Alexandre Estrela

Métal Hurlant

13 março – 16 junho 2019

Curador : Sérgio Mah

 

Desde meados da década de 1990 que o trabalho de Alexandre Estrela (Lisboa, 1971) se tem distinguido pelo modo original e idiossincrático como aglutina e sobrepõe um leque muito diversificado de domínios, temas e referências: dos estudos da percepção à ficção científica, da cultura popular ao cinema e às artes plásticas, sendo de sublinhar, neste último caso, o seu manifesto interesse pelo legado das práticas experimentais e conceptuais que contribuíram decisivamente para a formação de um campo heterodoxo, indefinível e inclassificável entre as artes visuais e o filme experimental, dando expressão a uma vasta e incisiva averiguação sobre a natureza e o alcance da imagem.

Metal Hurlant foi concebida para o espaço de exposições da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris. No total, reúne nove obras de produção recente – quatro são inéditas – de Alexandre Estrela. Nestas obras o artista prossegue a exploração de questões e temas relacionados com as qualidades da imagem (técnica) em estreita articulação com as potencialidades intrínsecas aos dispositivos de captação, edição e exibição de imagens, designadamente nos domínios do vídeo. Para o artista, o carácter eminentemente factício e paradoxal da imagem induz todo um campo de possibilidades de reformular – desestabilizar, iludir, expandir – o arco das relações e transmutações entre imagem, médium e percepção. Porém, nesta exposição, e o título é um primeiro indício, sobressai a presença de um tipo especifico de material: o metal. Um material que surge como tópico de tematização, mas também como carcaterística de alguns dos ecrãs de projecção. Neste sentido, são obras fortemente comprometidas com as suas condições físicas e espaciais, que destacam os aspectos mais propriamente escultóricos e arquitectónicos do trabalho de Alexandre Estrela.

Ao desviar-nos das expectativas figurais de modo a explorar as potencialidades plásticas e as derivações semânticas das imagens, Alexandre Estrela procura um novo horizonte perceptivo e artístico, um campo alternativo de experiências visuais, onde as imagens, para além do seu valor específico, cumprem uma função heurística, a indagação de profícuas conexões entre imagem fixa e imagem em movimento, entre figuração e abstracção, entre bidimensionalidade e tridimensionalidade, entre som, imagem e materialidade, pontuações de um peculiar universo especulativo e criativo que olha de frente para o modo como os dispositivos tecnológicos proporcionam processos de passagem, transformação e reconfiguração do visível.

 

Alexandre Estrela (1971) vive e trabalha em Lisboa. Estudou na School of visual Arts em Nova Iorque, cidade onde realizou uma residência no International Studio & Curatorial Program. Tem igualmente o curso de pintura da Faculdade de Belas Artes e Lisboa, onde é docente hoje em dia. Realizou exposições individuais no Museu de Serralves (Meio Concreto, Porto em 2013), no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (Pockets of Silence, Madrid em 2015-2016),  ou no M HKA (Roda Lume, Antuérpia em 2016 ). É responsável pelo espaço Oporto, em Lisboa, onde organiza projecções de filmes de cinéma experimental.