Xerazade, a Coleção Interminável do CAM
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Data
- sáb,
- Encerra Terça
Local
Galeria da Coleção Centro de Arte Moderna GulbenkianPreço
- 12,00 €
Incluído no bilhete Centro de Arte Moderna Gulbenkian
Gratuito – Menores de 18
25% – Menores de 30
10% – Maiores de 65
Cartão Gulbenkian:
Gratuito – Menores de 30, sábados, 18:00 – 21:00
50% – Menores de 30
20% – Maiores de 64
10% – 30 a 65
Através da evocação de facetas significativas que dão forma àqueles contos e que organizam a sequência expositiva em catorze núcleos, este olhar, naturalmente subjetivo, pretende também trazer a protagonista lendária, Xerazade, ao tempo presente, desalojando-a do seu contexto cultural específico.
Xerazade, a quem o Rei Xariar elogia a memória prodigiosa, tornou-se sinónimo de sedução pela palavra e pela narrativa infinita. Mas a sua rebelião simbólica situa-se, agora, para lá dessa capacidade de encantamento. O apelo forte à magia e à essencialidade da linguagem verbal na natureza humana e no espaço da identidade individual atravessam histórias, livros e obras de arte.
A Coleção do CAM cresce todos os anos através do seu programa de aquisições e apresenta agora a 65.ª mostra coletiva desde a sua inauguração, em 1983. A multiplicidade de histórias que a constituem e dos potenciais pontos de vista que as suas 12 000 obras já permitiram – e continuarão a permitir – na criação de exposições é, naturalmente, interminável.
Com Histórias de uma Coleção (2023), Linha de Maré (2024), a proposta de Leonor Antunes sobre a Coleção (2024) e agora com Xerazade, o CAM tem procurado mostrar aquisições recentes, assim como algumas obras com menor visibilidade habitual.
Contar, expor e colecionar são formas sobreponíveis de abrir espaço à ficção e à memória. Entendida como um livro (em) aberto, esta exposição será periodicamente alterada, com mudanças de núcleos e obras, procurando acertos com o tempo incerto das histórias e com o tempo complexo da História. O imperativo maior será sempre mantê-la viva.
Artistas em exposição
Adelina Lopes, Alexandre Conefrey, Álvaro Lapa, Ângelo de Sousa, Amadeo de Souza-Cardoso, Ana Hatherly, Ana Jotta, Ana Vidigal, António Areal, António Carneiro, António Dacosta, António Duarte, António Júlio Duarte, António Sena, António Sena da Silva, António Soares. Arpad Szenes, Arshile Gorky. Artur Cruzeiro Seixas, Augusto Alves da Silva, Belén Uriel, Bernardo Marques, Candido Portinari, Canto da Maya, Carla Filipe, Carlos Botelho, Cecília Costa, Craigie Horsfield, Cristiano Cruz, Daniel Blaufuks, Eduardo Nery, Eduardo Viana, Emmerico Nunes, Eva Gaspar, Fernanda Fragateiro, Fernando Lanhas, Fernand Léger, Fernão Cruz, Flávia Monsaraz, Francisco Tropa, Gaëtan, Gil Heitor Cortesão, Gonçalo Duarte, Helena Almeida, Ilda David, Irene Buarque, Jane & Louise Wilson, Joana Bértholo, João Cutileiro, João Onofre, João Tabarra, João Vieira, Jorge Martins, Jorge Molder, Jorge Pinheiro, Jorge Queiroz, José de Almada Negreiros, José de Guimarães, José Dominguez Alvarez, José Escada, Julião Sarmento, Júlio dos Reis Pereira, Júlio Pomar, Leonor Antunes, Lourdes Castro, Luís Noronha da Costa, Luís Silveirinha, Mafalda Santos, Manuela Marques, Manuel João Vieira, Maria Antónia Siza, Maria Beatriz, Maria Helena Vieira da Silva, Mário Botas, Mário Cesariny, Mário Eloy, Menez, Michael Biberstein, Musa paradisiaca, Nuno Cera, Nuno Henrique, Nikias Skapinakis, Noé Sendas, Paula Rego, Paulo Catrica, Pedro Cabrita Reis, Pedro Valdez Cardoso, Pires Vieira, Publius Ovidius Naso, Robert Delaunay, Rolando Sá Nogueira, Rui Calçada Bastos, Rui Chafes, Rui Sanches, Sandra Rocha, Sarah Affonso, Sara Bichão, Sérgio Pombo, Sonia Delaunay, Susanne Themlitz, Teresa Magalhães, Waltercio Caldas.
