As Idades do Mar

Exposição coletiva organizada pelo Museu Calouste Gulbenkian em colaboração com o Musée d’Orsay. Comissariada por João Castel-Branco Pereira, a mostra integrou 109 obras realizadas entre os séculos XVI e XX, que deram a conhecer as diversas «idades do mar», um dos motivos mais trabalhados na pintura ocidental.
Collective exhibition organised by the Calouste Gulbenkian Museum in collaboration with the Musée d’Orsay. Curated by João Castel-Branco Pereira, the show featured 109 artworks produced between the 16th and 20th centuries, showcasing the diverse “ages of the sea”, one of the most prevalent motifs in Western painting.

Exposição coletiva organizada pelo Museu Calouste Gulbenkian com o apoio do Musée d'Orsay de Paris. Comissariada por João Castel-Branco Pereira, diretor do Museu Calouste Gulbenkian, a mostra integrou cerca de 109 obras realizadas entre os séculos XVI e XX, que deram a conhecer as diversas «idades do mar», um dos motivos mais trabalhados na pintura ocidental.

Além das obras das coleções do Centro de Arte Moderna (CAM) e do Museu Calouste Gulbenkian (MCG), a mostra incluiu pinturas de outras cinquenta coleções privadas e públicas, nacionais e internacionais, como o Musée du Louvre, o Museo Nacional del Prado, o Museo Reina Sofía, a Tate Britain, o Museu de Artes Decorativas da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva ou o Museu Nacional de Arte Antiga.

No artigo que redigiu para o jornal Expresso, Celso Martins, crítico de arte e professor na Escola de Artes Decorativas de Caldas da Rainha, fez a seguinte observação sobre o tema proposto: «Uma exposição que toma um tema e não um conceito como ponto de partida tem, nos melhores casos, a intenção de aferir a sobrevivência desse tema em contextos e tempos diversos. É por isso que fazer uma exposição sobre o mar não é fazer uma exposição sobre água ou peixes, mas sobre a vida e a sobrevivência de uma ideia mitológica que atravessa tempos (idades como sugere o seu título).» (Martins, Expresso. Atual, 3 nov. 2012, p. 16) Um mar que, segundo representações de artistas como William Turner (1775-1851), John Constable (1776-1837), Henri-Edmond Cross (1856-1910), Joaquín Sorolla y Bastida (1863-1923), Caspar David Friedrich (1774-1840), Francesco Guardi (1712-1793), Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992) ou Menez (1926-1995), foi palco das mais variadas cenas: episódios e seres mitológicos, local de trabalho para pescadores, local de introspeção para aqueles que o observam de longe, via de descobrimento de novas terras ou motivo de batalhas pela conquista de poder político e económico como a de Lepanto, pintada por um anónimo no século XVI.

A exposição foi organizada em seis núcleos: «Prólogo», «A Idade dos Mitos» – que se iniciava com a apresentação de um exemplar de uma Bíblia iluminada do século XVII –, «A Idade do Poder», «A Idade do Trabalho», «A Idade das Tormentas» e, por último, «Da Idade Efémera à Idade Infinita».

Obras como A Largada do Bucentauro (1765-1780), de Francesco Guardi, e Naufrágio de um Cargueiro (c. 1810), de William Turner, pontuavam o início do percurso, que incluía também, nomeadamente, as pinturas Tritão e Nereida (1877), de Arnold Böcklin (1827-1901); São Evangelista em Patmos, do Mestre da Lourinhã; Vénus Anadyomène (do segundo quartel do século XIX), de Jean-Auguste-Dominique Ingres (1780-1867), ou Enchantement de Miss Europe (1931), de Nikias Skapinakis (1931-2020).

Para o comissário, João Castel-Branco Pereira, foi particularmente importante selecionar artistas portugueses consagrados, como Maria Helena Vieira da Silva, Amadeo de Souza-Cardoso, António Carneiro ou José Malhoa, a par de outros menos conhecidos, como Mestre da Lourinhã, Adriano de Sousa Lopes ou João Vaz, e que, especialmente através da circulação do catálogo, ganhariam uma visibilidade internacional (Canelas, Público, 28 out. 2012, p. 31).

Uma das obras selecionadas pelo diretor do MCG foi a pintura Rochedo Junto à Praia (c. 1820-1825), de Caspar David Friedrich, proveniente do Staatliche Kunsthalle, e que se oferece como um exemplo de como é possível encontrar obras de grande qualidade em coleções mais pequenas (Canelas, Público, 28 out. 2012, p. 31).

A exposição encerrava com a obra de Giorgio Belloni, Sinfonia (1906), cumprindo o desejo de Castel-Branco Pereira de «terminar com um infinito misterioso», pois, de acordo com as suas palavras, «quanto mais sabemos do mar, mais nos afastamos do desejo de o explicar» (Canelas, Público, 28 out. 2012, p. 31). 

