Geografia da Cor
1978
Comemorações para a inauguração do Centre Georges Pompidou
Na Galeria de Exposições Temporárias do Museu Calouste Gulbenkian esteve patente a exposição organizada pelo Centre Georges Pompidou intitulada «Geografia da Cor», a que o arquiteto de interiores e designer Ubald Klug (1931) conferiu uma conceção modular favorável à apresentação das pesquisas do colorista Jean-Philippe de Lenclos (1938) sobre os problemas da cor na arquitetura.
A exposição, que contou com o patrocínio da Embaixada de França, da Comissão Nacional do Conselho Internacional dos Museus (ICOM) e da Fundação Calouste Gulbenkian, ao abrigo do Acordo de Cooperação Cultural e com a colaboração da Secretaria de Estado da Cultura, foi concebida no âmbito das comemorações da criação do Centre Georges Pompidou (Paris), inaugurado em 31 de janeiro de 1977.
Neste sentido, a Fundação Calouste Gulbenkian (FGC) acolheu em Lisboa e no Porto uma representação de individualidades e colaboradores do Centre National d’Art et de Culture Georges Pompidou, assim como duas exposições realizadas em simultâneo, «Geografia da Cor» e «Six Regards. O Centro Georges Pompidou visto por seis fotógrafos», que obtiveram grande aceitação junto do público e da crítica. Tais iniciativas contaram com a presença da viúva de Georges Pompidou, Claude Jacqueline Pompidou, que se deslocou a Lisboa com o intuito de participar nas inaugurações, a 11 de janeiro de 1978.
«Geografia da Cor» mostrou o estudo sobre a cor desenvolvido pelo colorista francês Jean-Philippe de Lenclos, através de exemplos concretos. Investigador e teorizador com vasta bibliografia sobre a problemática do colorismo na arquitetura, publicada em revistas da especialidade, Lenclos define assim os princípios que orientam a sua investigação: «Tudo quanto nos rodeia é cor. Nós próprios somos cor. Quando o homem cria o seu quadro de vida confronta-se sempre, a um dado momento, com a escolha das cores: sem método, sem conhecimento preciso, os resultados não podem deixar de ser aleatórios. A dificuldade dos problemas está em relação com a complexidade e a amplitude dos programas que se nos apresentam hoje: elaborar a “paleta” de uma nova cidade, conceber ambiente cromático de equipamentos monumentais, decidir sobre cambiantes e gamas coloridas de produtos distribuídos pelo mundo inteiro. São estes os problemas que se põem ao universo da produção arquitectónica e industrial. Responder a estes problemas, definir estas escolhas, constitui o motivo exacto da minha pesquisa e o papel do mister de colorista.» (Colóquio/Artes, n.º 36, mar. 1978, p. 74)
O caminho percorrido por Jean-Philippe de Lenclos estabelece as bases de uma conceção planificada, de uma utilização racional das cores no meio ambiente (meio ambiente arquitetural e meio ambiente criado pelos produtos industriais), e resulta numa análise sistemática e objetiva dos sítios e das cores na arquitetura regional, particularmente em França.
Para a exposição em Lisboa, Lenclos apresentou um estudo comparado das cores dominantes utilizadas na arquitetura de quatro regiões francesas (a Provença e a Bretanha, o Norte e as províncias do Loire), completado pelo estudo cromático de duas cidades no estrangeiro (Tóquio e Yazd, respetivamente no Japão e no Irão).
Depois da sua apresentação no Museu Calouste Gulbenkian, a exposição esteve patente na Casa do Infante, no Porto, onde alcançou igualmente uma grande adesão do público.
Joana Brito, 2016