Temas
Um Livro (em) Aberto
Suspense
Memória Prodigiosa
O Combate
O Brilho do Mundo
Labor Intenso
Mil e Umas Coisas
A Vida de Cada Um
Mil e Uma Madrugadas
O Sono dos Injustos
Astúcia e Sedução
Fontes de Inspiração
Estar Viva Amanhã
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Muito Me Contas
Para manifestar surpresa dizemos por vezes «muito me contas». Contar histórias é uma habilidade e ampliar o seu impacto é uma outra, complementar. As narrativas aliciantes prendem, fascinam e mantêm fiel um auditório. Queremos sequências, preenchimento, imagens, ligações, personagens, desfecho e, mesmo assim, continuidade!
Dos balões vazios da História Dramática de um Ovo, de António Areal, às letras moldadas por João Vieira, e àquelas que desenha Sonia Delaunay, a referência à expressão verbal é um espaço aberto a todas as possibilidades e combinatórias. A par destas obras, a referência à instalação Maquetas para L’Orage, de Francisco Tropa, a partir das suas caixas modelo, conduz-nos, no início da exposição, ao princípio genérico da narrativa ficcional que lhe preside.
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Um Livro (em) Aberto
Contar, expor e colecionar são formas sobreponíveis de abrir espaço à ficção. A tela e a página em branco oferecem o mesmo tipo de desafio. Aberto o livro, sucedem-se as palavras, os acontecimentos, a evasão e a curiosidade; aberto o espaço, sucedem-se as imagens… e cresce a geometria do próprio espaço.
O Retrato de Matilde, de Sarah Affonso, é, porventura, prelúdio da grande literatura nas pinturas Retrato de Fernando Pessoa, de Almada Negreiros, ou La bibliothèque en feu [A Biblioteca em Fogo], de Maria Helena Vieira da Silva. Há também os livros mutilados na obra (Not) Reading Landscape #2 [(Não) Lendo a Paisagem #2], de Fernanda Fragateiro, e um fundo de tela pintado que sai da moldura de Helena Almeida, aberto a outro destino.
Livros, leitura, bibliotecas, rolos escritos, formas de livro e formas de escrita povoam os universos em aberto do nosso imaginário. Mafalda Santos sublinha a singularidade e o desequilíbrio das vozes femininas num mundo patriarcal.
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Suspense
O segredo reside em deixar o resto para amanhã; em parar no momento empolgante da história… ou do traço; em suspender o olhar e a espera; em gerir a promessa e alimentar o desejo da narrativa.
La Légende de Saint Julien l’Hospitalier, de Gustave Flaubert, é uma história de crime e redenção, de crueldade e arrependimento, como a de Xerazade. O livro profusamente ilustrado que Amadeo de Souza-Cardoso lhe dedica, suspende-nos a respiração. A sua pintura Lévriers / Os Galgos habitaria facilmente o ambiente da história.
Em contexto urbano e contemporâneo, a expressão da expectativa adquire outros contornos, por exemplo em Helena Almeida ou Cecília Costa; o Mocho enigmático de Flávia Monsaraz, a autorrepresentação desviante de Susanne Themlitz em Trigémeos Inofensivos, a abertura e o movimento geométricos de Fernando Lanhas, as representações campestres de Amadeo e o olhar expectante de todos em Auto-Retrato num grupo, de Almada Negreiros, referem-se ao sortilégio das histórias e narrativas.
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Memória Prodigiosa
O rei Xariar elogia a memória prodigiosa de Xerazade e, no final d’As Mil e Uma Noites, admite que se sente apaziguado. A performance excecional da memória é, normalmente, conotada com juventude, inteligência e vitalidade. Mas será a memória a mais importante capacidade cognitiva? E será a memória transbordante um peso ou um benefício?
A suspensão do tempo na obra de Menez sugere um modo difuso e incerto de inscrição mnésica. A memória tem falhas e lacunas na peça de Rui Sanches, mas também recreação e recomeço constantes.
O cão pensante pintado por Gil Heitor Cortesão, o rosto atormentado de Gaëtan, O Colecionador de Manuel João Vieira ou Cena Aberta de António Dacosta reforçam, neste conjunto, a ideia do trabalho intenso da memória, da reflexão e do tempo consumido por cada história.
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O Combate
As histórias e lendas de combates reais ou simbólicos povoam o imaginário coletivo de todos os povos. Combate interior e combate exterior, face aos obstáculos, às urgências, às provas e emboscadas.
O cavaleiro é uma personagem arquetípica e irrompe nas clareiras da vida, pintado nos quadros de Amadeo de Souza-Cardoso e Gonçalo Duarte ou esculpido na obra de João Cutileiro.
Fora da galeria, Livro de Actos, de Pedro Valdez Cardoso, encosta estandartes à parede e o que parecem ser despojos de um combate (histórico e bíblico). O desenho de Cruzeiro Seixas situa-nos no imaginário da luta armada. Os títulos nas pinturas de Vieira da Silva e de José de Guimarães remetem para o espaço do combate. Mais abstrata, a escultura de Rui Chafes sugere um perímetro de clausura.
