O Instituto
Em cada ano é selecionado um número limitado de bolseiros, designados fellows, em áreas a anunciar previamente. As residências têm lugar durante o ano académico e não excedem nove meses; podendo ter uma duração menor, não deverão todavia ser inferiores a três meses. As bolsas incluem remuneração e alojamento, e implicam a presença dos fellows no campus durante o período acordado; a qualidade de fellow do IGEA manter-se-á após o termo da bolsa, e o Instituto poderá recorrer aos conselhos dos seus fellows.
Os interessados devem apresentar individualmente a sua candidatura ao IGEA. Regra geral estarão ligados a instituições de ensino superior, mas o IGEA aceita também candidaturas de académicos independentes, de profissionais, de artistas no ativo, e de professores eméritos. As candidaturas são analisadas por um Conselho Consultivo internacional. O Conselho Consultivo, igualmente nomeado pelo Conselho Executivo da Fundação, é constituído por académicos reconhecidos, com mandatos de três a quatro anos; as suas funções incluem aconselhar o Diretor em assuntos relacionados com a missão do Instituto, nomeadamente o recrutamento de bolseiros. Os membros do Conselho Consultivo não podem escrever cartas de recomendação para candidatos.
A candidatura é acompanhada de um curriculum vitae, uma breve descrição das atividades a realizar durante a residência no IGEA, e duas cartas de referência, a enviar diretamente ao Instituto pelos seus autores. A oferta de bolsas é feita aos candidatos selecionados até ao final de janeiro de cada ano. A lista final de fellows é anunciada oficialmente até 15 de abril. As nomeações não são renováveis e os bolseiros não podem voltar a candidatar-se nos cinco anos seguintes à sua última residência.
O requisito de residência física foi concebido para facilitar a interação intelectual, mas não obriga à interação intelectual. O IGEA acredita que só um empenhamento voluntário pode produzir comunidades intelectuais duradouras. Por conseguinte, não dá pareceres sobre o conteúdo de quaisquer candidaturas e só muito excecionalmente financia candidatos envolvidos em projetos conjuntos ou análogos.
O IGEA pode, no entanto, dar atenção a propostas inovadoras e invulgares, ou mesmo a propostas cujo conteúdo possa ter obstado ao financiamento por instituições congéneres. O IGEA acredita que as comunidades académicas nascem, na maior parte dos casos, do esforço de tornar mutuamente inteligíveis esforços académicos e domínios do conhecimento distintos, e até profundamente diferentes.
Os benefícios de uma residência no IGEA só podem ser alcançados se a sua organização e funcionamento interno se mantiver flexível e eficaz. No IGEA, os fellows terão à sua disposição espaços de trabalho individuais e privativos; pequenas salas de seminários, uma sala comum e uma pequena biblioteca de referência com acesso a recursos eletrónicos significativos; e, não menos importante, acesso a um pequeno restaurante no Instituto e a bibliotecas universitárias na região de Lisboa. Os fellows poderão aceder permanentemente às instalações e poderão receber convidados em ocasiões especiais.
Embora as suas obrigações sejam mínimas, será possível aos fellows, se o desejarem, organizar seminários internos e grupos de discussão. Algumas dessas interações poderão eventualmente ser abertas ao público ou a convidados externos: colóquios de pequena dimensão, conferências e workshops, nomeadamente em associação com colegas de instituições de ensino superior.
As instalações incluem um auditório destinado a estas atividades públicas. O IGEA procura que as condições logísticas sejam fáceis e simples de assegurar. Garante também que os fellows que não desejem participar nessas atividades públicas não o façam, e protege do acesso público os seus espaços de trabalho e áreas de circulação.
O IGEA acredita que a relevância do conhecimento resulta da interação livre entre académicos. Não emite por isso opiniões ou recomendações sobre questões de conteúdo académico, políticas públicas ou temas da atualidade. O seu objetivo é apenas o de proporcionar a académicos genuinamente curiosos o tempo e o sossego que os ajudem a desenvolver do melhor modo possível as suas próprias ideias, muitas vezes através de discussões com outros académicos em situação idêntica. O avanço do conhecimento resulta da liberdade de discussão. O IGEA manter-se-á firmemente empenhado na promoção dessa liberdade.