Alberto Burri
1977
Exposição monográfica promovida no quadro do intercâmbio cultural luso-italiano e dedicada à obra do artista italiano Alberto Burri (1915-1995). A realização do evento foi possível graças a um convite dirigido pela Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) ao Ministério dos Negócios Estrangeiros de Itália, que, através do Istituto Italiano di Cultura em Portugal, prontamente se disponibilizou a trazer a Portugal esta exposição, organizada pela Galleria Nazionale d’Arte Moderna e Contemporanea e comissariada por Bruno Mantura.
Realizada na Galeria de Exposições Temporárias da Sede da FCG, a exposição procurou destacar a obra desta figura fundamental do Informalismo em Itália e da arte internacional do pós-guerra, que se destacou pela violência dos materiais e pela originalidade na utilização da matéria na sua pintura, à qual o pintor e crítico de arte Eurico Gonçalves se referiria em termos de «beleza convulsiva da matéria» (Gonçalves, Diário Popular, 3 mar. 1977).
Para o crítico, as 34 obras produzidas entre 1949 e 1976 evidenciavam as «pesquisas pessoais sobre a expressividade da matéria e dos materiais». Estas cerca de duas décadas de atividade refletiam a coerência e a evolução do trabalho de Alberto Burri, quer na incorporação de materiais pobres, como a areia, o alcatrão, o esmalte, a madeira, o plástico ou o ferro, quer pela viagem desde a pintura polimatérica ao shaped canvas, que, nas palavras do crítico e curador Bruno Mantura, denunciavam uma «tradição antigraciosa» (Alberto Burri, 1977).
Eurico Gonçalves afirmaria ainda em relação à obra de Alberto Burri: «Trata-se, efectivamente, de uma arte incómoda, que assume as consequências da ruptura, do inconformismo, da transgressão e da revolta. Trata-se de um expressionismo atormentado, feito de fendas e buracos, luzes e sombras.» (Gonçalves, Diário Popular, 3 mar. 1977)
Ainda no âmbito da exposição, o comissário Bruno Mantura proferiria uma conferência de imprensa sobre a vida e obra deste importante artista, ainda pouco conhecido em Portugal embora a própria FCG já tivesse exposto obras suas em 1966, na exposição «Arte Contemporânea Italiana».
Filipa Coimbra, 2016