Emília Nadal (1938-)
Le Paysage Survolé, 1982 / Inv. 83P538
Exposição patente no Centre Culturel Portugais, em Paris, de 2 de dezembro de 1982 a 20 de janeiro de 1983, com pintura e desenho de Emília Nadal (1938).
As obras expostas representavam paisagens abstratas, numa pintura contínua e obsessiva de horizontes, paisagens oníricas, água e desertos, como visões de uma geografia imaginária. No texto de introdução ao catálogo da exposição, Fernando Pernes, presidente da secção portuguesa da AICA, explicita a ligação que existe entre a pintura onírica de Emília Nadal e o poema «Chuva Oblíqua», de Fernando Pessoa. Esta fase pictórica do trabalho de Nadal é caracterizada pela contemplação e por sentimentos de vertigem, loucura efémera e ilusão.
A obra exposta resultou de um processo de trabalho isolado em ateliê e de meditação sobre os processos da pintura e da linguagem estritamente pictórica, focando-se no trabalho da cor e da luz. Os feixes cromáticos presentes no trabalho exposto estruturam o espaço da tela, dinamizado pelo ritmo de cadências oblíquas, espelhando o recolher intimista da artista e a sua libertação de formas e palavras.
O catálogo, além de incluir o já referido texto introdutório de Fernando Pernes, uma cronologia biográfica de Emília Nadal e algumas reproduções a preto-e-branco e a cores das obras expostas, contém apreciações críticas organizadas em dois períodos: de 1973 a 1976, com textos de Fernando de Azevedo, José Luís Porfírio, Manuela de Azevedo, Urbano Tavares Rodrigues, José-Augusto França, Julian Gallego, Raúl Chávarri, Rafael Benedito e Eurico Gonçalves; e de 1977 a 1980, de José-Augusto França, Rocha de Sousa, José de Castro Arines e José María Moreno Galván.
O catálogo da exposição «Paisagens Oblíquas», de Emília Nadal na Galeria Zen (Porto), em junho de 1983, é em tudo semelhante, embora com o texto em português.
A exposição foi noticiada em Paris, nos meses de dezembro de 1982 e janeiro de 1983, nos jornais Le Monde, Le Figaro, Pariscope e New York Herald Tribune. O único texto de imprensa encontrado na documentação consultada descreve-a do seguinte modo: «Uma nova fase estética. Arte atravessada por convulsões de nebulosa onírica, nela se espraia um delicado sentimento de poesia contemplante, num cromatismo harmonioso. Persiste, da antiga maneira de Emília Nadal, um aceno plástico de genética sugestão. O simbolismo da espiritualidade hermética não é atenuado pela doçura dos jogos de cor, com estratos que gradualmente se definem, sem se separarem. A exposição alcançou grande êxito, tendo sido admirada por centenas de parisienses, professores e estudantes universitários e artistas. Um belo catálogo, prefaciado por Fernando Pernes, guiou os presentes, que muito o apreciaram também.» (Telex de José Pina Martins a Manuel Marques Gastão, 3 dez. 1982, Arquivos Gulbenkian, PRS 05198)
Carolina Matias, 2017
Le Paysage Survolé, 1982 / Inv. 83P538
Le Paysage Survolé, 1982 / Inv. 83P538