Tensão e Liberdade. Coleções CAM, La Caixa, MACBA

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«Tensão e Liberdade» assenta na dicotomia tensão/liberdade, manifestada nos campos político, social e artístico, e em como esta se expressa na arte contemporânea.

A exposição Tensão e Liberdade resulta do encontro de três coleções de arte contemporânea da Península Ibérica: a do Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (MACBA), a da Fundación ”la Caixa” e a do Centro de Arte Moderna (CAM) da Fundação Calouste Gulbenkian.

Durante todo o século XX, tanto Espanha como Portugal viveram social e politicamente entre a tensão e a liberdade; ambos os países foram atravessados por guerras: uma civil, outra colonial; bem como estiveram sujeitos a regimes ditatoriais prolongados e que só terminaram em meados da década de 1970.

Este dado bastaria para guiar a escolha de obras e de autores, mas não é só nas obras de artistas portugueses e espanhóis que encontramos a dicotomia tensão e liberdade, também de um modo mais alargado na arte ocidental da segunda metade do século passado, através de três grandes temáticas ou abordagens: a esfera sociopolítica e revolucionária.

Bruce Nauman (Fort Wayne, Indiana, 1941) é o autor mais largamente representado na exposição, não só porque é um artista crucial e de referência de toda a arte contemporânea, sobretudo do conceptualismo, do minimalismo e da performance trabalhados em todos os suportes desde a escultura ao vídeo, passando pela instalação e fotografia, mas precisamente porque a sua obra é atravessada pelos conceitos de tensão e liberdade.

As questões do género e da sexualidade como origem de tensão social estão também presentes nas obras Mulheres d’Apolo de Vasco Araújo (Lisboa, 1975) e Senhora! de Luísa Cunha (Lisboa, 1949).

Sexualidade, arte e política cruzam-se na obra de Mike Kelley (1954-2012), The Trajectory of Light in Plato’s Cave (From Plato’s Cave, Rothko’s Chapel, Lincoln’s Profile), 1985-96, uma instalação que evoca uma cave ou uma caverna, cuja entrada é bloqueada por uma pintura de grandes dimensões com a inscrição «Rasteja, verme. Na espeleologia, por vezes, é preciso andar curvado… Por vezes, andar de gatas… Por vezes, mesmo, rastejar» e o espectador percebe que tem de se baixar e arrastar para dentro da caverna para poder entrar.

Sexualidade, género, raça, história de arte e autorrepresentação cruzam-se em Olympia de Gabriel Abrantes (Chapel Hill, 1984).


Ficha técnica

Curadoria

Isabel Carlos

Produção

Rita Lopes Ferreira

Projeto museográfico e coordenação técnica

Cristina Sena da Fonseca

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