Além de um conjunto de textos, de autorias diversas, diretamente relacionados com os diversos núcleos expositivos, o catálogo, publicado pela FCG, em português e inglês, reúne, numa primeira secção, os textos de apresentação de Artur Santos Silva, presidente da FCG, e de João Castel-Branco Pereira, e dois ensaios críticos, um do diretor do Museu Calouste Gulbenkian, e um outro de Eduardo Lourenço, em cujo texto assinala a ausência de referências à epopeia marítima do povo português na pintura europeia: «É estranho que um povo e uma cultura que evocaram realisticamente a sua epopeia trágico-marítima e têm na Peregrinação uma vívida e precoce aventura, digna de Júlio Verne, não tivessem deixado de um tal combate, com os perigos do mar e os seus exaltantes desafios, uma imagem digna de memória.» (As Idades do Mar, 2012, p. 10)

Este silêncio dos pintores portugueses do século XVII é inexplicável também para o comissário da exposição, que, todavia, afirma que no final do século XIX e XX já era possível ver representações do mar na pintura portuguesa, nomeadamente em obras de Henrique Pousão, João Vaz ou José Malhoa (Canelas, Público, 28 out. 2012, p. 31).

Além das 339 visitas guiadas realizadas pelo Serviço Educativo do Museu Gulbenkian, foi organizado um ciclo de conferências com apresentações de Ana Paula Rebelo Correia, professora na Escola Superior de Artes Decorativas da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, Concha Herrero Carretero, conservadora do Património Nacional de Madrid, e Caroline Mathieu, conservadora do Musée d'Orsay e autora do texto que abre o núcleo «Da Idade Efémera à Idade Infinita» no catálogo da exposição.

A exposição foi acompanhada, entre outros eventos, pela realização de um recital no Átrio da Biblioteca de Arte da FCG, no qual os músicos Job Tomé e João Vasco interpretaram obras de Schubert, Duparc, Pinho Vargas, Vianna da Motta, Fauré e Debussy.

Na inauguração estiveram presentes 739 convidados, confirmando o papel da Fundação no modo pioneiro como aborda temáticas inovadoras, tal como referiu João Castel-Branco Pereira no relatório de balanço da exposição.

A exposição recebeu também as visitas oficiais de Marta Suplicy, ministra da Cultura do Brasil, e de Maria Cavaco Silva, mulher do presidente da República, Aníbal Cavaco Silva. Até ao dia do encerramento, a mostra foi vista por 57 906 pessoas.

Joana Atalaia, 2019


Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Coleção Gulbenkian

A chalupa

Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918)

A chalupa, Inv. 77P22

Barcos

Claude Monet (1840-1926)

Barcos, c. 1868 / Inv. 449

Apocalipse

Desconhecido

Apocalipse, c.1265-1275 / Inv. LA139

Maré Baixa - Trouville-Deauville

Eugéne Boudin (1824-1898)

Maré Baixa - Trouville-Deauville, 1897 / Inv. 2282

A Largada do Bucentauro

Francesco Guardi (1712-1793)

A Largada do Bucentauro, c. 1765-80 / Inv. 392

Marinha

Frits Thaulow (1847-1906)

Marinha, c. 1894-1898 / Inv. 279

Bíblia

Hakob

Bíblia, Data final: 1623 / Inv. LA152

Luar no Mar

Henri Moore (1831-1895)

Luar no Mar, c.1888-91 / Inv. 507

Vista da Costa da Noruega ou Mar encrespado junto à Costa

Jacob van Ruisdael (1628/29-1682)

Vista da Costa da Noruega ou Mar encrespado junto à Costa, c. 1660 / Inv. 120

Naufrágio de um Cargueiro

Joseph Mallord William Turner (1775-1851)

Naufrágio de um Cargueiro, c. 1810 / Inv. 260

Quillebeuf, Foz do Sena

Joseph Mallord William Turner (1775-1851)

Quillebeuf, Foz do Sena, 1833 / Inv. 2362

Do Subnaturalismo ao Sobrenaturalismo (Pintura Fria)

Luís Noronha da Costa (1942-2020)

Do Subnaturalismo ao Sobrenaturalismo (Pintura Fria), Inv. 88P535

História Trágico-Marítima ou Naufrage

Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992)

História Trágico-Marítima ou Naufrage, Inv. 78PE97


Eventos Paralelos

Visita oficial

[As Idades do Mar]

20 nov 2012
Fundação Calouste Gulbenkian / Edifício Sede – Galeria Principal / Galeria Exposições Temporárias (piso 0)
Lisboa, Portugal
Visita oficial

[As Idades do Mar]

