Arte Britânica – Um Encontro
Apresentação
A Fundação Calouste Gulbenkian desde a sua criação em 1956, fiel ao espírito do fundador, considerou ser essencial abrir fronteiras para os jovens artistas e intelectuais portugueses, mas mais do que isso procurou que esse desígnio se traduzisse num verdadeiro intercâmbio entre culturas.
Pretendeu-se, assim, contrariar a lógica de um país fechado dentro de si que uma certa inércia favorecia. A partir do contributo dos jovens criadores seria possível ganhar em formação e em conhecimento, mas simultaneamente pôr em contacto a nossa perspetiva com a visão dos outros, em nome da exigência e da qualidade. Uma cultura antiga como a portuguesa deveria, pois, enriquecer e enriquecer-se.
Através da Arte Britânica presente na Coleção do CAM – Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian procura-se mostrar o impacto e a influência de artistas de diferentes geografias na configuração e na evolução da arte, com base no Reino Unido no século XX. Reúne-se um núcleo muito significativo de obras de arte britânica da Coleção do CAM e da Coleção Berardo. Visa-se, assim, compreender como a criação artística da segunda metade do século XX pode ser entendida enquanto realidade dinâmica, movimento e diálogo. Brunelleschi ensinou-nos que o ponto de fuga constitui a chave para compreendermos a perspetiva, uma vez que permite à realidade visível tornar-se aberta, revelando a diversidade do horizonte. Desta maneira se compreende a título dado a esta iniciativa.
Arte Britânica – Ponto de Fuga apresenta mais de cem obras de 74 artistas da maior importância, destacando-se: Bridget Riley, David Hockney, Antony Gormley, Francis Bacon, Rachel Whiteread, Frank Auerbach, ou David Bomberg. E a ideia de diálogo e de intercâmbio dá uma importância especial à presença do conjunto marcante de artistas nacionais – Paula Rego, Bartolomeu Cid dos Santos, Menez, Eduardo Batarda, Fernando Calhau, Graça Pereira Coutinho, João Penalva e Rui Sanches – que procuraram formação e, nalguns casos, fixaram residência em Londres. Todos permitem a compreensão da importância da experiência britânica, como fator de internacionalização e de cosmopolitismo, mas também de emancipação mútua. O caso de Paula Rego é muito representativo, uma vez que a sua grande originalidade é fruto da relação estabelecida com o ambiente, o intercâmbio e o espírito cultivado entre os artistas britânicos e as suas instituições. Trata-se de um verdadeiro caleidoscópio que permanentemente transforma a visão que temos da realidade, fazendo-a desenvolver-se. É uma experiência única, em que cultura, educação e formação se unem e se projetam numa realidade poliédrica, que se vai desenvolvendo e metamorfoseando.
A Fundação Calouste Gulbenkian orgulha-se de continuar a assumir este objetivo de abrir horizontes e de continuar a fazer da cooperação cultural um fator decisivo de desenvolvimento humano, fiel aos objetivos estatutários centrados na educação, na arte, na ciência e na filantropia. E este entendimento constitui um modo de fazer da Arte um catalisador de progresso, de respeito mútuo e de dignidade humana.
Guilherme d’Oliveira Martins
Administrador Executivo, Fundação Calouste Gulbenkian