Respighi e Strauss

Orquestra Gulbenkian / Giancarlo Guerrero

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Estreada em 2011 pelo maestro Giancarlo Guerrero, a Suite Sinfónica de “Ariadne auf Naxos”, de Richard Strauss, um arranjo de D. Wilson Ochoa, tem a sua primeira apresentação em Portugal. Trabalhando a partir da partitura original de Strauss, Ochoa criou uma suite sinfónica carregada de intensa beleza, numa revisitação da música que o compositor austríaco imaginou para a ópera Ariadne auf Naxos. A partir da mitologia grega, e da história da paixão da princesa Ariadne pelo príncipe Teseu, deslocado a Creta para matar o Minotauro, Strauss e Ochoa convergem numa música grandiosa e evocativa.


Programa

Orquestra Gulbenkian
Giancarlo Guerrero Maestro
Glass Marcano Maestrina em residência

Ottorino Respighi (1879 – 1936)
Trittico Botticelliano
1. A Primavera
2. A Adoração dos Magos
3. O Nascimento de Vénus

Composição: 1927
Estreia: Viena, 28 de setembro de 1927
Duração: c. 18 min.

Embora natural de Bolonha, em Itália, onde nasceu em 1879, foi por terras russas e germânicas que o compositor Ottorino Respighi viu a sua carreira ganhar forma quando teve oportunidade de estudar com grandes compositores da época, tais como Nikolai Rimsky-Korsakov e Max Bruch. Porém, é a Roma que o seu nome estará para sempre associado, devido à sua célebre trilogia romana composta pelos poemas sinfónicos Le Fontane de Roma, I Pini di Roma e Feste Romane.

Para chegarmos ao Trittico Botticelliano temos de seguir para norte no mapa de Itália, até à cidade berço do Renascimento, Florença. É lá, na famosa Galleria degli Uffizi, que ainda hoje encontraremos as três pinturas do renascentista Sandro Botticelli que serviram de inspiração e compõem este tríptico escrito em 1927 por Respighi – A Primavera, A Adoração dos Magos e O Nascimento de Vénus. A ideia para este trabalho terá surgido aquando de uma viagem do compositor aos Estados Unidos da América, uma viagem financiada por Elizabeth Sprague Coolidge, a quem Respighi viria a dedicar este Trittico Botticelliano e a quem se deve o patrocínio para a digressão europeia desta obra que se seguiu à sua estreia em Viena. Mas esta é apenas uma das muitas obras dedicadas a esta pianista e notável mecenas norte-americana, que entre as dezenas de compositores que apoiou diretamente incluem-se encomendas a Bartók, Poulenc, Prokofiev, Ravel, Schönberg e Stravinsky.

O primeiro andamento traz-nos uma representação exuberante da Primavera, com o fagote a introduzir uma melodia dançável que é de seguida ecoada por todo o conjunto orquestral. Respighi foi também um estudioso da história da música italiana, não sendo por isso de estranhar que esta melodia se assemelhe ao estilo da música presente em festas renascentistas da época de Botticelli.

A Adoração dos Magos é construída em torno da antífona "Veni, Veni, Emmanuel", um tradicional hino de Advento – o período de quatro semanas que antecede o Natal. A abertura, triste e misteriosa, de novo com o fagote como protagonista e ao qual se juntam o oboé e a flauta, vai cedendo a texturas musicais mais coloridas à medida que cada um dos três Reis Magos chega à manjedoura e apresenta o seu precioso presente.

Em O Nascimento de Vénus, Respighi tenta ilustrar musicalmente aquela que é considerada a pintura mais célebre de Botticelli e em que a recém-nascida Vénus surge dentro de uma grande concha. Este nascimento é representado através de linhas melódicas que se aglutinam sobre um movimento constante, primeiro nas cordas e depois pelas madeiras, que traduz a ondulação do imenso mar que está presente na pintura.

