FCG Secção: Jardim

Amieiro

Alnus glutinosa

Do género Alnus, o amieiro é uma árvore caduca, de tronco ereto e porte mediano que pode atingir os 25 metros de altura. Raramente ultrapassa os 120 anos de idade.

Originária da Europa, Oeste da Ásia e Norte de África, é uma árvore espontânea em Portugal. Tem por habitat as zonas temperadas da Europa, bosques húmidos, margens de cursos de água, planícies e baixas montanhas até 1200 m de altitude. Em território nacional, o amieiro pode ser encontrado em quase todos os locais com prevalência na região norte e centro do país. Cresce em regiões de clima temperado húmido, nomeadamente juntos aos cursos de água.

Árvore com copa pouco densa, de forma cónica, com o cimo agudo enquanto jovem, que passa a ser arredondada e irregular com a idade. Possui pernadas tortuosas com ramificações delgadas e ramos angulosos e glabros e a sua casca é cinzento-pardo.

As suas folhas são alternas, pecioladas, obovadas, duplamente serradas, com nervos secundários subparalelos, de 4 a 10 centímetros de comprimento e desde 5 a 8 pares de nervuras, que se dispõem lateralmente com pelos amarelos nas axilas das nervuras.

É uma espécie monóica. As inflorescências iniciam o seu desenvolvimento no outono e completam-no na primavera seguinte. As flores masculinas formam amentilhos cilíndricos e compridos, pendentes. Quando os amentilhos tiverem libertado, por completo, todo o seu pólen desprendem-se da árvore. As inflorescências femininas, de cor vermelho-púrpura quando jovens, são agrupadas em pequenos amentilhos ovóides em grupos de três. Permanecem nos ramos depois da ocorrência da fecundação, transformando-se em pequenas “pinhas” lenhosas que contêm as sementes.

A frutificação é regular e abundante. Os frutos são ovóides, muito viscosos, castanho-violáceo, glabros, peciolados, com uma escama recobrindo as outras.

Os amieiros formam simbioses, ou seja, relações de benefício mútuo com os actinomicetos, que podem captar o azoto existente no ar. Todas as espécies deste género têm nódulos fixadores de nitrogénio nas raízes originando na sua envolvência um solo rico em azoto.

Produz madeira de cor clara e homogénea, que, sob a ação do ar, após o corte, pode tender para o vermelho. Esta madeira, de baixa densidade e resistente à água, é muito utilizada na construção de corpos de guitarras sólidas. Tem como característica sonora um som mais aveludado, com um grave bastante profundo. Possui um timbre caracteristicamente mais agudo, alta velocidade de propagação do som, e boa estabilidade. Esta madeira é também usada na construção de algum imobiliário e na defumação de peixe cru e seco.

É uma árvore de plena luz, sendo um dos principais constituintes dos bosques ripícolas. Exige solo rico em humidade de preferência ácido, pobre em calcário e de textura médio-compacta.

Possui crescimento rápido, mas fraca longevidade, sendo resistente ao frio.

Propaga-se por semente, por estaca ou por mergulhia, também rebenta bem pela touça.

É uma espécie resistente à poluição urbana usada na arborização de terrenos encharcados e na constituição de sebes, já que aceita bem podas de conformação. As suas raízes impedem a erosão das margens dos cursos de água, fixando o terreno, evitando a construção de estruturas mais artificiais, além de abrigarem a fauna característica destes ecossistemas e permitirem a fixação de outras espécies espontâneas.