Galeria
O retrato esconde, por detrás da alegria do modelo, a trágica sorte de Alexandre, assistente de Manet, que viria a suicidar-se com apenas 15 anos no ateliê do pintor, na rue Lavoisier. Charles Baudelaire inspirou-se neste episódio para a realização de um conto dedicado a Manet intitulado La Corde, inicialmente publicado em Le Figaro, em 1864, e posteriormente editado na compilação Le Spleen de Paris.
Esta obra de juventude, cuja inspiração deriva de Caravaggio e da pintura holandesa de género do século XVII, inscreve-se numa tradição realista de representação, com um parapeito de pedra a delimitar o espaço da composição. Ao tema imediato da pintura, um retrato, Manet associa um outro, a natureza-morta, constituindo as cerejas uma alegoria dos sentidos, a evocar Ribera. A composição encerra ainda um conceito de modernidade subjacente à representação do quotidiano como tema de pintura, inscrita numa ótica baudelaireana de afirmação da realidade contemporânea. Manet refez posteriormente as mãos do rapaz, que evidenciam uma qualidade plástica e estilística característica de trabalhos mais tardios.
Informação técnica
- Autor(es)
- Édouard Manet (1832 – 1883), Pintor
- Título
- O Rapaz das Cerejas
- Origem
- França
- Data
- c. 1858
- Técnica
- Óleo sobre tela
- Materiais
- Tela; Óleo
- Dimensões
- Altura 65,50 cm; Largura 54,50 cm
- N.º de inventário
- 395
Proveniência
Incorporação
- Tipo
- Aquisição
- Local
- Paris
- Proveniência
- Maurice Leclanché
- Intermediário
- Bernheim Jeune et Cie.
- Data
- 19 abr 1910