Mu. Pedro Morais. Lua em Chão de Terra Batida

Exposição dedicada ao artista Pedro Morais (1944-2018), que teve como objetivo a apresentação da instalação MU. Lua em chão de terra batida, com montagem assegurada por Cristina Sena da Fonseca. Esta instalação conjugava diversas técnicas e áreas artísticas como a arquitetura e o audiovisual.
Exhibition dedicated to artist Pedro Morais (1944-2018) presenting the art installation “MU. Lua em chão de terra batida”, curated by Cristina Sena da Fonseca. The installation included a variety of art techniques and fields, such as architecture and audio-visual art.

Programado por Jorge Molder, o projeto de Pedro Morais (1944-2018) intitulado Mu. Lua em chão de terra batida foi desenvolvido entre 2006 e 2009, tendo sido inaugurado no mês de junho de 2009 na Sala de Exposições Temporárias do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão (CAMJAP). A montagem da exposição foi assegurada por Cristina Sena da Fonseca, coordenadora da equipa de montagens do CAMJAP.

O caráter único da obra de Pedro Morais, no qual se cruzam a escultura, a pintura, o desenho e o som, faz dele um caso singular na arte portuguesa contemporânea. Segundo a opinião da jornalista Lucinda Canelas, em artigo escrito à data da morte do artista, o trabalho rigoroso de Pedro Morais «coloca o observador perante situações em que [este] é chamado a experimentar, através de um objecto ou uma arquitectura, […] situações carregadas de enigmas» (Canelas, Morreu Pedro Morais, um artista que é quase um segredo, Público, 8 jul. 2018).

Igualmente no ano do desaparecimento do artista, Maria Beatriz Marquilhas escreve, a propósito da exposição «Nudez – uma Invariante», apresentada no Palácio Pimenta: «As maquetes e os desenhos técnicos de Pedro Morais situam-se numa zona híbrida em que o gesto técnico está ao serviço do mais antigo exercício do homem perante o espaço: o da projecção de espaços improváveis, de tornar habitáveis os lugares da imaginação.» (Marquilhas, «Pedro Morais: a forma é o vazio, o vazio é a forma», Contemporânea, abr. 2018, p. 9)

As circunstâncias que precederam a apresentação de Mu. Lua em chão de terra batida são relatadas por Isabel Carlos, diretora do CAMJAP, no texto que assina para o catálogo: «Em Março deste ano, e já depois de me ter encontrado com Pedro Morais para falarmos desta exposição – a palavra “exposição” surge-me inadequada para nomear esta obra, mas, à falta de melhor, recorro à designação mais usual –, visitei o n.º 211 da Avenida da Liberdade, um enorme apartamento circular onde decorria uma mostra colectiva na qual o artista participava lado a lado com artistas mais jovens, alguns seus ex-alunos na Escola António Arroio […]. Aí vi-experienciei Focus Fatus Locus Solus […]. Sou por natureza curiosa, mas o pouco que tinha contactado e lido acerca da obra de Pedro Morais alertava-me para a dimensão de ilusão que o seu trabalho possui, ou, nas palavras do próprio, para o “criar situações onde se possa ver” – ou tocar, acrescento eu, timidamente. […] Esta intervenção [Focus Fatus Locus Solus] é a que precede temporalmente Mu – Lua em chão de terra batida, de que agora podemos usufruir no CAM.» (Mu. Pedro Morais, 2009)

Isabel Carlos refere ainda que Pedro Morais, em todo o seu trajeto, não criou mais que uma dezena de obras, «sempre em lugares não comerciais e sempre pensadas e criadas especificamente para o sítio e só acontecendo aí, quer o sítio seja uma sala de museu, uma arrecadação de um apartamento ou uma álea de um jardim» (Ibid.).

