Manuel Botelho. Pintura, 1990 – 1994

Exposição individual de Manuel Botelho (1950), comissariada por José Sommer Ribeiro e Maria Helena de Freitas, que apresentou um conjunto de 54 pinturas, realizadas entre 1990 e 1994. Esta foi a segunda vez que a Fundação Calouste Gulbenkian dedicou uma exposição a Manuel Botelho, depois da retrospetiva que teve lugar em 1986.
Solo exhibition on Manuel Botelho (1950), curated by José Sommer Ribeiro and Maria Helena de Freitas. The show presented a selection of 54 paintings, dating from between 1990 and 1994. This was the Calouste Gulbenkian Foundation’s second exhibition dedicated to Manuel Botelho, following a retrospective held in 1986.

A exposição «Manuel Botelho. Pintura, 1990-1994» foi inaugurada a 14 de junho de 1994, no piso 01 da Galeria de Exposições Temporárias da Sede da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG). Foi produzida pelo Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão e comissariada por José Sommer Ribeiro e Maria Helena de Freitas, reunindo 54 trabalhos de pintura, realizados entre 1990 e 1994.

Esta foi a segunda vez que a FCG dedicou uma exposição individual ao trabalho de Botelho. Em 1986, apresentara no mesmo espaço uma mostra retrospetiva comissariada por José Sommer Ribeiro, diretor do Serviço de Exposições e Museografia.

A exposição de 1986, simplesmente intitulada «Manuel Botelho», reunira os trabalhos do artista realizados durante os seus anos de formação na Byam Shaw School of Art e na Slade School of Fine Art, ambas em Londres, entre 1984 e 1986. A exposição foi bem recebida pela crítica portuguesa e teve um papel fulcral na consolidação da carreira de Botelho enquanto artista plástico.

Apesar de os trabalhos apresentados continuarem a refletir as influências formais e temáticas desses anos, adquiridas dentro do contexto artístico em que Botelho se movia, e no qual Paula Rego e Ken Kiff assumiram um lugar de destaque – a chamada «Escola de Londres» –, constituem agora, nas palavras de José Sommer Ribeiro, uma pintura «muito mais sóbria e estruturada» (Manuel Botelho. Pintura, 1990-1994, 1994).

O conjunto selecionado evidenciou igualmente a importância que o estudo das obras de pintores cubistas, como Picasso, Braque ou Léger, teve no percurso de Botelho, sendo disso testemunho as composições com recurso à colagem de tecidos e papéis e a subversão da figuração.

A obra de Francisco Goya é também um lugar de influência para Botelho, sendo uma referência no tratamento dramático e expressivo de figuras e cenas. Os temas que Botelho explora, como a complexidade das relações familiares, sociais e amorosas, têm sempre um caráter interventivo, nomeadamente nos retratos da sociedade, em que o artista usa personagens-tipo e se posiciona como narrador participante perante a realidade pintada e ironicamente criticada.

Nas palavras de Maria Helena de Freitas, a pintura de Manuel Botelho é muitas vezes uma autobiografia de cataclismo emocional e inquietação psicológica, manifestando-se através do tratamento de temas como a música e a morte, que em algumas composições surgem em simultâneo. A desordem interior é revelada no «uso sistemático de contrastes de escala, desproporções, desdobramentos de planos, avanços e recuos das formas», o que cria «um clima de tensão espacial, intensificado ainda por uma paleta de tons surdos a sugerir efeitos ambíguos de profundidade» (Ibid.).

Carolina Gouveia Matias, 2018


Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Publicações


Material Gráfico


Fotografias

Manuel Botelho

Documentação


Imprensa


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Centro de Arte Moderna), Lisboa / CAM 00307

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém convite, correspondência interna e externa, cédulas de empréstimo de obras e material para o catálogo. 1994 – 1994

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Comunicação), Lisboa / COM-S001/044-D02927

Coleção fotográfica, cor: inauguração (FCG, Lisboa) 1994

Arquivo Digital Gulbenkian, Lisboa / ID: 116046; ID: 116047

Coleção fotográfica, cor: aspetos (FCG, Lisboa) 1994


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