Reabilitação dos Jardins Suspensos | Plano Geral – Piso 0
Projeto de Renovação do Jardim Gulbenkian 2000-2014
Em junho de 2004 são entregues os projetos de reabilitação dos jardins das Coberturas da Galeria de Exposições Temporárias (Piso 1 ) do Pátio dos Congressos (Piso 0) da autoria do arquiteto paisagista João Mateus.
Estas intervenções pautaram-se por um reforço da ideia fundacional de continuidade, entre o interior e exterior, defendida por arquitetos paisagistas e arquitetos em 1961.
Para a concretização dessa ideia, em muito contribuíram os jardins das coberturas [i].
A análise das propostas apresentadas revela uma metodologia de abordagem em tudo semelhante à utilizada do processo de Reabilitação dos Pátios C e D tanto ao nível dos trabalhos preliminares, como do conceito a desenvolver no que diz respeito ao papel da vegetação enquanto principal elemento construtor do espaço e de espacialidades pretendidas.
Em ambas intervenções é a vegetação que desenha o espaço a partir da sua:
– Morfologia;
-Estrutura;
-Textura;
-Cor.
São estas as variáveis que definem a ambiência, que garantem os vários ângulos de visão, (que se definem a partir do interior do edifício) e que dão uma expressão plástica ao jardins da coberturas quando olhados dos pisos superiores.
No jardim da cobertura da Galeria das Exposições Temporárias estas qualidades são conseguidas através da utilização de vegetação com carácter [ii]:
– Arbustivo;
– Herbáceo.
Com os quais se define um desenho de linguagem fluida que define os limites do jardim. Este limite é reforçado, na parte interna desta orla, por um percurso retilíneo que percorre todo o perímetro e que integra a retícula do sistema de percursos. A qual ganha expressão na composição não só pela geometria quase cartesiana, pela cor e matéria mas também pelo jogo que vai tecendo com canteiros de forma regular, mas com distintas dimensões , de Stipa Tenuissima associada a Acaena causiiglauca, de Thymus serpyllum e de Linum perene com Acaena causiiglauca que garantem variações cromáticas e revelam a sazonalidade. O interior da retícula é ocupado por uma mancha de Dichondra repens e Anthemis nobilis.
Ao compararmos a situação existente e a proposta apresentada percebesse que as grandes alterações introduzidas foram ao nível do elenco vegetal e do desenho, que com ele, se configura o espaço . O sistema de percursos pré-existente é praticamente respeitado na íntegra apenas são removidas algumas lajetas e lajes.
[i] Jardim da Cobertura dos Congressos
Jardim da Cobertura da Exposições Temporárias – Plano de Plantação
[ii] Reabilitação dos Jardins Suspensos | Plano Geral – Piso 1