Exposição dos trabalhos mais recentes da artista portuguesa conhecida como Maluda (1934-1999), organizada no âmbito do lançamento do livro sobre a obra da artista também no espaço da Fundação Calouste Gulbenkian. Foram apresentadas 18 pinturas com tema nas janelas de Lisboa, Ribatejo, Alentejo e Algarve.
Exhibition of the most recent works by Portuguese artist Maluda (1934-1999) organised for the launch of a book on the artist’s work held at the Calouste Gulbenkian Foundation. The show featured 18 paintings of Maluda’s famous “windows” of Lisbon, the Ribatejo, the Alentejo and the Algarve.
Em carta ao presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, com data de dezembro de 1980, a pintora Maluda (1934-1999) manifestava o seu interesse em realizar no espaço da Fundação o lançamento de um livro dedicado à sua obra, o qual ela propunha que coincidisse com a exposição de 16 (acabariam por ser 18) das suas últimas pinturas, representativas das janelas de Lisboa, Ribatejo, Alentejo e Algarve. Maluda sondava assim a viabilidade do lançamento e, simultaneamente, da mostra (Carta de Maluda para José de Azeredo Perdigão, 4 dez. 1980, Arquivos Gulbenkian, SEM 00217).
Intitulado Maluda, o livro, publicado pelas Éditions du Manoir (Lausanne), compreendia 60 reproduções em quadricromia, 30 reproduções a preto-e-branco, reportagem ilustrada e textos. O volume continha igualmente um prefácio de Vieira da Silva, um ensaio de Simone Frigerio, uma biografia por Sigrid Jahns e poesia de Alexandre O’Neill.
Em documento interno dirigido à Presidência da Fundação, José Sommer Ribeiro reconhece que «habitualmente não se fazem duas exposições do mesmo artista» no espaço da Fundação (Apontamento do Serviço de Exposições e Museografia, 28 abr. 1981, Arquivos Gulbenkian, SEM 00217) e recorda que a primeira ocorrera em 1973. Terá sido esta a razão que, associada ao facto de se tratar do lançamento de um livro da artista, levou a que não se produzisse um catálogo mas apenas um folheto, com texto de apresentação da autoria de José-Augusto França.
Sabemos ainda pela documentação interna que Sommer Ribeiro tinha intenção de adquirir 100 a 300 exemplares (de uma tiragem de 2000), que se destinariam ao futuro Centro de Arte Moderna, e que o Serviço Internacional adquiriu 80 exemplares (Ibid.).
Nas palavras de Manuela de Azevedo: «Esta exposição aliciante, cheia de poesia, mistério e sonho, evocação e saudade da cidade, que vamos perdendo sob a onda do cimento, completou-se com o lançamento de um álbum precioso que já vai com a edição esgotada e dizem as boas más-línguas ter subido, em rendimento, aos 400 contos, no dia em que foi apresentada essa forma bonita e delicada de dizer "Portugal".» (Azevedo, Diário de Notícias, 20 mai. 1981)
Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM 00217
Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém convite para a exposição, correspondência interna e externa, documentação sobre a tiragem do livro e recortes de imprensa.1980 1981
Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM-S007-P0471-D01343
Coleção fotográfica, p.b.: inauguração e aspetos (FCG, Lisboa)1981
Arquivos Gulbenkian (Serviço de Comunicação), Lisboa / COM-S001/019-D02136