FCG Secção: Jardim

Bétula

Betula celtiberica

Família e descrição

Bétula ou vidoeiro é uma das mais belas árvores das paisagens de altitude de Portugal.
Alcança geralmente os 20 m de altura e com uma longevidade que ronda os 100 anos.
É uma árvore de folha caduca de tronco branco e copa cónico-piramidal. 
A casca assemelha-se a uma pele branca prateada. 
As suas folhas são ovadas a triangulares irregularmente dentadas e acuminadas com cerca de 3 cm de comprimento. 
A floração acontece de Abril a Maio. Sendo uma árvore monoica, tem as flores masculinas dispostas em amentilhos verde-amarelados, de 3 a 6 cm de comprimento; as inflorescências femininas inseridas nas axilas das folhas desses mesmos ramos são primeiro eretas e verdes.
Os frutos são sementes aladas para facilitar a disseminação pelo vento, sâmaras minúsculas com asa 1 a 1,5 vezes mais longa que o corpo. 
A frutificação anual é muito abundante entre Julho e Setembro a partir dos 10 anos. A sua propagação é sexuada e assexuada com a rebentação de toiça.

 

Origem e habitat

É originária da Península Ibérica, espontânea nas serras do nordeste transmontano, Montesinho e Serra da Estrela. Aparece em turfeiras e margens de cursos de água, formando pequenos bosques.
É uma espécie de plena luz, intolerante ao ensombramento, habita em climas húmidos, como o atlântico, continental-húmido e de montanha, onde as temperaturas não atingem valores muito elevados. Requer elevada humidade ambiental durante quase todo o ano. Adapta-se muito bem à altitude e possui boa resistência às geadas e ao frio intenso. 
É uma árvore de crescimento rápido, bastante rústica e pouco exigente quanto à qualidade dos solos, tolerando solos pobres, ácidos, ou arenosos, exceto os calcários. Possui um sistema radicular pouco profundo e horizontal.

 

Utilizações e curiosidades

Tendo frequentemente um papel de colonizadora, melhora as características do solo criando assim condições de instalação futura de outras espécies.
Esta árvore produz substâncias com propriedades medicinais. Fornece ainda grande número de produtos úteis como a essência de bétula ou a seiva de algumas variedades, utilizada como bebida. 
Na antiguidade, parte da sua casca era usada como papel.
A sua madeira, sem cernes anuais, é clara, branco a branco-amarelado, homogénea e de grão fino. Tem boas características mecânicas para o torno e marcenaria apesar de ser pouco aproveitada em Portugal.