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O Brilho do Mundo
Tesouros, filigranas, milagres, talismãs, epifanias e coisas mirabolantes trazem ao mundo um brilho por vezes falso e cheio de enganos. Nem tudo o que brilha é ouro! O brilho ofusca e inebria. Mas por vezes, e com sorte, ele é mesmo verdadeiro.
Lançada a moeda ao lago, espera-se que o desejo se concretize em Poço dos Murmúrios, de João Tabarra. A cor dourada e a luminescência cobrem objetos, edifícios e superfícies. A cortina de Leonor Antunes cintila como se nela nascessem constelações.
Neste núcleo, Belén Uriel, Ana Jotta ou António Sena da Silva propõem pequenas «jóias» que luzem, enquanto numa fotografia de António Júlio Duarte um edifício parece flutuar imaterial e feito apenas de luz. Na fotografia de Manuela Marques, nas pinturas de Ângelo de Sousa e de Jorge Martins ou no desenho de Jorge Pinheiro são valorizados os efeitos de preciosidade, cintilação, vibração e reverberação.
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Labor Intenso
É intenso o labor de Xerazade, contadora exímia de histórias, muitas delas passadas em comunidades pobres e desiguais, em contraste máximo com a vida dos poderosos. As vidas da maioria e, sobretudo, aquelas que se aproximam do limiar de uma pobreza que o esforço de trabalho não permite explicar e que a liberdade não premeia são, ainda hoje, demasiado numerosas no nosso planeta.
A varina de Júlio Pomar indicia a nítida influência de Almada Negreiros, nesta fase de trabalho do pintor. A decomposição geométrica em pinturas de Arshile Gorky, também se aproxima, curiosamente, das suas soluções formais.
Nas obras de Craigie Horsfield, Alvarez ou Mário Eloy, a densidade interior traz à superfície dos rostos inquietação e distúrbio. As almas, tal como os corpos de varinas ou camponeses, são sulcadas por um labor intenso. Neste conjunto, a charrua de Gorky projeta realidade e metáfora.
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Mil e Umas Coisas
Coisas banais: pedaços, estilhaços e ninharias. Letras e palavras reescritas sem fim sobre si mesmas. Objetos emblemáticos. Acumulação e expressão de abundância. Diversidade.
As coisas e as palavras equivalem-se em reenvios recíprocos: circulam, preenchem, demonstram, escondem, espelham, decorativas e/ou expressivas; e são refletidas no poema espacial de Salette Tavares ou na imagem em filme exclusivamente verbal de Rui Calçada Bastos. Aqui se joga e arrisca também a vaidade e a futilidade, como no caso da marca Coty, nome do perfume que inspirou o título da pintura de Amadeo de Souza-Cardoso.
No autorretrato de Almada Negreiros, nos desenhos de Ana Hatherly e nas telas de António Sena e de Álvaro Lapa as letras e palavras criam uma cortina espessa de significações que quase se autoanulam na prevalência de um efeito visual.
As palavras, como os objetos colecionados ou as pequenas formas, proliferam nos trabalhos de Amadeo, Carla Filipe, Musa paradisiaca e Rui Moreira.
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A Vida de Cada Um
No conjunto das múltiplas vidas cruzadas, anónimas, prosaicas, rotineiras e semelhantes, que povoam o planeta, irrompem eventos inesperados, edificantes ou perturbadores, episódios banais a par de coisas mirabolantes.
A arte dedica, por vezes, a Natureza-morta a representações de interiores, em que janelas ou cortinas desenham o limiar que melhor os aproxima da vida lá fora. As obras de Carlos Botelho, Bernardo Marques, Sarah Affonso, Amadeo, Vieira da Silva, Fernand Léger, Eduardo Viana, Mário Eloy ou Maria Beatriz refletem essa representação.
A fotografia de Paulo Catrica e a pintura de Teresa Magalhães acrescentam «flagrantes» banais à coleção de momentos também insignificantes das vidas de cada um. Pelo contrário, as fotografias de Sandra Rocha, de Nuno Cera e de Augusto Alves da Silva propõem a irrupção da estranheza e da sugestão onírica na geografia trivial destes territórios.
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Mil e Uma Madrugadas
Xerazade conta histórias durante toda a noite. Retira-se de madrugada, com a vida em suspenso, até à noite seguinte. No imaginário coletivo, o número 1001 passou a simbolizar «muitas coisas», em número indefinido ou infinito. É esse o tempo desta narrativa em palimpsesto.
A atmosfera natural ou artificial da luz (matinal ou noturna) marca o ritmo da sucessão de dias e noites nestas pinturas de tempos diferentes do século XX e na instalação com que Maria Beatriz homenageia Almada Negreiros.