Respighi é reconhecido como um dos maiores mestres ao nível do timbre e das cores orquestrais, sendo esta obra uma verdadeira prova disso. Na realidade, as três pinturas não têm muito em comum para além do artista e da galeria onde se encontram, mas Respighi consegue que a textura e a atmosfera, elementos importantes na sua música, criem um elo de ligação entre estas três obras primas de Botticelli.

 

Richard Strauss (1864 – 1949)
Suite Sinfónica de Ariadne auf Naxos *
(arranjo de D. Wilson Ochoa)
Prólogo – Dueto – Valsa – Abertura – Ária – Interlúdio – Final

Composição: 1912, rev.1916 / arr. 2010, rev. 2016
Estreia: Nashville, 6 de outubro de 2011
Duração: c. 38 min.

Depois de Elektra e O Cavaleiro da Rosa, a ópera Ariadne auf Naxos, de Richard Strauss, resultou de mais uma colaboração entre o compositor alemão e o escritor austríaco Hugo von Hofmannsthal. A primeira versão desta ópera, baseada na mitologia grega, data de 1912 e foi inicialmente concebida para ser apresentada como um breve complemento à peça cómica Le Bourgeois gentilhomme, de Molière, que Hofmannsthal havia adaptado e para a qual Richard Strauss compôs música de acompanhamento. A junção da peça com a ópera acabaria por levantar vários problemas: a duração total verificou-se ser incomportável para o público e havia ainda o custo elevado de contratar uma companhia de atores, uma companhia de ópera e uma orquestra. Foi então que Hofmannsthal propôs que a peça fosse substituída por um prólogo, que antecederia a ópera e retratasse com algum humor os bastidores que levariam à apresentação da mesma. O argumento relata as consequências da contratação de uma companhia de ópera, por parte do "homem mais rico de Viena", que deveria estrear a ópera séria Ariadne auf Naxos escrita por um jovem compositor, e de uma outra companhia que apresentaria uma comédia italiana após a ópera. Os confrontos tornam-se inevitáveis e agravam-se pelo facto de as atuações não se poderem prolongar para além das 21 horas devido ao fogo de artifício. A solução passa então por misturar as duas obras perante a resistência do jovem compositor. Este Prólogo traz à discussão a disputa entre a ópera séria e a ópera buffa pela atenção do público. Esta nova versão viria a ser estreada em 1916.

A Suite Sinfónica de Ariadne auf Naxos é nada mais do que uma combinação orquestral dos elementos musicais que compõem o Prólogo e a Ópera. O compositor deste arranjo, D. Wilson Ochoa, manteve as tonalidades originais de Strauss e a instrumentação de 36 músicos, com exceção para a inclusão do corne inglês, em detrimento do segundo oboé, que na opinião de Ochoa provou ser um instrumento ideal para assumir a interpretação de algumas linhas vocais. Aparte esta particularidade, a instrumentação original de Strauss não deixa de ser peculiar pela sua diversidade e simultaneamente pela dimensão reduzida, isto se compararmos com todas as outras óperas do compositor.

A suite é estruturada em sete secções continuas – Prólogo, Dueto, Valsa, Abertura, Ária, Interlúdio e Final. O Prólogo apresenta todos os temas principais que serão desenvolvidos nas secções subsequentes, com a calma e melodiosa Abertura a servir de ponte para a passagem às secções que retratam a “ópera dentro da ópera” e onde se inclui a famosa ária de Ariadne “Es gibt ein Reich” ou o encantador Interlúdio, presente na versão de 1912 e retirado para poupar tempo na duração da atuação.

A suite teve a sua estreia em outubro de 2011 pela batuta do maestro Giancarlo Guerrero, a quem o arranjo é dedicado. Este trabalho, pouco comum, permite que a orquestra explore uma obra ímpar, que mistura intensidade com humor e toda a riqueza melódica a que Richard Strauss nos habituou.

Notas de Élio Anes Leal

 

* Estreia em Portugal


GUIA DE AUDIÇÃO

Por Sérgio Azevedo

No Guia de Audição desta semana, Sérgio Azevedo apresenta-nos as duas obras em programa.


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