Sinfonia n.º 5 de Beethoven

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No dia em que é anunciado o vencedor da 1ª edição do Prémio Gulbenkian para a Humanidade – atribuído a pessoas ou organizações que se têm evidenciado no combate à crise climática –  a Orquestra Gulbenkian apresenta-se sob a direção do seu maestro titular, Lorenzo Viotti, para interpretar a Sinfonia n.º 5 de Beethoven. Este concerto será exclusivamente transmitido em direto nesta página e nas restantes plataformas digitais da Fundação Gulbenkian.


TRANSMISSÃO


Programa

Orquestra Gulbenkian
Lorenzo Viotti Maestro

Ludwig van Beethoven
Sinfonia n.º 5, em Dó menor, op. 67
– Allegro con brio
– Andante con moto
– Scherzo: Allegro
– Finale: Allegro

Composição: 1804-1808
Estreia: Viena, 22 de dezembro de 1808
Duração: c. 36 min.

A Quinta Sinfonia de Ludwig van Beethoven (1770-1827) é uma das obras mais frequentemente interpretadas em concerto e conhecidas do grande público. Se mais provas fossem necessárias para afirmação do elevado valor intrínseco desta obra, além das extraordinárias qualidades artísticas que dela emanam, e que lhe garantem uma posição cimeira no património cultural da humanidade, a profusa literatura acerca da mesma é por si só testemunho da sua importância histórica e estética.

Excluindo as várias dissecções produzidas pelo pensamento musicológico, uma das mais fascinantes recensões à 5.ª Sinfonia surgiu, desde logo, pela mão do crítico, compositor e novelista E.T.A. Hoffmann (1776-1822) num artigo intitulado “A Música instrumental de Beethoven” (1813) publicado no  Allgemeine musikalische Zeitung, no qual o autor realça os mais significativos aspetos de uma obra, à época, tão profundamente inovadora e, ao mesmo tempo, de significado hermético para a esmagadora maioria do público. Ainda que as estruturas formais que Beethoven utiliza – forma-sonata no primeiro e no último andamentos, tema com variações no segundo e um scherzo no terceiro – sejam ainda herdeiras do período tardo-setecentista, muitos outros aspetos desta sinfonia marcam já uma rutura com o cânone clássico. Não é somente a sua vultuosa dimensão ou a sua extraordinária coesão temática e motívica, mas sobretudo a avassaladora carga anímica que dela irradia e que a demarca das composições homónimas dos seus antecessores.

Ao despedir-se do seu amigo Beethoven, quando este partiu para Viena, em 1792, o conde Waldstein augurou-lhe que “recebesse o espírito de Haydn pelas mãos de Mozart”. Pode afirmar-se, sem constrangimento, que estas influências permaneceram em Beethoven, todavia transmutadas pela sua fértil retórica interior e personalidade marcante. Este facto adquire força de evidência de forma muito especial na 5.ª Sinfonia, onde Beethoven genialmente expressa não só a sua ambivalente personalidade intempestiva e afetuosa, mas também integridade ética e inquietude existencial.

Luís Raimundo

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