Imagens viajantes : fotografias brasileiras em França

Exposição documental de 26 de outubro a 14 de novembro 2017

Curadores : Lucas Menezes e Marion Perceval

Em sintonia com uma nova prática, a fotografia e os fotoclubes multiplicam-se na viragem do século XX. Voltados, em princípio, a uma parcela mais abastada da população, esses coletivos tornam-se uma experiência social muito difundida entre as classes médias do pós-guerra.

Lugar de aprendizagem e sociabilidade, esses clubes distinguem-se também pela realização de exposições, empreendidas graças a uma rede mundial de partilha de imagens. Entre as fotografias apresentadas, algumas  são reproduzidas em catálogos, outras são objetos de artigos na imprensa especializada. Entre conservadorismo visual e pesquisa experimental, as imagens caracterizam-se pelo seu ecletismo, em referência aos diferentes modelos  oriundos de um século de debates sobre a temática da arte fotográfica.

No Brasil, para além de algumas experiências efémeras, é apenas em 1923 que um coletivo de fotógrafos amadores propõe um verdadeiro projeto para a difusão da arte fotográfica. O Photo Clube Brasileiro, localizado no Rio de Janeiro, publica a revista Photogramma entre 1926 e 1931, organiza exposições, assim como o primeiro salão nacional em 1940. Em São Paulo, o Foto Cine Clube Bandeirante, criado em 1939, propõe o Salão Paulista desde 1942 e exposições internacionais a partir de 1946, afirmando-se rapidamente como a referência da fotografia artística brasilieira, feito alcançado também graças à publicação de seu Boletim.

A Société Française de Photographie (SFP) organiza o Salon International d’Art Photographique desde o início do século XX. A edição de 1946 coincide com a primeira contribuição dos fotógrafos brasileiros. As imagens aqui apresentadas correspondem a uma parte das 52 fotografias enviadas pelos fotógrafos paulistas em resposta à chamada da SFP. Vinte e uma delas foram expostas no 39ème Salon International de 1951. Contudo, esse circuito internacional de trocas interrompe-se e as imagens tornaram-se parte integrante das coleções da SFP. Que elas tenham sido aceites ou recusadas, essas obras contém elementos indispensáveis à compreensão dos feitos, insucessos e limites de uma das mais importantes gerações de artistas fotógrafos do Brasil.