Pedro Moreira Sax Ensemble

Two Maybe More

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Na origem, Two Maybe More foi um espetáculo criado pelo realizador e encenador Marco Martins em parceria com os coreógrafos Sofia Dias e Vítor Roriz, e o palco era lugar de coabitação entre os gestos quotidianos e os movimentos coletivos do Coro Gulbenkian. A música de Pedro Moreira, encomendada pela Fundação Gulbenkian, seguia esses quadros de fricção entre o indivíduo e o coletivo. Passados sete anos, Pedro Moreira revisita essa composição com um Sax Ensemble em que se faz acompanhar por sete outros saxofonistas de exceção (Ricardo Toscano, Daniel Sousa, Tomás Marques, Bernardo Tinoco, Mateja Dolsak, Francisco Andrade e João Capinha), numa versão revista, aumentada e sedutora do equilíbrio entre a minúcia da música escrita e a urgência da improvisação.


Programa

Pedro Moreira Saxofone tenor
Mateja Dolsak Saxofone tenor
Ricardo Toscano Saxofone alto
Daniel Sousa Saxofone alto
Tomás Marques Saxofone soprano
Bernardo Tinoco Saxofone soprano
Francisco Andrade Saxofone barítono
João Capinha Saxofone barítono
Mário Franco Contrabaixo
Luis Candeias Bateria

A música tocada pelo Sax Ensemble (oito saxofones, contrabaixo e bateria, uma formação nada vulgar) de Pedro Moreira começou por ser destinada à interpretação de oito solistas do Coro Gulbenkian e teve como propósito “servir” a coreografia com o mesmo título, “Two Maybe More”, de Sofia Dias, Vítor Roriz e Marco Martins. A própria situação diz muito do perfil deste compositor e saxofonista que habita tanto no mundo do jazz quanto da música contemporânea, escrevendo para combos, big bands, grupos de câmara e orquestras sinfónicas, em muitos casos por encomenda de espectáculos de teatro e dança. A revisão das partituras de 2014 que entretanto realizou, e que colocou em disco no presente ano, 2021, pode ter acentuado a componente jazzística, mas esta já estava patente – como quase sempre – na versão coralista. A “clássica”, essa, mantém-se. O conceito “dois, talvez mais” explicita a abordagem em causa: que o trabalho do ensemble nunca aliene as identidades pessoais dos seus membros, e tanto assim que as adaptações da obra foram realizadas tendo os músicos do tenteto em mente, segundo a fórmula de Duke Ellington replicada por figuras como Charles Mingus, Wayne Shorter, John Hollenbeck e Nils Wogram.

Outras oposições para além do binómio individual versus colectivo são exploradas: composição e improvisação articulam-se de maneiras assaz intrigantes e assim acontece no que respeita às combinações entre narrativa musical e abstracção. Daí o efeito caleidoscópico obtido tanto em termos de forma quanto de expressão, num funcionamento de relógio em que o próprio movimento mecânico das peças interiores se torna perceptível. Dois exemplos são “Lado”, tema baseado nas notas lá e dó, e “Binário”, este agindo numa lógica de interruptor curto / longo, pelo menos até tudo se dissolver numa nuvem de som.

Rui Eduardo Paes

 


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