Celebração do centenário do nascimento de Júlio Pomar: «A cola não faz a colagem»
No passado mês de maio, o Atelier-Museu Júlio Pomar inaugurou a exposição «A cola não faz a colagem», integrada no âmbito das celebrações do centenário do nascimento de Júlio Pomar (1926-2018). A exposição resulta do trabalho de curadoria de Sara Antónia Matos, Pedro Faro e Constança Pupo Cardoso.
O título da exposição surge porque Pomar utilizou uma frase do artista alemão Max Ernst num dos seus textos, L’Écrit [O Escrito], de 1981, pelo que se procura explicar a ideia de que a colagem não é apenas um mero ato de sobreposição. Na realidade, transcende essa dimensão e deve ser entendida como algo conceptual e abstrato.
Numa entrevista, a curadora Sara Antónia Matos propõe que estas «ideia[s] de combinar, cruzar ou justapor […] dão-nos outras oportunidades de vivência» e são o resultado da liberdade de expressão e de metodologias, através de uma abordagem inovadora e inesperada.
Das cerca de meia centena de obras em exposição, o CAM cedeu três peças da sua Coleção: a pintura Le Bain Turc, d’après Ingres (1971), a assemblage L’ Enseigne aux Grelots (1977) e a colagem Le Luxe (1979). Os trabalhos expostos refletem a ampla prática artística de Júlio Pomar, desde o período neorrealista até ao fim da sua vida. Várias das obras de Júlio Pomar nunca haviam sido expostas e podem ser agora visitadas até dia 6 de setembro, em Lisboa.