Arte & Moda
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Data
- sex, sáb e dom,
- Encerra Terça
Local
Galeria Principal Fundação Calouste GulbenkianÚltima entrada 30 minutos antes do encerramento.
Em períodos de maior afluência, o acesso poderá sofrer um atraso até 45 minutos relativamente ao horário reservado.
Preço
- 8,00 €
Gratuito – Menores de 18
25% – Menores de 30
10% – Maiores de 65
Cartão Gulbenkian:
Gratuito – Menores de 30, sextas e sábados, 18:00 – 21:00
50% – Menores de 30
20% – Maiores de 65
10% – 30 a 64
Arte & Moda convida-nos a entrar num espaço onde a arte respira moda e a moda desperta a arte. Numa experiência sensorial, obras da Coleção Gulbenkian dialogam com figuras maiores da alta-costura e do design contemporâneo, revelando formas, símbolos e gestos que atravessam o tempo.
Partindo do profundo interesse de Calouste Sarkis Gulbenkian (1869–1955) pela arte e pela moda, a exposição inicia-se com a forma como o casal Gulbenkian acompanhou as tendências do seu tempo.
A riqueza e diversidade da Coleção Gulbenkian – com obras de arte do Antigo Egito ao século XX – permitem-nos explorar como motivos recorrentes da história da arte são retomados e reinterpretados pela moda contemporânea, em contextos nacionais e internacionais.
Pinturas, esculturas, joias e outros objetos dialogam com peças de moda que os reinventam, narram, decifram ou completam. São encontros inesperados que mostram como a estética, as ideias e as sensibilidades que habitam esta Coleção conseguem iluminar o universo da moda.
A exposição é também um convite para compreender como a beleza viaja através do tempo. Os vestidos permitem-nos ler o que os textos nem sempre dizem: hierarquias, aspirações, rituais sociais, silêncios e revelações. Da pintura clássica ao design contemporâneo, o vestuário torna-se um espelho que mostra que a arte e a moda sempre partilharam o desejo de narrar o ser humano.
Ao longo deste percurso, cerca de 100 obras do Museu Gulbenkian surgem lado a lado com aproximadamente 140 peças de vestuário assinadas por Dior, Balenciaga, Yves Saint Laurent, Versace, Jean-Paul Gaultier, Vivienne Westwood, Alexander McQueen, Guo Pei, Hubert de Givenchy e Azzedine Alaia e, no panorama nacional, por criadores como Alves/Gonçalves, José António Tenente, Maria Gambina, Miguel Vieira, Nuno Gama ou Nuno Baltazar.
Com curadoria de Eloy Martínez de la Pera, a exposição é acompanhada por um catálogo ilustrado com fotografias de Jon Cazenave, realizadas exclusivamente para este projeto.
Arte & Moda integra as comemorações do 70.º aniversário da Fundação Calouste Gulbenkian.
Temas
Antiguidade
Mundo Islâmico
China
Japão
Renascimento
Século XVII
Século XVIII
Século XIX
René Lalique e Burne-Jones
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Nevarte e Calouste Gulbenkian
No início do século XX, enquanto Paris ditava a moda feminina, a masculina era firmemente associada ao modelo inglês. O gosto refinado de Calouste Gulbenkian e da sua mulher Nevarte revelou-se na escolha dos materiais e na preferência por roupa à medida, confirmando o seu estatuto social.
O casal subscrevia publicações populares de moda, procurando acompanhar a evolução das tendências. As fotografias de Nevarte deste período refletem o seu cuidado com a imagem. É representada em vestidos com tecidos leves e fluídos, decorados com bordados e rendas, típicos da Belle Époque. Por sua vez, a indumentária de Gulbenkian demonstrava sobriedade e discrição, características da alfaiataria londrina de Savile Row, expressando, simultaneamente, autoridade e distinção, valores centrais no ideal de gentleman.
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Antiguidade
Ao longo dos tempos, a moda tornou-se um poderoso meio de comunicação e um elemento constitutivo da identidade. Porém, nas primeiras civilizações, o vestuário e os seus materiais eram sobretudo de carácter funcional.
Na Antiguidade os materiais eram escolhidos pelo seu valor e significado político. Os egípcios, por exemplo, utilizavam ouro proveniente do atual Sudão e prata da moderna Turquia, matérias-primas obtidas em regiões de importância geopolítica para as elites.
Artefactos como o vaso calyx-kratêr e os relevos assírios evidenciam a importância da iconografia na distinção entre culturas do Mediterrâneo, como a da Grécia, e outras civilizações mais distantes. Deuses, heróis ou criaturas eram reconhecíveis pelos seus traços físicos, acessórios e peças de vestuário, que, em muitos casos, evocavam cenas mitológicas.
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Mundo Islâmico
No mundo islâmico, as flores eram frequentemente utilizadas como elemento decorativo nos têxteis, associadas aos prazeres de jardins reais e ao paraíso, um tema presente no Corão.
Composições de motivos naturais, muitas vezes estilizados, eram um elemento importante na estética islâmica e inspiram designers de moda ainda hoje. Os cravos, as túlipas, as rosas e os jacintos são uma constante nos têxteis turcos, principalmente na segunda metade do século XVI.
Este gosto pela botânica estendeu-se também à cerâmica turca, cujo desenvolvimento foi encorajado pela corte otomana, patrocinando as olarias de Iznik. Embora se inspirasse na cerâmica azul e branca Ming, a produção turca rapidamente expandiu a paleta cromática além do azul-cobalto, para pintar jardins: o verde-sálvia, o roxo-de-manganês, o vermelho-tomate, o azul-turquesa e o verde-esmeralda.
