Sonia Wieder-Atherton
Violoncelo
Sonia Wieder-Atherton procura na música uma linguagem que fale para o mundo. A sua busca levou-a numa viagem através repertórios diversos, de descoberta em descoberta. Explorando constantemente caminhos musicais entrecruzados, move fronteiras e desvenda o conhecimento recebido com grande significado.
À DESCOBERTA DE UMA VOZ
Nasceu em São Francisco, filha de mãe romena e de pai americano, mas cresceu em Nova Iorque e em Paris. Cedo ingressou no Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris, onde estudou com Maurice Gendron. Aos 19 anos atravessou a Cortina de Ferro para ir viver em Moscovo, onde estudou no Conservatório Tchaikovsky com Natalia Shakhovskaya. Esses anos proporcionaram-lhe uma formação de primeiro nível e deixaram-lhe uma relação especial e duradoura com o tempo e a história. De regresso a França, aos 25 anos, venceu o Concurso Rostropovich.
LEVAR A MÚSICA DE HOJE PARA O PALCO
Os espetáculos de Sonia Wieder-Atherton desenvolveram um relação próxima com muitos compositores contemporâneos como Betsy Jolas, Pascal Dusapin, Georges Aperghis, Francesco Filidei, Wolfgang Rihm, Bernard Foccroule e Edith Canat de Chizy. Como solista, tocou sob a direção de muitos maestros de renome e orquestras como a Orquestra de Paris, a Orquestra Nacional Francesa, a Orquestra Nacional Belga, a Filarmónica de Liège, a Filarmónica de Israel, a Orquestra Gulbenkian, a Filarmónica do Luxemburgo, a NDR Radiophilharmonie (Hanôver), o REMIX Ensemble e os ensembles Les Siècles ou Asko|Schönberg. Interpreta regularmente música de câmara com artistas como Imogen Cooper, Elisabeth Leonskaja, Raphaël Oleg, Alexander Paley e Bruno Fontaine, entre outros.
UM MUNDO MUSICAL
Chants Juifs, um ciclo para violoncelo e piano inspirado na arte de Hazzan; Chants D’Est, para violoncelo e grupo instrumental, alinhamento concebido como uma jornada desde a Rússia até à Europa Central; Vita, para violoncelo solo e três violoncelos, onde conta a história de Angioletta-Angel através de dois génios intemporais, Monteverdi e Scelsi. Odyssée pour violoncelle et choeur imaginaire, onde uma mulher, sozinha com o seu violoncelo, acompanhada por uma banda sonora, enfrenta os elementos: vento, ondas, caos, tempestades. Cadenza, ou os sonhos de Luigi Boccherini; Little Girl Blue, uma carta a Nina Simone.
CRIAR PARA O PALCO
Os mundos musicais de Sonia Wieder-Atherton usam muitos materiais e vozes. Tem sido a impulsionadora de muitos projetos que desenha e encena: D’Est en Musique, uma espetáculo imaginado a partir das imagens do filme D’Est, de Chantal Akerman; Danses Nocturnes, com Charlotte Rampling, cruzando obras de Benjamin Britten e Sylvia Plath; Shakespeare Bach, com Charlotte Rampling, em torno de sonetos de Shakespeare e ainda Bach e Monteverdi; Navire Night de Marguerite Duras, com Fanny Ardant; Exil, uma criação para violoncelo, piano e oito vozes. Trabalhou também com a bailarina Shantala Shivalingappa, o poeta André Markowicz, e o cantor pop francês Jacques Higelin.
Em 2020 firmou uma parceria com a editora Alpha Classics. Em 2011 recebeu o Prémio da Artes da Fundação Bernheim. Em 2015 foi condecorada Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres. Em 2018 tocou na homenagem solene a Simone Veil no Panteão de Paris.