La Pietra nella Scultura Portoghese Attuale

IX Centenário da Universidade de Bolonha

Exposição coletiva de escultura portuguesa contemporânea, integrada na programação das Jornadas Culturais e Científicas Portuguesas do IX Centenário da Universidade de Bolonha. A mostra, cuja inauguração contou com a presença do presidente da República Mário Soares, apresentou obras de três escultores em atividade e com percursos artísticos singulares.
sculpture included in the programme of the congress on Portuguese Culture and Science during the Commemorations of the Ninth Centenary of the University of Bologna. The President of Portugal, Mário Soares, opened the event, which displayed the works of three still active sculptors whose artistic careers followed unique paths.

Exposição coletiva de escultura contemporânea portuguesa em pedra, organizada por ocasião do IX Centenário da Universidade de Bolonha, iniciativa promovida por aquela universidade, com a colaboração conjunta do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, da Secretaria de Estado da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa (atual Instituto Camões) e do Instituto Nacional de Investigação Científica.

As entidades envolvidas reuniram previamente para a definição do programa geral das iniciativas culturais a promover em Bolonha, sob a designação de «Jornadas Culturais e Científicas Portuguesas», que incluíam colóquios de várias áreas do conhecimento em Portugal, um ciclo de cinema, e exposições documentais e artísticas, programadas por Maurizio Fabbri, professor do Departamento de Ciências da Educação da Universidade de Bolonha. Dentro das exposições de arte, coube à FCG, mais concretamente ao Centro de Arte Moderna (CAM), a organização de uma exposição, inicialmente prevista para apresentar uma retrospetiva de Amadeo de Souza-Cardoso ou uma amostragem da pintura portuguesa contemporânea. Dada a exiguidade do espaço, os organizadores desistiram da ideia inicial, propondo em alternativa a realização de uma pequena exposição de escultura portuguesa atual: «Pensou-se numa exposição de Escultura em Pedra, tendo em conta, por um lado, o espaço que nos foi proposto para a exposição, por outro, o crescente interesse que a actual escultura em pedra portuguesa está a despertar nos meios artísticos internacionais.» (Apontamento do Centro de Arte Moderna, 22 mar. 1989, Arquivos Gulbenkian, CAM 00166)

A mostra, apresentada no Istituto Statale d'Arte de Bolonha, consistiu na apresentação de nove obras recentes de três escultores portugueses em atividade: João Cutileiro, José Pedro Croft e Manuel Rosa, não se tratando, portanto, de uma panorâmica da escultura portuguesa contemporânea, mas antes da apresentação de três percursos artísticos singulares, com o trabalho em pedra como denominador comum. Como era observado no folheto da exposição pela comissária da exposição, Maria José Moniz Pereira, conservadora da FCG, esta mostra não pretendia ser uma síntese completa do panorama atual da escultura em pedra em Portugal (La Pietra nella scultura portoghese attuale, 1989), mas conferia uma ideia da evolução da disciplina naqueles últimos anos, em contraste com o academismo e a dependência da encomenda oficial que havia caracterizado a escultura portuguesa até ao final da primeira metade do século XX.

João Cutileiro (1937-2021) era apresentado como um dos precursores de uma nova geração de escultores em Portugal, destacando-se a sua ligação à cidade de Lagos, onde estabeleceu ateliê e por onde passaram vários jovens escultores, como José Pedro Croft e Manuel Rosa.

A originalidade da obra de Cutileiro afirmava-se tanto nos temas como nos processos técnicos empregados. A utilização do mármore português e os processos elétricos utilizados no corte e trabalho da pedra eram também destacados e evidenciados nas suas três obras em exposição.

Estes três escultores tinham também participado anteriormente no I Simpósio Internacional da Escultura em Pedra, realizado em Évora (1981), que contribuiu para a discussão em torno das especificidades da modalidade e das técnicas contemporâneas e para a divulgação de algumas carreiras artísticas durante a década de 1980.

José Pedro Croft (1957) passaria dos métodos tradicionais de escavação da pedra para processos de corte industrial, ganhando notoriedade durante os anos de 1980, assim como Manuel Rosa (1953) pela exploração da fragmentação e pela interseção das superfícies e dos volumes.

A inauguração desta exposição foi marcada pela presença do presidente da República Mário Soares, no âmbito da visita oficial a Itália, durante a qual recebeu o grau de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Bolonha.

No âmbito das Jornadas Portuguesas, o CAM cedeu ainda seis tapeçarias de José de Almada Negreiros para as capelas laterais da Aula Magna di Santa Lucia.

Também neste ano de 1989 foi apresentada na Fundação uma exposição dedicada à escultura portuguesa (cf. Encontros Luso-Americanos de Arte Contemporânea. Três Escultores Portugueses, 1989).

Filipa Coimbra, 2018


Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Coleção Gulbenkian

Torso grande sentado

João Cutileiro (1937-2021)

Torso grande sentado, 1977 / Inv. 81E486

S/ Título

José Pedro Croft (1957-)

S/ Título, 1985 / Inv. 85E995

S/ Título

José Pedro Croft (1957-)

S/ Título, 1986 / Inv. 86E846

S/ Título (Barco Partido)

Manuel Rosa (1953-)

S/ Título (Barco Partido), 1987 / Inv. 89E468


Eventos Paralelos

Visita oficial

[La Pietra nella Scultura Portoghese Attuale]

10 abr 1989
Istituto Statale d'Arte
Bolonha, Itália

Publicações


Documentação


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Centro de Arte Moderna), Lisboa / CAM 00166

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém correspondência recebida e expedida, correspondência interna, lista de obras, seguros, orçamentos e elementos para o catálogo. 1989 – 1989


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