8 jan 2013
Fundação Calouste Gulbenkian / Edifício Sede – Galeria Principal / Galeria Exposições Temporárias (piso 0)
Lisboa, Portugal
Visita oficial

[As Idades do Mar]

3 dez 2012
Fundação Calouste Gulbenkian / Edifício Sede – Galeria Principal / Galeria Exposições Temporárias (piso 0)
Lisboa, Portugal
Recital de piano

[As Idades do Mar]

4 nov 2012
Fundação Calouste Gulbenkian / Biblioteca de Arte – Hall
Lisboa, Portugal
Ciclo de conferências

[As Idades do Mar]

5 nov 2012 – 26 nov 2012
Fundação Calouste Gulbenkian / Edifício Sede – Auditório 3
Lisboa, Portugal
Concerto

As Idades do Mar. Concertos

6 jan 2013
Fundação Calouste Gulbenkian / Biblioteca de Arte – Hall
Lisboa, Portugal

Publicações


Material Gráfico


Fotografias

Conferência de imprensa proferida por Concha Herrero Curretero (à dir.)
Conferência de imprensa proferida por Concha Herrero Curretero. João Castel-Branco Pereira (à esq.) e Concha Herrero Curretero (à esq.)
Visita oficial da Ministra da Cultura do Brasil, Marta Suplicy. João Castel-Branco Pereira (ao centro, à esq.) e Marta Suplicy (ao centro, à dir.)
Visita oficial da Ministra da Cultura do Brasil, Marta Suplicy. João Castel-Branco Pereira (atrás, à esq.) e Marta Suplicy (atrás, à dir.)
Visita oficial da Ministra da Cultura do Brasil, Marta Suplicy. Marta Suplicy (ao centro, à esq.), João Castel-Branco Pereira (ao centro) e Luís Távora (à dir.)
Visita oficial da Ministra da Cultura do Brasil, Marta Suplicy. João Castel-Branco Pereira (ao centro)
Visita oficial da Ministra da Cultura do Brasil, Marta Suplicy
Visita oficial da Primeira-Dama da República Portuguesa, Maria Cavaco Silva. Nuno Vassallo e Silva (à frente, à esq.), Maria Cavaco Silva (ao centro) e Teresa Gouveia (à dir.)
Visita oficial da Primeira-Dama da República Portuguesa, Maria Cavaco Silva. Nuno Vassallo e Silva e Maria Cavaco Silva
Visita oficial da Primeira-Dama da República Portuguesa, Maria Cavaco Silva. Nuno Vassallo e Silva e Maria Cavaco Silva
Visita oficial do ministro dos Negócios Estrangeiros da República de San Marino. Pasquale Valentini (à esq.) e João Castel-Branco Pereira (à dir.)
Visita oficial do ministro dos Negócios Estrangeiros da República de San Marino. Pasquale Valentini e João Castel-Branco Pereira
Visita oficial do ministro dos Negócios Estrangeiros da República de San Marino. Pasquale Valentini e João Castel-Branco Pereira
Visita oficial do ministro dos Negócios Estrangeiros da República de San Marino. Pasquale Valentini e João Castel-Branco Pereira
Visita oficial do ministro dos Negócios Estrangeiros da República de San Marino. Pasquale Valentini (à esq.) e João Castel-Branco Pereira (à dir.)
Conferência de imprensa. João Castel-Branco Pereira
Conferência de imprensa. João Castel-Branco Pereira
Conferência de imprensa
Conferência «As Idades do Mar», proferida por Concha Herrero Curretero. Concha Herrero Curretero (à esq.) e João Castel-Branco Pereira (à dir.)
Conferência de imprensa proferida por Concha Herrero Curretero (à dir.)
Conferência «As Idades do Mar», proferida por Caroline Mathieu. Caroline Mathieu (à esq.) e Nuno Vassallo e Silva (à dir.)
Conferência «As Idades do Mar», proferida por Caroline Mathieu
Conferência «As Idades do Mar», proferida por Caroline Mathieu
Conferência «As Idades do Mar», proferida por Caroline Mathieu
João Castel-Branco Pereira (esq.) e Artur Santos Silva (centro)
João Castel-Branco Pereira (à esq.)
João Castel-Branco Pereira (ao centro)
Luísa Sampaio
Artur Santos Silva (ao centro)

Documentação


Periódicos


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Museu Calouste Gulbenkian), Lisboa / MCG 03540

Pasta com recortes de imprensa sobre a exposição. 2012 – 2013

Arquivos Gulbenkian (Museu Calouste Gulbenkian), Lisboa / MCG 03538

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém relatório final da exposição, material de divulgação, programa de concerto, dados estatísticos, orçamentos e correspondência interna. 2012 – 2013


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