Galáxia Tabucchi / Galassia Tabucchi
2018
Colóquio «Galáxia Tabucchi»
Em 2018, a Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) organizou a «Galáxia Tabucchi», um programa cultural promovido pelo Programa Gulbenkian de Língua e Cultura Portuguesas, sob a direção de Rui Vieira Nery, para revisitar a vida e obra do escritor Antonio Tabucchi (1943-2012), decorridos seis anos sobre a sua morte. O projeto foi coordenado por Maria José de Lancastre, mulher de Antonio Tabucchi, que explicou numa entrevista que o título escolhido para o evento tinha a ver com o «facto de aparecer repetidamente na obra a referência a muitas estrelas, astros e constelações. Antonio foi sempre uma pessoa que olhou muito para o céu em sentido real porque tinha muito que ver com ele e como precisávamos de uma metáfora abrangente de todos os seus interesses era impossível evitar» (Silva, Diário de Notícias, 7 abr. 2018, pp. 24-25).
O programa de quatro dias (7 a 10 de abril) incluiu um colóquio internacional com o mesmo título (9 e 10 de abril), a exibição de um documentário (8 de abril) e de um filme (9 de abril), uma performance de leituras encenadas (10 de abril) e uma exposição documental, patente ao público durante um mês, entre 8 de abril e 7 de maio de 2018.
A exposição, intitulada «Tabucchi e Portugal», foi inaugurada no dia 7 de abril e ocupou a Galeria do Piso inferior do Edifício Sede da Fundação Calouste Gulbenkian, anteriormente denominada Galeria de Exposições Temporárias (piso 01). Com curadoria de Maria José de Lancastre, projeto museográfico de Jorge Martins Lopes, arquiteto da FCG, e design gráfico da Silvadesigners, a mostra pretendeu apresentar um lado mais pessoal de Antonio Tabucchi (necessariamente pontuado pela sua obra literária), reunindo manuscritos, documentos, fotografias, registos multimédia (de entrevistas conduzidas por Maria João Seixas ou António Mega Ferreira, por exemplo) e outros objetos do seu acervo particular. Através de muita da documentação selecionada, eram evidenciadas particularidades da sua personalidade, do seu percurso de vida – desde a sua Toscana natal a diversas outras regiões de Itália e Portugal – e testemunhos da sua convivência familiar com artistas e escritores portugueses.
Nas salas da exposição, era dado acesso ao seu olhar individual sobre «um Portugal de que fez a sua segunda pátria, primeiro pela descoberta apaixonada, ainda à distância, de Fernando Pessoa, depois por uma imersão direta e fraternal de mais de quatro décadas na terra, na gente, na cultura e na língua, que soube viver por dentro e retratar como poucos, com a empatia magoada de um português autêntico sem contudo abdicar da distanciação analítica de um olhar exterior» («Galáxia Tabucchi» [programa], 2018, p. 2, Arquivos Gulbenkian, ID: 206520).
No dia seguinte à inauguração da exposição, foi exibido no cinema São Jorge (no âmbito da Festa do Cinema Italiano) o documentário Se de tudo fica um pouco. No rasto de Antonio Tabucchi (2018), de Diego Peruci, em que o realizador recria uma viagem por pensamentos e locais de eleição do escritor italiano. Nos dias 9 e 10 de abril, as iniciativas intensificam-se com o ambicioso colóquio internacional – evento muito divulgado na imprensa escrita e nos meios audiovisuais – organizado no Auditório 3 do Edifício Sede da FCG, sala próxima da galeria que albergava a mostra documental. O colóquio contou com a participação de duas dezenas de estudiosos, escritores, tradutores e amigos do autor que se reuniam em Lisboa para refletir em torno dessa «Galáxia Tabucchi», «expressão tão feliz que Maria José de Lancastre encontrou para designar o presente colóquio sobre a vida e obra de seu marido, Antonio Tabucchi – [que] é feita, como se sabe, de muitos mundos simultâneos que nele coexistiram de forma harmoniosa» (Ibid.).
Este primeiro dia de colóquio terminou com a apresentação, na Sala Polivalente do Museu Calouste Gulbenkian – Coleção Moderna (Centro de Arte Moderna da FCG), do filme Requiem (1998), de Alain Tanner, baseado na obra homónima de Tabucchi. A programação terminaria no dia 10 de abril, após o encerramento do colóquio, com uma performance de leituras de textos de Tabucchi, postas em cena por Jorge Silva Melo e Fabrizio Gifuni, ao som da música de Carlos Martins e de Carlos Barretto, na escadaria da Zona de Congressos do Edifício Sede da FCG.
A exposição e o colóquio «Galáxia Tabucchi» tiveram repercussão noticiosa na comunicação social, tanto na imprensa escrita como nos canais digitais e nos meios audiovisuais. Destaque para o artigo de Rita Cipriano no Observador, sobre o projeto curatorial (28 mar. 2018), para a notícia no JL. Jornal de Letras, Artes Ideias (28 mar. 2018) e, no mesmo jornal, para o dossiê temático sobre o escritor, publicado a 11 de abril de 2018. São de salientar igualmente os artigos «A galáxia portuguesa de Antonio Tabucchi na Gulbenkian», de Isabel Lucas (Público, 9 abr. 2018), e «Peritos em Lisboa para observar a Galáxia Tabucchi», de João Céu e Silva (Diário de Notícias, 7 abr. 2018). Nos canais audiovisuais, são de referir as reportagens na RTP, no Jornal da Tarde (RTP1, 11 abr. 2018) e no magazine As Horas Extraordinárias (RTP3, 10 abr. 2018).
Isabel Falcão, 2022