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China
A escolha dos ceramistas chineses de combinarem a porcelana branca com o azul brilhante sob um vidrado transparente, revelou-se um triunfo à escala mundial no século XIV. A produção concentrou-se em Jingdezhen, no sudeste da China, o mais importante local de fabrico de porcelana durante séculos. Seguiram-se experiências com esmaltes importados, conhecidos como «cores estrangeiras», que permitiram aos artesãos desenvolver diversas tonalidades.
No século XVII, o gosto por porcelana azul e branca disseminou-se até ao Japão, Sudeste Asiático, Europa, México e Brasil, atraindo consumidores em todo o mundo e inspirando artistas de diversas áreas até hoje. Este é o caso da designer Guo Pei, cujos motivos decorativos das suas criações, evocam a tradição de cerâmica chinesa, através da paleta cromática e de motivos como as flores-de-lótus.
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Japão
A moda na arte japonesa é um espelho da cultura local e um meio de expressão estética e identitária. No período Edo (1603-1868) a moda urbana difundiu-se no quotidiano e ganhou expressão com a representação feminina de gueixas e cortesãs. Este imaginário foi profusamente retratado pelo teatro kabuki e pelo ukiyo-e, exemplificado nas estampas presentes na exposição.
Alguns dos mestres da gravura, como Kitagawa Utamaro e Utagawa Kunisada, focaram-se nas roupas femininas, nos penteados e em acessórios, como as agulhas kanzashi. Os elaborados quimonos, com padrões vegetalistas sazonais, em tecidos luxuosos, eram retratados com minúcia, usando uma obi (faixa do quimono) indicadora de status. Os objetos em laca deste período, como os inrō (usados na faixa), são também exemplos da sofisticação artística e técnica do Japão feudal.
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Renascimento
A Coleção de Calouste Gulbenkian reúne um importante conjunto de obras dos séculos XV e XVI. A temática religiosa é particularmente significativa neste setor, através de pinturas de origem flamenga e italiana em que a cor surge como um elemento capaz de reforçar o conteúdo simbólico da composição. Esta característica é particularmente evidente nas cores usadas na indumentária das figuras representadas.
Por sua vez, a tradição florentina e veneziana anuncia igualmente a introdução de valores humanistas na pintura, com figuras humanas agora a assumir particular relevo. Assim, também a armadura surge como um elemento identitário das personagens e como forma de afirmação do seu estatuto e poder temporal.
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Século XVII
A representação da figura humana assume uma importância significativa na pintura do século XVII, em particular no retrato do Norte da Europa. Na tradição dos Países Baixos, influenciada pelo Protestantismo e pela mentalidade burguesa, destaca-se uma tipologia de figuração sóbria, associada a uma paleta cromática muito particular, que se estende à indumentária. A austeridade do vestuário é uma característica dominante em algumas pinturas.
Em contraste, na pintura flamenga, assiste-se à afirmação da opulência barroca e da representação da figura a três quartos com elementos decorativos associados ao poder do retratado.
A natureza-morta foi também um motivo recorrente nas pinturas deste período, com destaque para o naturalismo das composições, elevando a sua importância na hierarquia dos géneros pictóricos.
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Século XVIII
O ouro, ou melhor, o dourado, foi uma das características mais emblemáticas das artes decorativas francesas do século XVIII. Utilizado em relógios, candelabros, castiçais, porcelana, mobiliário ou têxteis foi crucial na decoração dos palácios e símbolo da cultura de luxo e de poder do Antigo Regime. Enquanto bem precioso, o ouro era apenas acessível à elite, e por isso tornou-se um sinal exterior de riqueza e de poder, que se refletia na moda da época.
A riqueza dos materiais para fazer os trajes demonstrava a elevada classe social daqueles que os vestiam. A moda não tinha apenas uma vertente estética, obedecia a um código de representação que determinava o que cada um deveria usar de acordo com o seu estatuto.
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Século XIX
Durante este século, no ocidente, o quotidiano afirmou-se como um motivo recorrente na pintura, e os artistas espelharam nas suas representações o comportamento de uma sociedade em transformação. Epicentro da modernidade, Paris foi o local por excelência desse momento de viragem na história cultural e estética.
Simultaneamente, a cidade francesa assume também o papel de capital da moda, com artistas como Manet, Renoir ou Sargent a expressar no retrato, e na indumentária dos seus personagens, a crescente atração pela modernidade. Entre espaços intimistas ou em locais frequentados pela boémia cultural e artística, os maiores pintores da segunda metade do século XIX encontram um espaço de liberdade de representação que contém, conjuntamente, registos de um novo real de uma expressão artística imparável.
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René Lalique e Burne-Jones
René Lalique foi um artista incontornável do período Arte Nova e, mais tarde, um impulsionador decisivo da estética Art Déco. O seu sucesso na Exposição Universal de 1900, em Paris, consagrou-o como o joalheiro favorito da elite, atraindo clientela ilustre e boémia, como a atriz Sarah Bernhardt, a condessa de Béarn, a dançarina Liane de Pougy, o poeta Robert de Montesquiou e, bem entendido, o colecionador Calouste Gulbenkian, seu amigo pessoal e cliente privilegiado.
Entre muitas influências, a natureza afirmou-se como a mais relevante de todas, muitas vezes orientada por uma visão voltada para o espírito naturalista da arte japonesa, que se disseminara nos meios artísticos através do sucesso das exposições universais de 1889 e de 1900 na capital francesa.
Por outro lado, Sir Edward Burne-Jones evoca uma relação com a natureza e com a beleza idealizada, profundamente inspirada no mundo helénico.
Burne-Jones tornou-se um dos grandes nomes do movimento pré-rafaelita. Na pintura O Espelho de Vénus, o artista representa figuras com trajes alusivos ao classicismo, distribuídas de forma linear, à maneira de um friso grego.