Robert e Sonia Delaunay (1885 – 1941, 1885 – 1979)
1982 / Itinerância [organização externa]
Coleções a que pertencem as obras apresentadas: Madame Sonia Delaunay, Monsieur Jacques Damase e Musée National d'Art Moderne.
Entrevista feita por Jacques Damase a Sonia Delaunay, acerca da sua vida pessoal e profissional. A artista aparece no início e no final do filme; ouvimo-la quase sempre em voz-off, sobreposta a filmagens de pinturas, obras, fotografias antigas e imagens ilustrativas do seu discurso. O filme inclui aproximações a pormenores de pinturas, ritmadas com música de Schoenberg, Ravel, Varèse, Chávez e Gade.
Sonia Delaunay começa com uma nota acerca da sua infância em São Petersburgo, referindo-se à sua ida para Paris e ao primeiro contacto com os expressionistas, em particular Gaugin e Van Gogh. A propósito destes tempos, Sonia afirma: «Eu exprimia-me como podia.» Refere o seu primeiro encontro em 1910 com Robert Delaunay, o seu casamento e primeiro filho, que aconteceram num curto espaço de tempo. Nesta época Sonia começa a fazer mantas de patchwork para se divertir, as quais posteriormente evoluíram para colagens de papel em livros e sobre texto, e depois para pinturas. Fala também de como ficou impressionada com as mesas, a luz, os mercados e a riqueza das cores que absorveu na sua viagem a Portugal, e de como estes estímulos a forçaram a exprimir-se plasticamente. Destaca o seu contacto com os Ballets Russes, já em Paris, e a influência que estes tiveram nos seus desenhos de figurinos de alta-costura e de espetáculo, aquilo a que chama fantasias para o seu museu.
No final do filme, há uma aproximação ao universo mais pessoal do dia-a-dia de Sonia. Sublinha a sua relação com a cor, preferindo os azuis e vermelhos, contrários aos amarelos e laranjas do marido. «Je vis la couleur, je l'aime, je la connais, je sais que chaque couleur a sa vie propre. […] Tout est sentiment, tout est vrai, la couleur nous donne le jour», diz a artista.