Maria Lamas
1893 – 1983
Maria Lamas nasceu em 6 de outubro de 1893, em Torres Novas.
Casou, em 1910, com Teófilo José Pignolet Ribeiro da Fonseca, com quem teve duas filhas (Maria Emília e Maria Manuela). No ano seguinte partiu para Angola, onde viveu com o marido até 1913.
De volta a Lisboa, divorciou-se e contraiu o segundo matrimónio, em 1921, com o jornalista Alfredo da Cunha Lamas, de quem teve a terceira filha (Maria Cândida).
O seu percurso profissional e de vida ficou fortemente marcado pela sua ação em prol dos direitos humanos e pela igualdade e emancipação da mulher. Entre a década de 1940 e o fim do Estado Novo, participou ativamente em organizações democráticas e teve intervenções políticas de oposição ao regime que a levaram várias vezes à prisão (1949, 1950-1951 e 1953), e ao exílio em Paris (1962-1969).
Reconhecida como uma das primeiras mulheres jornalistas profissionais em Portugal, Maria Lamas, iniciou a sua atividade na Agência Americana de Notícias (1920), pela mão da jornalista Virgínia Quaresma, tendo colaborado posteriormente com vários jornais e revistas tais como O século, O Almonda, A Joaninha, A voz, A capital, o Diário de Lisboa e a revista Civilização.
Evidenciou-se enquanto redatora e diretora da revista feminina Modas & Bordados (1928-1947), um suplemento do jornal O século.
Recorrendo a vários pseudónimos, publicou poemas, crónicas, novelas, folhetins e textos dirigidos a diferentes públicos, tendo publicado cerca de 20 livros. Foi também tradutora.
Foi membro de organizações, nacionais e internacionais, em prol da paz, da igualdade de direitos das mulheres e dos direitos humanos, tais como o Concelho Nacional das Mulheres Portuguesas (CNMP) e o Conselho Mundial da Paz. Participou também na III Conferência Mundial contra as Bombas Atómicas e de Hidrogénio (1957).
Algumas das imagens fotográficas que Maria Lamas realizou para o livro As mulheres do meu país foram mostradas pela primeira vez na exposição Au féminin – Women Photographing Women 1849–2009 (Centre Culturel Calouste Gulbenkian, Paris, 2009), comissariada por Jorge Calado; em 2024, a Fundação Calouste Gulbenkian dedicou-lhe a exposição As mulheres de Maria Lamas, que mostrou uma grande parte desse trabalho fotográfico.
Maria Lamas foi agraciada com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade (1980). O seu espólio documental encontra-se na Biblioteca Nacional de Portugal, desde 1993, dez anos após a sua morte na cidade de Lisboa.