Oratória de Natal

Coro e Orquestra Gulbenkian / Grete Pedersen

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Grande Auditório Fundação Calouste Gulbenkian

Uma das mais reputadas e requisitadas maestrinas especializadas em música coral, a norueguesa Grete Pedersen fundou o Oslo Chamber Choir em 1984 e tem dirigido obras corais e sinfónicas à frente do Rundfunkchor Berlin, do MDR Leipzig Radio Choir, da Mahler Chamber Orchestra ou da Yale Camerata. Um dos seus álbuns mais premiados é dedicado aos Motetes de J. S. Bach, compositor a que também se dedicará nesta sua passagem pela Gulbenkian Música, dirigindo o Coro e a Orquestra Gulbenkian em duas cantatas da Oratória de Natal. Um programa perfeito para esta quadra.


Programa

Coro Gulbenkian
Orquestra Gulbenkian
Grete Pedersen Maestrina
Cecília Rodrigues Soprano
Lucia Napoli Meio-Soprano
Marco Alves dos Santos Tenor
Hugo Oliveira Barítono

Francisco Lima Santos Violino
Cristina Ánchel Flauta
Pedro Ribeiro Oboé / Oboé de amor
Nelson Alves Oboé / Oboé de amor
Adrían Martinez Trompete
Carlos Leite Trompete
Carlos Roda Cubas Trompete

BAIXO CONTÍNUO
Varoujan Bartikian Violoncelo
Domingos Ribeiro Contrabaixo
Raquel Saraiva Fagote
Nuno Oliveira Órgão

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)
Oratória de Natal (Weihnachtsoratorium), BWV 248 / I-II

Composição: 1734
Estreia: Leipzig, 1734-35
Duração: c. 70 min.

A Oratória de Natal foi composta por Johann Sebastian Bach em finais de 1734, no desempenho das suas funções enquanto Kantor da Igreja de São Tomé, em Leipzig. São seis cantatas para cada uma das seis festas que pontuavam os treze Dias de Natal prescritos no calendário luterano do séc. XVIII: o Nascimento de Jesus (Dia de Natal); a Anunciação aos Pastores (26 de dezembro); a Adoração dos Pastores (27 de dezembro); a Festa da Circuncisão (Dia de Ano Novo); a Viagem dos Reis Magos (1.º domingo depois do Ano Novo) e a Festa da Epifania [Adoração dos Reis Magos] (6 de janeiro). Cada uma das seis cantatas tinha uma função litúrgica específica: ser interpretada, de acordo com o Oficio luterano, entre a leitura do Evangelho e o Sermão. Esta funcionalidade confere-lhes um grau de independência entre si, apesar da sua organização interna ser semelhante, segundo as convenções esquemáticas da arquitetura musical luterana: um coro inicial, uma sucessão de recitativos-árias musicalmente contrastantes e um coral conclusivo. Contudo, o que à primeira vista parece ser uma mera compilação de cantatas agrupadas sob um mesmo título, Oratorium Tempore Nativitatis Christi é, na realidade, um imponente arco narrativo de amplo alcance, em que a diversidade de elementos conflui para um único desígnio artístico.

Desde logo, a unidade revela-se através do libreto. Ao contrário do que era comum às cantatas canónicas, assentes num texto poético-teológico, igualmente presente na Oratória de Natal, encontramos a figura musical do Evangelista, um tenor, que percorre a narrativa natalícia dos evangelhos de São Lucas (Cantatas I-IV) e São Mateus (Cantatas V-VI) de forma cronológica, o que do ponto de vista meramente litúrgico, entra em conflito com o Evangelho do dia das cantatas V e VI. Talvez seja este detalhe a resposta ao facto de Picander (pseudónimo de Christian Friedrich Henrici, o autor do libreto da Paixão Segundo São Mateus) não ter associado o seu nome ao libreto, quando todas as evidências estilístico-poéticas apontam nessa direção.

Apesar de a base musical da Oratória de Natal serem as cantatas seculares BWV 213-214, dedicadas a figuras da realeza saxónica em 1733, são vários os pontos de unidade: todos os coros iniciais são em andamento ternário, figura da retórica musical associada à Santíssima Trindade; os trompetes e timbales são usados apenas nas três cantatas em que a figura de Jesus é proclamada como o Messias; o coral Vom Himmel hoch, de Lutero, nas três primeiras cantatas, e o coral O Haupt voll Blut und Wunden, de Hassler, na primeira cantata (“Wie soll ich dich empfangen”) e na última (“Nun seid ihr wohl gerochen”), prenúncio da Paixão de Cristo.

A Cantata I inicia-se com o festivo coro “Jauchzet, frohlocket!”. O Evangelista conta-nos que Maria e José se dirigiram a Belém para o censo ordenado pelo imperador Augusto. O alto interrompe a narrativa, introduzindo a figura de Jesus como um noivo prometido a Sião, conduzindo à ária “Bereite dich”. A dignidade régia do recém-nascido é exaltada pelo baixo na ária “Großer Herr”, com um triunfante solo para trompete. Em contraste evidente surge o coral final, em que a intimidade da oração proclamada pelo coro é intercalada por solenes fanfarras.

Ao contrário das restantes, a Cantata II começa com uma sinfonia pastoral, criando um ambiente de profundíssima contemplação. Simbolicamente, as flautas e as cordas estão associadas à “música dos anjos”, e os oboés d’amore e da caccia à “música dos pastores”. Os motivos melódicos da sinfonia serão recuperados no coral final, alternando-os com o coro. O Evangelista narra o aparecimento de um Anjo aos pastores, incitando-os a ir adorar o recém-nascido, o Salvador. A ária “Frohe Hirten” é a passagem mais virtuosa de toda a oratória, com longuíssimos melismas para tenor e flauta solo. Por oposição, a ária “Schlafe, mein Liebster” apresenta o alto personificando a Virgem Maria, num hino de amor maternal. A proclamação dos Anjos, o coro “Ehre sei Gott” é uma teia de contraponto construída sobre o tema do cantochão gregoriano Gloria in excelsis entoado pelos oboés d’amore.

José Bruto da Costa


GUIA DE AUDIÇÃO

Por Alexandre Delgado

No Guia de Audição desta semana, Alexandre Delgado apresenta-nos uma das obras-primas de J. S. Bach.

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