Mendelssohn: Sinfonia n.º 4

Orquestra Gulbenkian / Pinchas Zukerman

Sob a direção do maestro Pinchas Zukerman, a Orquestra Gulbenkian interpreta a Sinfonia n.º 4 ("Escosesa") de Felix Mendelssohn-Bartholdy.
Élio Anes Leal 11 nov 2022 42 min

A curta vida de Felix Mendelssohn-Bartholdy, natural de Hamburgo, apresenta o rosto brilhante, amável e feliz do Romantismo. A inspiração para a Sinfonia n.º 4, em Lá maior, op. 90, Italiana, provém de uma viagem do compositor a Itália em outubro de 1830. Ao longo de dez meses, Mendelssohn percorreu várias cidades, recolhendo impressões que reproduziu numa obra que começou a compor ainda em território italiano, mas que se só viria a terminar três anos mais tarde e sobre a qual afirmou que: “a música, não a encontrei na própria arte, mas nas ruínas, nas paisagens, na alegria da natureza”.

Aquando de uma viagem à Escócia, em 1829, o compositor já havia sentido um fascínio idêntico pela beleza das terras do Norte. Essa inspiração chegou-nos por intermédio de duas das suas obras mais reconhecidas, a abertura As Hébridas, op. 26, e a sua Sinfonia n.º 3 em Lá menor, op. 56, Escocesa. Esta última conheceu uma longuíssima gestação, de tal modo que a Sinfonia Italiana foi terminada e estreada antes.

Desde os primeiros compassos, o primeiro andamento, Allegro vivace, comunica uma energia dançável a que é impossível ficar indiferente. O primeiro tema nos violinos apodera-se de imediato do andamento, conferindo-lhe um caráter saltitante e alegre que já não o abandonará mais, nem mesmo com o aparecimento do segundo tema contrastante, que parece simplesmente fazer um descanso antes que uma nova explosão de vitalidade se apodere da partitura. O Andante con moto assume o caráter de uma marcha lenta e nobre. Há dúvidas sobre a fonte de inspiração do compositor para este segundo andamento. Poderá ter sido uma procissão da Semana Santa a que Mendelssohn assistiu durante a sua passagem por Roma, ou as recentes mortes do seu professor Carl Friedrich Zelter e de Johann Wolfgang von Goethe, ambos falecidos em 1832 e que tanto o influenciaram. O terceiro andamento distingue-se pela sua forma em minueto e cujo Trio central, dominado pelas trompas, prefigura em especial o Noturno da obra Sonho de uma Noite de Verão, que Mendelssohn ainda não havia escrito na altura. A amabilidade desta página contrasta com o vigor rítmico do último andamento, um impetuoso saltarello – uma dança tradicional italiana que remonta ao século XIV. Em forma de um rondó, pode dizer-se que este é o andamento mais inconfundivelmente italiano de toda a sinfonia. A obra teve a sua estreia em Londres, a 13 de maio de 1833, sob a direção de Mendelssohn, num concerto onde o próprio interpretou ao piano o Concerto para Piano n.º 20, em Ré menor, de Mozart.


Intérpretes


Programa

Felix Mendelssohn-Bartholdy

Sinfonia n.º 4, em Lá maior, op. 90, Italiana
1. Allegro vivace
2. Andante con moto
3. Con moto moderato
4. Saltarello: Presto

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