A Exposição

Arte Britânica – Ponto de Fuga reúne cerca de 100 obras de 74 artistas, provenientes sobretudo de duas grandes coleções institucionais portuguesas, o CAM – Centro de Arte Moderna Gulbenkian e a Coleção Berardo.

Estas obras são complementadas por relevantes empréstimos, alguns provenientes do Reino Unido e de França, que contextualizam a significativa transferência transnacional que distinguiu a prática artística britânica.

A questão do que constitui a arte britânica – passada e presente – está sempre em mudança. Nas últimas duas décadas, assistiu-se a uma grande reavaliação e valorização da influência migrante e diaspórica na arte «britânica», como parte de um movimento de descolonização do cânone.

A exposição assinala diálogos artísticos significativos entre o Reino Unido e a França, os Estados Unidos da América e Portugal, através de artistas conhecidos e de outros menos conhecidos, nativos, migrantes ou temporariamente deslocados. Estes artistas estão ligados, não apenas por movimentos e práticas artísticas, formação em escolas de arte e plataformas de exposição, mas também através de histórias pessoais partilhadas, incluindo identidades nacionais e étnicas, trajetórias e experiências de emigração.

Seguindo uma abordagem temática, não estritamente cronológica, a exposição destaca temas importantes, incluindo o domínio, o lapso e depois o ressurgimento da figuração e as muitas vertentes do realismo na cultura visual britânica de finais do século XIX e do século XX. Igualmente importante é a ascensão da abstração e das suas variantes, com forte representação no construtivismo. A grande tradição inglesa da paisagem – embora não seja um tema dominante – é assinalada pela presença de J. M. W. Turner, cujo longo legado é representado por uma paisagem marítima.

As migrações pós-guerra de países com regimes repressivos, incluindo a África do Sul e Portugal, estabeleceram novos pontos de fuga – linhas de convergência, que também podem ser divergentes – que continuam até hoje.

Os artistas migrantes ou temporariamente deslocados, têm sido fundamentais para todos estes movimentos e têm desempenhado um papel vital na formação e dinamização de diálogos, valendo-se das suas próprias experiências e antecedentes para contribuir para uma cena artística britânica revitalizada e, em última análise, mais inclusiva.

Sarah MacDougall
Coordenação científica da exposição

 

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