Na proximidade de Noronha da Costa, as obras de Emmerico Nunes, Sá Nogueira, Alexandre Conefrey e António Carneiro fazem da passagem ininterrupta do dia e da noite um molde nuclear da nossa condição anímica.
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O Sono dos Injustos
Fala-se do sono dos justos para referir a tranquilidade profunda que o caracteriza. Poderá pensar-se que os injustos sonham com ameaças, violência e estranheza inquietante, sendo atormentados por pesadelos? Ou que antes se divertem num mundo onírico excêntrico e sem moral?
Em Cruzeiro Seixas, António Dacosta ou José Escada as imagens de pesadelo contagiam de inquietação outras obras. Os dedos estão sujos, de tinta ou de sangue, na fotografia de Jorge Molder – um crime (ou uma obra) poderá ter acontecido.
A marioneta indefesa de Mário Botas, a escultura humorística, mas também violenta, de Ana Jotta, a disformidade e o excesso em Jorge Queiroz, Mário Cesariny ou Maria Antónia Siza agudizam a atmosfera de medo, de rejeição instintiva e de tensão neste grupo de obras.
A oposição entre gestos de crueldade e gestos de redenção remete-nos para vários outros núcleos desta exposição como Suspense, Labor Intenso, O Combate, A Vida de Cada Um, Mil e Uma Madrugadas.
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Astúcia e Sedução
A astúcia e a capacidade de seduzir pela palavra, o fascínio da narrativa, o encanto da presença, a inteligência estratégica, o jogo, a comunicação subliminar e o prazer lúdico podem assegurar, in extremis, a sobrevivência de quem enfrenta o despotismo e o terror.
O estereótipo da mulher sedutora será sempre facilmente encontrado na pintura e na ilustração do início do século XX em Portugal. Mas nem as odaliscas representadas por Júlio Pomar e Lourdes Castro, nem a mulher «coquette» nos conduzem ao exercício da palavra que encontramos noutras obras. À remissão para o arquétipo soma-se a expectativa da sua reformulação.
Este núcleo reúne várias figuras femininas potencialmente sedutoras, como a que é pintada por Amadeo, as que são esculpidas por Canto da Maya e por Sérgio Pombo ou as que são desenhadas por António Soares, Bernardo Marques, ou Cristiano Cruz. A ilustração de um conto das Mil e Uma Noites dá o mote.
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Fontes de Inspiração
É impossível determinar a autoria das lendas e dos contos instrutivos de muito do património literário universal. Uma origem múltipla, coletiva, anónima e antiga acrescenta-lhes capacidade de encantamento. A inspiração é uma condição misteriosa, as fontes nunca secam nem param de se multiplicar. Serão elas à imagem daquelas que nutrem a natureza como nas obras de Ilda David, António Dacosta e Alexandre Conefrey? Ou mais invisíveis, no vazio de onde tudo emerge?
Algumas obras remetem para o instante quase invisível e abstrato em que a inspiração irrompe: como diante do espelho de Waltercio Caldas, onde nos vemos no exato momento em que surge uma ideia luminosa, do lugar restrito em que Michael Biberstein inscreve linhas sinuosas, ou da linha de água fotografada por Adelina Lopes.
A partir de Ecologia de Joana Bértholo, evocamos a Deusa Eco, que é também vítima de crueldade, mas que, por várias razões, se encontra nos antípodas de Xerazade.
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Estar Viva Amanhã
Este é o imperativo máximo de Xerazade: não ser morta no dia seguinte. É uma luta sem espada e à beira do precipício. Fuga e salvação, aparecimento e retirada, medo e exílio, iniciativa, desafio e sucesso emergem no palco das possibilidades.
A espada de um Anjo cruel, de Paula Rego, terá ferido de morte e ausência o corpo invisível «esculpido» por Fernão Cruz, do qual restam apenas as mãos caídas e impotentes. Pairam ameaças de clausura e morte, mas também de sobrevivência e vontade infindável de uma nova alvorada, na obra de João Onofre.
Um espaço sem contorno abre-se a alguns destes corpos, ora libertados ora aprisionados por atos e palavras. Nele ecoam também histórias de crueldade e sedução que podem ser adivinhadas nas obras de Julião Sarmento ou de Lourdes Castro, no ser em fuga no filme de Noé Sendas, ou no busto de pedra cristalizado no tempo na fotografia de Daniel Blaufuks.
Ficha técnica
Curadoria
Leonor Nazaré
Cenografia
Rita Albergaria com a colaboração de Ana Teresa Torres
A Fundação Calouste Gulbenkian reserva-se o direito de recolher e conservar registos de imagens, sons e voz para a difusão e preservação da memória da sua atividade cultural e artística. Caso pretenda obter algum esclarecimento, poderá contactar-nos através do formulário Pedido de Informação.