Salette Tavares

1922 – 1994

Artista plástica, Crítica de arte, Escritora, Professora
Poeta, educadora e artista plástica, Salette Tavares teve um papel de relevo no movimento da Poesia Experimental em Portugal, nas décadas de 1960 e 1970.

Salette Tavares (1922-1994), poeta, crítica de arte, performer e professora, nasceu na cidade de Lourenço Marques, atual Maputo (Moçambique), em 31 de março, passando a viver em Lisboa a partir de 1933.

Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Universidade de Lisboa (1948) e prosseguiu estudos nas áreas da estética, linguagem e teoria da arte em França e Itália, graças a uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian (1959-1961), tendo trabalhado com Mikel Dufrenne, Étienne Souriau e Gillo Dorfles. Paralelamente, dedicou-se à poesia, publicando o seu primeiro livro, Espelho cego, em 1957. Ao longo da sua atividade, a formação académica e a prática poética interligaram-se na pesquisa e teorização sobre a poesia visual, prática no campo do texto e no da forma.

A década de 1960 foi para Salette Tavares muito relevante para a sua obra: em 1964 viajou por várias cidade dos Estados Unidos, publicou o livro Concerto em Mi Maior e para clarinete e bateria, colaborou no primeiro Caderno de poesia experimental e lecionou Estética na Sociedade Nacional de Belas Artes, cujas lições – sem as ilustrações – foram publicadas na revista Brotéria (1965-1969); em 1965 participou na exposição Visopoemas, na Galeria Divulgação, com António Aragão, E. M. de Melo e Castro e António Barahona da Fonseca, e no primeiro happening em Portugal, recitando Ode à crítica, publicou o livro 14563 letras de Pedro Sete; em 1966 os segundos Cadernos de poesia experimental publicaram o seu poema Brinca deiras, e em 1967 foi publicado o livro Quadrada.

Na década seguinte, publicou mais um livro de poemas Lex icon (1971), em 1974 apresentou no Ar.Co o happening Sou Toura Petra, e  tornou-se presidente da Secção Portuguesa da AICA, cargo que ocupou até 1977. Em 1979, a Galeria Quadrum organizou uma retrospetiva da sua poesia visual.

Em 1992, foi editada a sua produção poética com a obra Poesia 1957-1971 pela Imprensa Nacional que, dez anos mais tarde, publicou a Obra poética 1957/1994 (2002) com toda a poesia incluindo a inédita encontrada no espólio por Catherine Dumas. Entretanto os herdeiros de Salette Tavares decidiram editar livros esgotados e inéditos na Tigre de Papel: Lex icon fac-simile (2017), Irrar (2019), Outro Outro (2019), O Kágado – Baile Mecânico – Anonimatógrafo (2019), Lex icon (2020), Sintra no Jardim da Esmeralda (2022), Cartas e letras de Pedro Sete (2024), Antologia/Poesia (2024), encontrando-se ainda em produção A dialética das formas.

Em 2014, o Centro de Arte Moderna dedicou-lhe a exposição Poesia espacial = Spatial poetry, e em 2022, ano do centenário do seu nascimento, a Universidade Fernando Pessoa organizou um colóquio sobre a sua obra poética, pedagógica e artística.

Salette Tavares morreu em Lisboa, em 1994.

A sua obra plástica encontra-se representada na coleção do Centro de Arte Moderna.


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22 jun 2023

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