Para o espaço específico da Sala de Exposições Temporárias do CAMJAP, o artista proporia uma instalação, aliada a uma componente sonora. Ocupando o extremo esquerdo da sala, era formada por um corredor e pela construção, num plano elevado, de um espaço interior e obscurecido, onde se avistava uma paisagem sobre tela. Ao conceber uma arquitetura em posição elevada em relação ao solo, Pedro Morais pretendia que o olhar do observador coincidisse com o olhar de alguém sentado no chão, numa postura conforme à prática do zazen (segundo a qual, a mente livre de constrangimentos se centra na observação íntima de si próprio) (Faria, Público, 26 jun. 2009, p. 34).

Sublinhando o percurso proposto pelo artista, Óscar Faria considerou a obra apresentada como uma instalação que «define, desde logo, uma separação relativamente ao exterior, ao mundo que se deixa para trás, preparando o espectador para o confronto com um espaço para se experimentar um possível acordar […]. Espreitamos, tentamos ver mais, contudo, é-nos negado o acesso ao âmago da habitação, que permanece secreto: este modo de aproximação pode ter pontos de contacto com a forma de Marcel Duchamp dar a ver “Étant Donnés” (1946-1966)» (Ibid.).

Editado pela Fundação Calouste Gulbenkian, o catálogo da exposição, de edição bilingue (português/inglês), inclui o texto de Isabel Carlos e a definição da palavra «Mu», elaborada pelo artista. A publicação contém ainda fotografias da instalação, do seu processo de feitura e a reprodução de esboços geométricos preparatórios.

De um modo geral, a exposição foi bem acolhida na imprensa escrita. A título exemplificativo, reproduz-se a descrição que o crítico de arte José Luís Porfírio faz da instalação de Pedro Morais: «E o que vemos afinal? Não vemos – vamos, à medida que entramos no espaço da galeria e que o nosso olhar se habitua a uma muito acentuada penumbra, descobrindo um muro que oculta uma espécie de pátio iluminado a partir de cima, de uma janela situada ao fundo do pátio, e atrás dessa janela podemos antever o que nos parece ser outro muro com uma inscrição, ou uma pintura, em espiral; enquanto vamos descobrindo o que temos para ver, um espirro, perfeitamente justificado pela temperatura ambiente, acrescenta uma presença que a princípio não tomamos por apenas sonora, e só com a sua repetição, a intervalos irregulares, nos damos conta que o espirro faz parte da instalação.» (Porfírio, «Mu Lua em Chão de Terra Batida», Expresso, ago. 2009)

No âmbito da mostra, foram organizadas várias visitas guiadas, orientadas por Sofia Ponte.

Joana Brito, 2019


Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Eventos Paralelos

Visita(s) guiada(s)

[Mu. Pedro Morais. Lua em Chão de Terra Batida]

jun 2009 – set 2009
Fundação Calouste Gulbenkian / Centro de Arte Moderna
Lisboa, Portugal
Visita(s) guiada(s)

Uma Obra de Arte à Hora do Almoço

jul 2009 – set 2009
Fundação Calouste Gulbenkian / Centro de Arte Moderna
Lisboa, Portugal

Publicações


Material Gráfico


Fotografias

Pedro Morais (à frente) e Teresa Gouveia (atrás)
Emílio Rui Vilar (à esq.) e Isabel Carlos (à dir.)
Emílio Rui Vilar (à esq.), Isabel Carlos (ao centro) e Teresa Gouveia (à dir.)
Manuel Costa Cabral

Imprensa


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Centro de Arte Moderna), Lisboa / CAM 00608

Pasta com documentação referente à produção da exposição. 2009 – 2009

Arquivos Gulbenkian (Centro de Arte Moderna), Lisboa / CDVD 1866

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém documentação referente ao catálogo da exposição. 2009 – 2009

Arquivo Digital Gulbenkian, Lisboa / ID: 9561

Coleção fotográfica, cor: aspetos (FCG-CAM, Lisboa) 2009

Arquivo Digital Gulbenkian, Lisboa / ID: 9560

Coleção fotográfica, cor: inauguração (FCG-CAM, Lisboa) 2009


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