Ferdinand Gehr (1896 – 1996)

Exposição individual organizada pelo Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão em parceria com a Ferdinand Gehr Foundation. A mostra focou o trabalho do artista suíço Ferdinand Gehr (1896-1996) e integrou algumas das principais pinturas e desenhos realizados por Gehr ao longo dos seus 100 anos de vida.
Solo exhibition organised by the Modern Art Centre José de Azeredo Perdigão in partnership with the Ferdinand Gehr Foundation. The show focused on the work of Swiss artist Ferdinand Gehr (1896-1996) and featured some of the most prominent paintings and drawings from Gehr’s century-long life.

Exposição organizada em parceria pelo Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão e pela Ferdinand Gehr Foundation. A mostra foi dedicada ao trabalho do artista suíço Ferdinand Gehr (1896-1996) e integrou algumas das principais pinturas e desenhos realizados ao longo dos seus cem anos de vida.

Apresentada, em primeiro lugar, na Galeria de Exposições Temporárias (piso 01) da Sede da Fundação Gulbenkian entre fevereiro e abril de 2001 e comissariada por Jorge Molder, diretor do CAMJAP, a exposição viajou posteriormente para a Kunstverein St. Gallen Kunstmuseum, na Suíça, onde permaneceu até agosto desse mesmo ano.

Nascido num país que, por razões históricas e a seu ver, nunca deu a devida importância às artes plásticas, Gehr iniciou-se como designer têxtil e, a partir da década de 20, especializou-se na técnica de pintura a fresco, influenciado pela obra de Giotto. A sua formação artística passou pelo ateliê de André Lhote, em Paris, onde teve a oportunidade de estudar a obra de Cézanne, Braque, Picasso ou Matisse (Marques, Expresso, 3 mar. 2001, p. 30).

Nessa fase o artista dedicou-se, em grande parte, à representação de episódios bíblicos, além de à representação de paisagens ou de retratos. Procurava sempre, de acordo com o diretor do CAMJAP, uma «pintura sincera de serenidade e encantamento, reflectindo uma ordem divina, metafísica e totalmente abrangente» (Ferdinand Gehr 1896-1996, 2001).

Em algumas das obras expostas, os títulos denunciavam o «peso da religião»: Adão (1933); Morte e Vida (1965); Meu Deus, por que me abandonaste? (1982); entre outras.

Todos os elementos da natureza eram mostrados como tendo sido interiorizados e eram representados através de uma «explosão de alegria»: «fosse a flor, a árvore, a nuvem, o vale, ou a montanha distante, ou evidentemente a figura humana […] eram um reflexo do Sopro Criador e, pelo acto de pintar, vitalmente o ligavam a essa Origem», referiu o arquiteto João de Almeida no texto que assinou no catálogo da exposição (Ibid.).

Gehr nunca foi fiel a uma só corrente artística. Os seus trabalhos remetiam tanto para o Dadaísmo, «pela vontade de se aproximar de uma origem mítica da arte que se despisse de todo o ornamento, que chegasse ao essencial», como para o Expressionismo, pelo simbolismo associado à cor e à forma, ou até para o Abstracionismo (Oliveira, Público, 3 mar. 2001, p. 25).

Gehr foi o «mestre das formas monocromáticas de recorte simplificado», que não teve o devido reconhecimento na história da arte. Para Jorge Molder, o silêncio que o envolvia tinha uma explicação: «O feitio fechado aos mundos que não são o seu afastou-o sempre dos palcos da arte e deixou-o longos anos entregue ao seu mundo familiar e à sua criação artística.» (Vitória, Jornal de Notícias, 16 fev. 2001, p. 33)

O artista ficou conhecido, principalmente, pelos trabalhos realizados em edifícios públicos na Suíça, na Alemanha e na Áustria, tendo sido apelidado de «pintor de igrejas». Uma das obras apresentadas na exposição foi o teto que pintou na capela do Convento dos Dominicanos em Fátima, em 1966, o seu único trabalho em território nacional, num edifício projetado pelo arquiteto Luís Cunha.

A exposição em Lisboa foi complementada por um conjunto de slides que deram a conhecer as principais pinturas e vitrais realizados para igrejas e escolas entre os anos 50 e 80, uma técnica que Gehr começa a desenvolver a partir dos anos 30, época em que a arte religiosa procurava «renovar-se» (Oliveira, Público, 3 mar. 2001, p. 25).

No âmbito da apresentação da mostra em Lisboa, foi publicado um catálogo, editado em português e inglês, com uma breve apresentação da autoria de Jorge Molder e com textos assinados pelo arquiteto João de Almeida, «O Testemunho de uma Amizade», e por Franz Zelger, professor de História da Arte na Universidade de Zurique. No «testemunho» que deixou, João de Almeida (representado ao lado de Gehr em Ferdinand Gehr and João de Almeida, Oberwill, 1957) focou a «extrema simplicidade do artista» e a sua vontade de criar e comunicar a partir de um silêncio profundo; Gehr criava de uma «forma inesperada» (Ferdinand Gehr 1896-1996, 2001, pp. 15-20).

A apresentação na Kunstverein St. Gallen Kunstmuseum, na Suíça, foi acompanhada pela publicação de um catálogo em inglês e alemão, cujo design gráfico foi da responsabilidade da Fundação Calouste Gulbenkian. A publicação seguiu a mesma organização que a de Lisboa, mas incluiu um maior número de ensaios: entre outros, um prefácio da autoria do diretor do Kunstverein St. Gallen Kunstmuseum, Roland Wäspe e um texto da autoria de Stephan Koja, diretor da Gemäldegalerie Alte Meister and the Skulpturensammlung de Dresden, Alemanha.

A exposição contou com o apoio da Fondation Suisse pour la Culture (Pro Helvetia), que financiou a impressão dos diferentes materiais de divulgação da mostra (convites, catálogos, programas, entre outros) e o transporte de algumas das obras de arte.

Em Lisboa, a exposição recebeu 6186 visitantes.

Joana Atalaia, 2019


Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Publicações


Fotografias


Documentação


Periódicos


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Centro de Arte Moderna), Lisboa / CAM 00466

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém valores de seguro de obras, correspondência entre serviços da FCG, lista de obras patentes e recortes de imprensa. 2000 – 2001

Arquivos Gulbenkian (Centro de Arte Moderna), Lisboa / CAM 00464

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém informações sobre empréstimos de obras. 2000 – 2001

Arquivos Gulbenkian (Centro de Arte Moderna), Lisboa / CAM 00465

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém correspondência entre as várias instituições, informações sobre empréstimos de obras, textos para catálogo e seguros. 2000 – 2002

Arquivo Digital Gulbenkian, Lisboa / ID: 109015

Coleção fotográfica, cor: aspetos (FCG, Lisboa) 2001

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