Le Portugal dans l'Œuvre de Francis Smith (1881 – 1961)
1969 / Centre Culturel Portugais, Paris
Filme realizado no âmbito da exposição temporária de Francis Smith no Centre Culturel Portugais da Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris, em 1969.
Numa parte introdutória do filme, é feita uma exposição biográfica da vida do pintor, iniciada com o relato da colocação de uma pedra de mármore português no ateliê de Francis Smith em Paris, na Rue Blanche, n.º 62, em sua memória. Durante o filme, a vida do pintor é relatada em voz-off, ao mesmo tempo que são mostradas imagens documentais ilustrativas da sua vida.
Francis Smith nasce em Lisboa, a 10 de outubro de 1881, acabando por ir estudar para Paris, impulsionado pelo pai. É nesta cidade que vai tomar contacto e criar amizade não apenas com artistas franceses, como Modigliani, mas também com portugueses que lá estavam a estudar, como Amadeo de Souza-Cardoso, Manuel Bentes, Eduardo Viana e Emmerico Nunes. Em Paris, Smith vai apaixonar-se pela jovem escultora Yvonne Mortier, com quem constituirá família. O pintor viveu uma vida de trabalho, sucesso e recompensas oficiais. Morreu em Paris, a 20 de outubro de 1961.
O filme inclui imagens da residência de Calouste Gulbenkian em Paris. É mencionada a sua admirável coleção, o seu mecenato e filantropia. A imagem privilegia um plano da peça de abertura da exposição, um busto de Francis Smith esculpido pela mulher. São dados planos da exposição, imagens das obras e pormenores comentados. Fala-se da homenagem que Smith faz, na pintura, ao pai, impulsionador da sua carreira de pintor, e à sua mulher. É sublinhada a influência da imagética tradicional portuguesa, motivo da exposição, com a presença das touradas, das varinas, dos pescadores da Nazaré, e até da própria luz naïve e dos tons brancos de Lisboa. A pintura de Smith é classificada pelo comentador como sendo de uma intimidade poética sem claustrofobia, o que se pode verificar nas suas pinturas de jardins, vilas, do mar, de colinas e da noite.