20.º Aniversário da Revista «Colóquio»

20.º Aniversário da Revista «Colóquio»

Exposição evocativa dos 20 anos da criação da revista Colóquio, publicação da Fundação Calouste Gulbenkian com um papel fundamental na divulgação da arte portuguesa. Comissariada pelo então diretor da Colóquio/Artes, José-Augusto França, a mostra procurou homenagear os fundadores e os primeiros diretores da revista.
An exhibition commemorating the 20th anniversary of the creation of the Colóquio magazine, published by the Calouste Gulbenkian Foundation, with a fundamental role in the dissemination of Portuguese art. Commissioned by the then director of Colóquio/Artes, José-Augusto França, the exhibition sought to honor the magazine's founders and first directors.

Exposição comemorativa do vigésimo aniversário da revista Colóquio e do centésimo número dedicado às artes, organizada pela direção da revista, em colaboração com o Serviço de Exposições e Museografia da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG). A exposição, com base na mostra de um núcleo bibliográfico (100 capas das revistas) e epistolográfico, procurou igualmente homenagear os fundadores e os primeiros diretores da revista: Reynaldo dos Santos (artes visuais), Hernâni Cidade (literatura) e Bernardo Marques (diretor gráfico).

A Colóquio teve, desde a sua criação em 1959, um papel fundamental na divulgação artística da arte portuguesa, tornando-se uma das publicações de referência tanto no domínio literário quanto no artístico: «[…] a qualidade que a revista atingiu, num vasto programa cultural, devidamente ecléctico e sempre atento à liberdade fundamental do pensamento, “sem dependência de escolas, de sectarismos e proselitismos.” […] Ambas as revistas saídas de “Colóquio” continuam sem dúvida a ocupar, na cultura portuguesa, um lugar dificilmente disputável na conjuntura actual.» (Colóquio 100. 20.º Aniversário, 1979)

Nesses vinte anos, a revista Colóquio percorreu dois momentos distintos: o primeiro, de 1959 a 1970, em que as secções de artes e literatura integravam a mesma revista; o outro, a partir de 1971, após a morte do professor Reynaldo dos Santos, com a implementação da sua decisão de publicar separadamente os dois domínios do conhecimento, uma revista dedicada às Artes e uma outra afeta às Letras.

Comissariada, então, pelo diretor da Colóquio/Artes, o historiador e crítico de arte José-Augusto França, esta mostra reuniu um total de 15 obras de pintura, realizadas por outros tantos artistas relevantes no curso da arte portuguesa do século XX. As obras selecionadas correspondiam aos originais cujas reproduções ilustraram algumas das capas da revista, durante esses vinte anos de edição.

Estas obras procuravam evidenciar as várias gerações de artistas, desde logo com a primeira geração de modernistas indiciada pelo retrato de Fernando Pessoa, da autoria de Almada Negreiros, ou a emblemática Entrada, de Amadeo de Souza-Cardoso. Estas obras dialogavam com as de outros artistas, tais como Maria Helena Vieira da Silva, Júlio Pomar, Ângelo de Sousa, João Vieira ou Eduardo Nery, cujo percurso se articulava numa «gradação de gerações […], descobrindo-se, assim, mesmo num pequeno número de telas, relações, confluências, oposições, no ganho de cada uma quando vista em companhia» (Azevedo, Colóquio/Artes, mar. 1979, p. 70).

O pintor Fernando de Azevedo aplaudiria então este «feito», o de ter sido possível, num país pouco familiarizado com as manifestações e práticas culturais, bem como editoriais, conseguir que a revista Colóquio chegasse ao seu centésimo número, sem desvios do seu programa e missão iniciais.

O mesmo pintor destacaria também a importância desta publicação em dois domínios: o estético e o histórico, mantendo a convicção de que a revista serviria posteriormente como «informação histórica» sobre o panorama artístico português deste período.

O roteiro da exposição foi publicado como separata do 100.º número da revista, integrando uma extensa lista de todos os que colaboraram nas suas duas secções (Artes e Letras), entre os quais se mencionam figuras destacadas do pensamento e das artes portuguesas, bem como (e essa era também uma das mais-valias da revista) convidados internacionais.

