Galeria
O tema da pintura, a vanitas, o sentido da existência efémera, simbolizado pelas bolas de sabão, conhece através de Manet uma interpretação singular. Aspectos como o fundo escuro e a sobriedade da composição parecem evocar uma obra com o mesmo título realizada cerca de 1734 por Jean-Siméon Chardin (The Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque).
O conteúdo alegórico não se sobrepõe, todavia, no presente caso, à autonomia plástica do discurso visual. Manet concentra-se na observação desapaixonada e naturalista do modelo. A inexpressividade da figura transforma-a, aqui, num objeto de pintura, um dos traços de modernidade do artista. Manet cria a sua expressão individual e impõe a partir do motivo uma afirmação da sua perceção sensorial. O estilo livre e direto da composição, com recorte da figura bem definido, acentuado por um forte contraponto entre claro e escuro, traz à memória mestres como Murillo e Frans Hals.
O modelo para a pintura, Léon-Édouard Koëlla, enteado de Manet, aparece representado com frequência em outras obras célebres do artista. Não é de excluir a hipótese de o quadro poder constituir, também, uma reflexão do autor sobre a perenidade da arte.
Informação técnica
- Autor(es)
- Édouard Manet (1832 – 1883), Pintor
- Título
- As Bolas de Sabão
- Origem
- França
- Data
- 1867
- Técnica
- Óleo sobre tela
- Materiais
- Tela; Óleo
- Dimensões
- Altura 100,00 cm; Largura 81,00 cm
- N.º de inventário
- 2361
Proveniência
Incorporação
- Tipo
- Aquisição
- Local
- Nova Iorque
- Proveniência
- Adolph Lewinsohn
- Intermediário
- André Weil
- Data
- Novembro de 1943