
Já no que toca à sua exposição no CAM, Coro em Rememória de um Voo foi ampliada através da participação de alguns dos colaboradores mais próximos de Julianknxx em Lisboa, como a obra encomendada a Tristany Mundu. Este capítulo incluiu, portanto, duas novas obras que aprofundam as realidades da nossa cidade e as muitas histórias por contar que esta encerra. Esta exposição contou ainda com uma sala de leitura – um espaço de repouso e descontração. Para Julianknxx, descansar é um ato radical de resistência, de tal forma que neste local podiam consultar-se um conjunto de livros de autores africanos e da diáspora que mapeiam interesses, memórias e histórias, focando-se igualmente numa vasta produção do discurso crítico contemporâneo.
Na sua passagem pelo CAM uma equipa curatorial criou um programa associado que ecoaram os temas da herança colonial, da perda e da pertença.
Os elementos constitutivos da exposição encontram-se expostos, pela primeira vez em Espanha, na La Casa Encendida, um centro cultural em Madrid, na Sala A, dentro da programação Verbos encendidos #1: Escuchar.