Joana Baião, 2017

Exhibition commemorating twenty years of Colóquio magazine and its hundredth edition dedicated to the arts, organised by the journal’s directors in cooperation with the Calouste Gulbenkian Foundation (FCG) Exhibitions and Museography Department. The exhibition, based around a display of a set of bibliographic documents (100 magazine covers) and letters, also sought to pay homage to the magazine’s founders and first editors: Reynaldo dos Santos (1880-1970) – Visual Arts, Hernâni Cidade (1887-1975) – Literature, and Bernardo Marques (1898-1962) – art director.

Since it was set up in 1959, Colóquio has played a fundamental role in the dissemination of Portuguese art, becoming one of the leading publications in the literary and art fields: “(...) the quality the magazine achieved, within a vast cultural and suitably eclectic programme, always aware of the fundamental freedom of thought, ‘without relying on schools, sectarianism or proselytism’. (...) Both the magazines the emerged from “Colóquio” still occupy a position in Portuguese culture that is hard to argue with in the current state of affairs” (Colóquio 100. 20.º Aniversário, 1979).

During those twenty years, Colóquio magazine lived through two distinct periods: the first, from 1959 to 1970, in which the art and literature sections were part of the same magazine; the second from 1971 onwards, following the death of Reynaldo dos Santos, with the decision to publish the two areas of knowledge separately, with one magazine devoted to the arts and the other to letters.

Curated by the then editor of Colóquio/Artes, art historian and critic José-Augusto França (1922), the show comprised a total of 15 paintings made by as many important artists over the course of Portuguese art in the 20th century. The works selected were the originals of reproductions used to illustrate some of the magazine’s covers over those twenty years of editions.

These pieces sought to show the various generations of artists, starting with the first generation of modernists exemplified by the portrait of Fernando Pessoa, by Almada Negreiros (1893-1970), or the emblematic Entrada, by Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918). These pieces formed dialogues with other artists, such as Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992), Júlio Pomar (1926-2018), Ângelo de Sousa (1938-2011), João Vieira (1934-2009) and Eduardo Nery (1938-2013), whose careers connected in “(...) shades of generations (...) therefore uncovering, even in a small number of canvasses, relationships, convergences, oppositions, each one gaining something when seen in company” (Azevedo, Colóquio. Artes, Mar. 1979, p. 70).                                                                                           

The painter Fernando de Azevedo (1898-2002) would laud the “feat”, of Colóquio reaching its hundredth edition, in a country unfamiliar with cultural and editorial practices and manifestations, without veering from its initial programme and mission (Azevedo, Colóquio. Artes, Mar. 1979, p. 70).

The same painter would also highlight the importance of this publication in two domains: aesthetic and historical, maintaining the belief that the magazine would later serve as “historical information” about the Portuguese art landscape during this period (ibidem). 

The path through the exhibition was published as a supplement to the hundredth edition of the magazine, including a long list of all those who worked in its two sections (arts and letters), including some prominent figures in Portuguese arts and thought, as well as international invited contributors, another of the magazine’s assets.  


Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Coleção Gulbenkian

Título desconhecido  (Entrada)

Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918)

Título desconhecido (Entrada), c. 1917 / Inv. 77P9

Uma Rosa É

João Vieira (1934-2009)

Uma Rosa É, 1968 / Inv. 80P536

Retrato de Fernando Pessoa

José de Almada Negreiros (1893-1970)

Retrato de Fernando Pessoa, 1964 / Inv. 64P66

L'aire du vent

Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992)

L'aire du vent, 1966 / Inv. PE102


Publicações


Material Gráfico


Fotografias

José de Azeredo Perdigão (à esq.) e José-Augusto França (à dir.)
José Sommer Ribeiro (à esq.), José de Azeredo Perdigão (ao centro), José-Augusto França (atrás, ao centro) e José Blanco (à dir.)
José-Augusto França (atrás, à esq.) e José de Azeredo Perdigão (à dir.)
José-Augusto França (ao centro) e José de Azeredo Perdigão (à dir.)

Documentação


Imprensa


Páginas Web


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM 00141

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém convite e correspondência recebida e expedida. 1978 – 1979

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Comunicação), Lisboa / COM-S001/019-D02036

13 provas, p.b.: inauguração (FCG, Lisboa) 1979

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM-S007-D01268

12 provas, p.b.: inauguração (FCG, Lisboa) 1979


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