David de Almeida

1945 – 2014

Artista visual
David de Almeida desenvolveu a sua atividade artística entre a pintura e a gravura, com incursões na escultura. Criou o seu próprio método de gravar, utilizando a pasta de pedra e a argila expandida, aproveitando as características plásticas dos materiais e explorando as suas capacidades tácteis e sensoriais.

Natural de São Pedro do Sul, David de Almeida frequentou o Curso de Gravador Litógrafo na Escola Artística António Arroio (1964-1965), cursou Gravura em metal na Gravura — Cooperativa de Gravadores Portugueses (1970-1971), sob a orientação de Maria Gabriel, e Holografia no Goldsmith College, da Universidade de Londres.

Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian (1978-1980, 1982 e 1984), tendo estagiado nos Moinhos do Vale do Lagat (Auvergne-França) e no Atelier 17 (Paris), com Stanley Hayter.

Após a sua formação artística, durante a década de 1980, criou a seu próprio método de gravar através do uso de pasta de pedra e argila expandida.

Expôs regularmente as suas criações artísticas, de forma coletiva e individual, desde a década de 1970, em Portugal e no estrangeiro. Das exposições individuais que apresentou, salientam-se as apresentadas na Fundação Calouste Gulbenkian — David de Almeida (1981 e 1986), bem como as antológicas apresentadas no Palácio Galveias (2010 e 2011).

Integrou várias mostras coletivas, das quais se salientam-se as organizadas ou patentes na Fundação Calouste Gulbenkian: 20 anos de gravura (1976); Cultura portuguesa en Madrid (Palácio de Congresos, Madrid, 1977); I e II exposições nacionais de gravura (1977 e 1979); Portuguese contemporary engravings, 1970-80 (Guiness Visitors Centre, Dublin, 1984); III Exposição de artes plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian (1986); Portuguese contemporary engravings, 1970-1983 (exposição itinerante, 1986); Gravura portuguesa contemporânea 1970-1988 (Estocolmo, 1988) com curadoria de José Sommer Ribeiro; e 1/150 gravar e multiplicar — gravuras da coleção do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian (Casa da Cerca — Centro de Arte Contemporânea, 2009).

Integrou também várias bienais de artes plásticas, das quais se destaca a representação portuguesa à XVII Bienal de São Paulo (1983).

Na década de 1990, David de Almeida realizou uma série de projetos de arte pública, no estrangeiro: estação “Conceição”, da rede de metro de São Paulo, no território de Macau, onde passou parte do ano de 1996; e em Portugal, como a conceção plástica da estação de Cabo Ruivo, inaugurada em 1998.

A sua obra está representada em diversas coleções públicas, nacionais e estrangeiras, entre as quais: Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian ; Museu de Serralves; Circulo de Bellas Artes (Madrid, Espanha); Museu Nacional de Gravura (Madrid, Espanha); Biblioteca Nacional de Paris (França); Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (Brasil); Kendall Whalling Museum (Massachussets, Estados Unidos); e Museu de Arte Moderna de Bagdade (Iraque).

Foi distinguido com vários prémios, entre os quais: Medalha de Ouro da Associação de Gravadores Espanhóis (Madrid, 1977); Grande Prémio de Gravura — Bienal de Vila Nova de Cerveira (1982); Prémio de Aquisição da III Exposição de artes plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian (1986); Prémio Nacional de Gravura — Museu de Gravura Espanhola Contemporânea (Espanha, 1999); e Prémio Internacional de Arte Gráfico Jesús Núñez – Betanzos (Espanha, 2006).

Em 2020, o espólio documental do artista, composto por cadernos e diários com anotações, esquissos, estudos e desenhos, dossiês com projetos de arte pública, álbuns de fotografias, livros, livros-álbum, postais, foi doado à Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian.


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29 jan 2024

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