Centro de Arte Moderna – Estudo das relações visuais a preservar

Em 1980 a Administração da Fundação decide construir o Centro de Arte Moderna – CAM no limite sul onde já em 1965 se havia pensado construir o Centro de Ballet.

Esta decisão da Administração da Fundação foi contestada vigorosamente pelos arquitetos paisagistas. Estes, reconhecendo a importância de um equipamento desta natureza, consideravam que ele se deveria localizar não no limite sul, mas no limite poente do terreno, sobre a rua Nicolau Bettencourt, onde se encontrava uma mancha de ulmeiros que iria desaparecer em breve – uma vez que muitas das árvores que a constituíam apresentavam sintomas de Graphium ulmi

António Facco Viana Barreto e Gonçalo Ribeiro Telles defendiam que esta localização:

– Não comprometeria as áreas de maior utilização do parque;

– Não interferiria nas panorâmicas sobre o lago, no enquadramento do edifício e na leitura dos pontos de fuga que se perdiam na profundidade da vegetação;

– Não mutilaria a composição unitária, que edifícios e parque constituíam, como acontecia com a proposta apresentada pela Administração;

– Manteria a integridade da unidade paisagística:  a encosta que desce de São Sebastião;

– Garantiria, no futuro, a expansão do Parque para o Jardim da casa de Santa Gertrudes.

Todos estes argumentos eram os fundamentos que haviam estado presentes na proposta apresentada por estes arquitetos paisagistas, em dezembro de 1961. Esta proposta coerente dos projetistas não foi aceite. António Barreto, perante este facto, demite-se do cargo de consultor que desempenhava na Fundação Calouste Gulbenkian desde 27 de maio de 1976. Gonçalo Ribeiro Telles, então deputado na Assembleia da República, encabeça um movimento de opinião  que se opõe àquela tomada de decisão. Escreve-se e fala-se sobre este assunto nos media. Um grupo de cidadãos chega mesmo a propor a classificação do jardim como monumento nacional. O que só em 2006 se concretizou.

  • Data de produção: 1966
  • Projetistas (autores principais): BARRETO, António Facco Viana, TELLES, Gonçalo Pereira Ribeiro
  • Fase do projeto: Revisão de 1966