D. A. de Sequeira, 1821
1983
Esta exposição de uma série de retratos dos deputados do Liberalismo oitocentista, da autoria do pintor português Domingos António de Sequeira (1768-1837), um dos pintores mais importantes do panorama português na passagem do século XVIII para o século XIX, iniciou um novo programa de exposições no Centre Culturel Portugais (CCP), sobre a cultura artística e a arte portuguesa do passado e do presente.
O programa contemplava igualmente a realização de exposições noutros espaços parisienses, em colaboração com museus e outras instituições francesas, promovendo o trabalho de especialistas portugueses e franceses.
Devido às limitações de espaço do CCP, e segundo José-Augusto França, na introdução do catálogo, a exposição não tinha o objetivo de mostrar a obra completa de Sequeira, mas, ainda assim, procurava chamar a atenção para a pintura portuguesa desta época, praticamente desconhecida em França.
As obras expostas no CCP vinham, na sua maioria, das coleções do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, e constituíam um importante estudo do retrato psicológico de uma burguesia comprometida com o nacionalismo do primeiro quartel do século XIX, pormenorizadamente desenvolvido nos textos de Alexandre Herculano, reproduzidos no catálogo da exposição. O colecionador particular J. G. de Amaral Cabral emprestou igualmente um importante retrato, de execução anterior aos retratos de deputados de 1821.
A exposição contou ainda com a colaboração do Musée du Louvre, nomeadamente pelo estudo que o seu conservador, Michel Laclotte, elaborou de um quadro de Sequeira – Alegoria da Fundação da Casa Pia de Belém (1798-1794) – nunca exposto e que pertencia às coleções do museu francês. Jeannine Baticle, conservadora do mesmo museu, contribuiu para o catálogo da exposição com um texto dedicado à obra de Domingos Sequeira, complementado por um texto biográfico do pintor, assinado por José-Augusto França.
O único artigo relativo à exposição que se conseguiu identificar, «D. A. Sequeira. Portraits des Deputés aux Cortes de 1821» (Baticle, Colóquio/Artes, dez. 1983, pp. 75-76), replica o ensaio de Jeannine Baticle para o catálogo da exposição, intitulado «Sequeira ou la meilleure des Libertés».
Carolina Matias, 2017