El cante rasgueado, por Niño de Elche e Pedro G. Romero

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Duração: 90 min.
Neste concerto, Niño de Elche explora vários géneros da música popular da raia ibérica cruzando o fandango com o tango português e a viola campaniça com a liturgia sefardita.

El cante rasgueado faz parte de um projeto mais abrangente encomendado pela BoCA a Niño de Elche, figura ímpar da cena musical e performativa espanhola, e ao artista visual e investigador Pedro G. Romero.

Deste convite, resultaram dois formatos, espelhos da mesma proposta: uma conferência-performance, com Pedro G. Romero, e um espetáculo com Niño de Elche e músicos populares da raia ibérica. 

Na raia que separa – ou une – o sul de Portugal, Huelva e a Extremadura, o som opera como um elo de ligação entre geografias e histórias. Aí se escutam o cante alentejano com as suas violas campaniças, o fandango cané de Alosno entoado por grupos de homens sobre o rasgueado incessante das guitarras, ou ainda os tangos e jaleos luso-extremenhos transmitidos por comunidades ciganas. 

É neste território permeável que Niño de Elche e Pedro G. Romero desenvolveram este concerto performativo, partindo de um processo de investigação no terreno, junto de pessoas da área da música e da história locais. 

Ao longo de um período de pesquisa e criação no terreno fronteiriço ibérico, entre Portugal e Espanha, Pedro G. Romero e Niño de Elche procuraram ativar práticas de colaboração que desafiam as formas cristalizadas da tradição, expondo a sua fricção com o presente.  

Mais do que recolher ou documentar, a proposta é um gesto de reinvenção: mapear as linhas de continuidade e fricção entre manifestações populares que coexistem na fronteira ibérica, abrindo espaço a novas formas de escuta, apropriação e encontro. Neste contexto, cantar ou rasguear não são apenas gestos técnicos ou expressivos – são atos coletivos, formas de estar com as outras pessoas.  

A partir desta premissa, Niño de Elche e Pedro G. Romero reativam o potencial comunitário da cultura popular, recusando leituras folclóricas ou fixas, apresentando um concerto inédito com a colaboração de músicos que desafiam as formas cristalizadas da tradição, expondo a sua fricção com o presente. 

Niño de Elche

Niño de Elche (Elche, Espanha, 1985) é um artista indisciplinar cuja prática cruza música, poesia, performance, dança e teatro. Formado em canto flamenco, abandonou as convenções do género para explorar territórios experimentais, fundindo o flamenco com a improvisação livre, o krautrock, as músicas eletrónicas e electroacústicas. O seu mais recente álbum, La exclusión, resulta de uma colaboração com o pensador Ramón Andrés. Em 2017, integrou a Documenta 14 (Kassel e Atenas) com La farsa monea, em parceria com Galván e Pedro G. Romero.

Pedro G. Romero

Pedro G. Romero (Aracena, Espanha, 1964) é artista, curador e ensaísta. Com uma prática que cruza artes visuais, pensamento crítico, arquivo e performance, o seu trabalho tem contribuído de forma decisiva para a renovação das linguagens contemporâneas no contexto ibérico e internacional. Em 2024, foi distinguido com o Prémio Nacional de Artes Plásticas de Espanha. Apresentou trabalho em exposições de referência como a Documenta14 (Kassel/Atenas, 2017) e Bienal de Arquitetura de Veneza (2023). O Museu Reina Sofía (Madrid) dedicou-lhe uma retrospetiva em 2022 (Máquinas de Trovar).


Ficha técnica

Conceção

Niño de Elche
Pedro G. Romero

Músicos 

David Pereira – viola campaniça
Guilherme Colaço – viola campaniça 
Juan Vargas – guitarra flamenca
Miguel Vargas – guitarra flamenca

Encomenda e produção

BoCA – Biennial of Contemporary Arts

Coprodução

CAM
Museo Nacional del Traje (Madrid)

Apoios 

Programação Cultural Cruzada Portugal-Espanha – 50 anos de democracia; Ministerio para la Transición Ecológica y el Reto Demográfico; Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo; Acción Cultural Española (AC/E) – Programa para la Internacionalización de la Cultura Española (PICE).

Imagem principal

Niño de Elche & Pedro G. Romero, El Cante Rasgueado. Residência Artística, 2025

Apoio

A Fundação Calouste Gulbenkian reserva-se o direito de recolher e conservar registos de imagens, sons e voz para a difusão e preservação da memória da sua atividade cultural e artística. Caso pretenda obter algum esclarecimento, poderá contactar-nos através do formulário Pedido de Informação.

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