Bruno Réquillart. Pavia-Paris
2004
Em outubro de 2004, por iniciativa do Centre Culturel Calouste Gulbenkian (CCCG), delegação em Paris da Fundação Calouste Gulbenkian, foi realizada a exposição dedicada ao fotógrafo francês Bruno Réquillart (1947).
Bruno Réquillart vive e trabalha em Paris e em Pavia (concelho de Mora, Portugal). Estudou artes gráficas e comunicação, porém foi na fotografia que se destacou, a partir de 1967. Reconhecido como uma figura central na história da fotografia francesa da década de 1970, Réquillart regista a intimidade e o quotidiano dos locais que lhe são mais familiares: Paris, Carency e Pavia. Em 1981, o artista decide interromper a prática fotográfica para se dedicar exclusivamente à pintura. No ano de 1992, Réquillart doa os seus negativos, fotografias, slides e gravuras ao Estado Francês. Após um intervalo de quase vinte anos, Bruno Réquillart retoma o trabalho em fotografia, centrando a sua atividade em formatos panorâmicos de paisagens urbanas.
Nas palavras da crítica e curadora de arte Marta Gili, «Bruno Réquillart is an observer of shapes and their conspiracies. Appearances – whether of densely interwoven cities, natural spaces or landscapes tamed by man – provide the raw material for his research, a place where the surface and geometry of the world join forces with a “being” in a state of alertness. In his photographic ramblings, the artist's gaze falls on the similarities, contingencies and genealogies of what he perceives: he scrutinizes and selects, frames and composes…» (Gili, «Bruno Réquillart. Presentation»).
Considera, ainda, as fotografias de Bruno Réquillart reflexos poéticos e topográficos de lugares-comuns, em nada monumentais ou pitorescos, destacando o papel da linha, da geometria e da silhueta das estruturas que compõe e ativam o retratado nas fotografias: «[…] numerous echoes, both conceptual and poetic, are set off by the dialogue between the different structures and geometrical forms that Réquillart highlights. The role of the line in activating an anonymous but living space, the survival of an insignificant place and, ultimately, the exploration of the space of our own private subjectivity, reveal many coincidences with conceptual art and its exploration of a territory that is both physical and mental.» (Ibid.)
A presente exposição no Centre Culturel Calouste Gulbenkian foi programada por Francisco Bethencourt (à data diretor do CCCG), e nela foram reunidas cerca de 20 fotografias panorâmicas, a preto-e-branco e a cores, que retratam Paris e Pavia, os dois locais de residência do artista. As fotografias registam esses locais articulando elementos urbanos e rurais, tais como casas, cruzamentos de ruas, quiosques, bancas de jornais, paisagens, gentes da terra, estendais de roupa, troncos de árvores, entre outros.
Durante o período em que esteve patente, a mostra contou com várias visitas guiadas organizadas pelo Centre Culturel Calouste Gulbenkian.
À semelhança do que sucedeu com outras iniciativas, não foi editado catálogo mas um desdobrável de apresentação e divulgação da exposição. O desdobrável contém reprodução de algumas das fotografias que integraram a mostra.
Joana Brito, 2019