Sinfonia n.º 83 de Haydn

Orquestra Gulbenkian

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Os instrumentistas da Orquestra Gulbenkian retomaram os ensaios e a música voltou a soar no Grande Auditório. Passo a passo, vamos retomando a normalidade e as boas notícias começam, finalmente, a chegar. Sob fortes medidas de segurança, durante o mês de junho os concertos de música de câmara irão regressar, ainda sem público, através da transmissão nas nossas plataformas digitais. Neste concerto, a Orquestra Gulbenkian irá interpretar uma das mais célebres sinfonias de Haydn, sob a direção do maestro José Eduardo Gomes.



Programa

Orquestra Gulbenkian
José Eduardo Gomes
Maestro

Joseph Haydn
Abertura da ópera Armida

Composição: 1783
Estreia: Eszterháza, 26 de fevereiro de 1784
Duração: c. 6 min.

Originária da Hungria e detentora de uma forte tradição de mecenato artístico, a família Esterházy construiu, no início da década de 1760, o palácio de Eszterháza, próximo do lago Neusiedler (atualmente território húngaro), no qual Joseph Haydn passou a servir, na qualidade de Kappelmeister, o príncipe Nikolaus Esterházy, a partir de 1766. Este novo cargo implicava duras exigências que passavam, por exemplo, pela direção dos músicos pertencentes à capela privada do príncipe, pela composição em larga escala de novas obras e pela organização da biblioteca musical do palácio. Durante os anos em que esteve ao serviço da corte de Esterházy, e que se prolongaram até 1790, Haydn compôs a maior parte das suas óperas e um grande número de sinfonias e obras de câmara. A sua avassaladora produção musical englobou ainda a música sacra, várias peças para baryton (o instrumento predileto do príncipe) e a maior parte das suas sonatas para tecla.

Armida foi a última ópera composta por J. Haydn para a corte dos Esterházy. Foi estreada a 26 de fevereiro de 1784 no portentoso teatro privado do palácio de Eszterháza. O libreto, elaborado conjuntamente por Jacopo Duranti e Francesco Saverio de Rogati, sobre o poema épico Gerusalemme liberata de Torquato Tasso (1544-1595), relata a história de Armida, guerreira síria que empreende a defesa da cidade de Damasco face às investidas dos cruzados cristãos, liderados pelo seu amado Rinaldo. A Abertura, em Si bemol maior, anuncia, desde logo, os conflitos entre o exercício do dever e os afetos pessoais, que se tornarão latentes ao longo da ópera. Armida alcançou uma enorme projeção na sua época, ao lado das grandes produções de Wolfgang Amadeus Mozart, e torna-se muito revelador verificar que também em Portugal se encontram vestígios desta vasta circulação europeia1.

Rui Cabral Lopes


1A ária para soprano “Dove son che miro”, da ópera Armida de J. Haydn, encontra-se representada, em manuscrito, na coleção de Livros de Música do Seminário da Patriarcal, instituição de referência da vida musical portuguesa entre 1713 e 1835, muito embora tenha sido atribuída, erroneamente, a Domenico Cimarosa.

 


Joseph Haydn

Sinfonia n.º 83, em Sol menor, Hob.I:83, A galinha

Allegro
Andante
Menuet: Allegretto – Trio
Finale: Vivace

Composição: 1785
Duração: c. 24 min.

Ao mesmo tempo que Mozart preenchia os derradeiros compassos do seu Concerto para Piano n.º 20, K. 466, um outro grande representante do Classicismo vienense, Joseph Haydn, rececionava a encomenda das famosas seis “Sinfonias de Paris” por parte do conde Claude-François-Marie Rigoley, o fundador da prestigiada sociedade maçónica parisiense Les Concerts de la Loge Olympique. Na época, a orquestra da instituição rivalizava com as melhores da Europa, superando até o número de instrumentistas que Haydn tinha ao seu dispor no Palácio de Eszterháza.

A Sinfonia n.º 83, em Sol menor, popularmente subintitulada “A galinha»”, reflete boa parte do potencial tímbrico daquela formação parisiense, reunindo uma flauta, dois oboés, dois fagotes, duas trompas e cordas. Partindo da tonalidade angustiada de Sol menor, o primeiro andamento introduz, desde logo, o primeiro motivo da exposição, em gesto ascendente muito breve, contando apenas com quatro notas. As pausas gerais, herdadas da Empfindsamkeit germânica, criam focos de expectativa que se vão sucedendo, à medida que o andamento progride. O segundo motivo da exposição esteve na origem do subtítulo da obra, o qual se foi propagando nos programas de concerto a partir dos finais do século XVIII. Exposto pelas cordas sobre um ritmo obstinado, faz lembrar, de facto, o debicar persistente das galinhas em busca de alimento. Após o denso desenvolvimento, a recapitulação reintroduz o material inicial, mas a coda renuncia à tonalidade de partida e inflete na tonalidade homónima de Sol maior, conferindo ao desfecho uma aura radiosa, nada comum em obras orquestrais do mesmo período.

O segundo andamento, na tonalidade sobredominante de Mi bemol maior, reveste-se de caráter contemplativo, acentuado pelas harmonias serenas que se desprendem das cordas. No Menuet: Allegretto que se segue, Haydn regressa à tonalidade de Sol maior para evocar um pouco das danças rústicas da sua infância, passada na Baixa Áustria. Da ambiência bucólica dá também nota o solo de flauta, no Trio. O quarto e último andamento, Vivace, parece ter tido em vista a capacidade virtuosística dos músicos parisienses, revestindo-se de assinalável vivacidade rítmica.

Rui Cabral Lopes

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