Coro Gulbenkian A Cappella

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Um concerto de entrada gratuita com o Coro Gulbenkian em formação a cappella, sob a direção de Martina Batič.


Programa

Coro Gulbenkian
Martina Batič Direção
Ricardo Martins Piano

Ana Raquel Sousa
Ariana Russo
Claire Santos
Clara Coelho
Maria José Conceição
Susana Duarte

Fátima Nunes
Joana Esteves
Joana Nascimento
Lucinda Gerhardt
Marta Ribeiro
Rita Tavares

Artur Afonso
Francisco Cortes
Gerson Coelho
Jorge Leiria
Pedro Miguel
Rui Miranda

Afonso Moreira
João Costa
Miguel Jesus
Nuno Rodrigues
Pedro Casanova
Rui Bôrras

 

Diogo Dias Melgás (1638 – 1700)
Salve Regina
In jejunio et fletu
Adjuva nos Deus

Diogo Dias Melgás (1638-1700) nasceu em Cuba, no Alentejo e iniciou os seus estudos musicais como menino de coro no Colégio da Sé de Évora.  Último grande expoente da tradição polifónica portuguesa do séc. XVII, foi mestre de capela na Sé de Évora. Entre as obras de Melgás que sobreviveram até os nossos dias encontra-se um notável conjunto de motetes, entre os quais se incluem as três peças deste programa. Entre elas, o Salve Regina constitui-se como uma antologia das técnicas do compositor português. A música de Melgás utiliza texturas mais simples do que as dos seus predecessores, mas o seu estilo altamente expressivo assinala o surgimento de uma geração mais modernista, bem como da transição para o Barroco. Sem nunca abandonar inteiramente a herança modal, utiliza ousadas harmonias em combinação com o trabalho contrapontístico, empregando com frequência padrões tonais.

 

Claudio Monteverdi (1567 – 1643)
Baci soavi e cari

O compositor italiano Claudio Monteverdi (1567-1643) foi sucessivamente músico da corte de Mântua e mestre de capela da Basílica de São Marcos, em Veneza. Como compositor de madrigais e de ópera, conferiu um forte impulso ao processo de transição da polifonia do Renascimento para um estilo mais livre e dramático, baseado na monodia e no baixo-contínuo. Figura também como o último grande vulto do madrigal e o primeiro grande compositor de ópera.

Forma secular, o madrigal era um símbolo de síntese entre as artes e de afirmação artística entre a sofisticada cultura aristocrática da época. No seu Primeiro Livro de Madrigais, Monteverdi utiliza uma grande variedade de efeitos de luz e sombra e semeia, de forma eficaz, sementes melódicas e harmónicas que germinariam nas suas obras de maturidade. O seu Primeiro Livro de Madrigais foi publicado em Veneza em 1587, tendo constituído um grande desafio para o ainda jovem compositor. Nele se inclui a peça que abre o presente programa, Baci soavi e cari, sobre um texto de Giovanni Battista Guarini, uma narrativa onde uma sucessão de suspiros amorosos e uma explícita reunião entre amantes nos transporta para um quadro de claro erotismo.

 

John Dowland (1563 – 1626)
Fine Knacks for Ladies

Entre 1579 e 1584, John Dowland (1563-1626) esteve ao serviço do embaixador inglês em Paris. Em França familiarizou-se com a air de cour, estrófica e de texturas homofónicas, tornando-se num expoente da composição de ayre, canção com acompanhamento de alaúde. Trabalhou em Itália, na Alemanha e na corte real dinamarquesa, tendo regressado definitivamente a Inglaterra em 1606. Além de compositor, foi também um exímio alaudista e cantor, sendo muitas das suas canções caracterizadas por uma gentil e sofisticada melancolia. No entanto, este não é o caso da animada canção Fine Knacks for Ladies, uma das suas mais populares composições, onde o autor anónimo do texto assume o papel de um vendedor ambulante. Foi incluída no The Second Book of Songs or Ayres, publicado em Londres em 1600 e dedicado a Lucy Russell, Condessa de Bedford.

 

Johannes Brahms (1833 – 1897)
Sehnsucht, op. 112 n.º 1
Nächtens, op. 112 n.º 2
Der Gang zum liebchen, op. 31 n.º 3

O Requiem Alemão, op. 45, escrito entre 1865 e 1868, para grande orquestra, coro e solistas, é certamente a composição para vozes mais conhecida e celebrada de Johannes Brahms (1833-1897). É, apesar de tudo, apenas um exemplo de um repertório muito rico, onde se destacam os Lieder, mas que também inclui obras para coro a cappella e ainda duetos e quartetos vocais com acompanhamento de piano.

No verão de 1891, Brahms compôs seis quartetos vocais que seriam impressos no outono desse ano. Este conjunto de obras divide-se em dois grupos contratantes: as primeiras duas canções, Sehnsucht e Nächtens, num tom melancólico, sobre poemas de Franz Kugler, juntam-se a quatro Zigeunerlieder “Canções Ciganas” de grande vitalidade. Pela sua unicidade, as duas primeiras canções são frequentemente interpretadas em conjunto não só por quarteto vocal, mas também por grupo coral.

Der Gang zum liebchen pertence a um conjunto de três quartetos compostos entre 1859 e 1863, tendo sido publicado em 1864. O op. 31 n.º 3 é uma melodiosa canção estrófica em ritmo ternário de dança (valsa), sobre um poema do folclore boémio traduzido por Josef Wenzig. O piano assume especial protagonismo ao introduzir e pontuar uma atmosfera de paixão e lamento.

 

Morten Lauridsen (n. 1943)
Dirait-on

O ciclo de cinco canções Les Chansons des Roses, sobre poemas de Rainer Maria Rilke (1875-1926) foi composto pelo americano Morten Lauridsen (n. 1943) em 1993. Para além da vasta poesia em alemão, Rilke escreveu também muitas dezenas de poemas em francês. Dirait-on encerra o ciclo definido por Lauridsen, mas foi o primeiro dos poemas de Rilke a ser musicado. Um misterioso e contemplativo poema em torno de uma rosa é iluminado musicalmente por Lauridsen como uma melodiosa chanson populaire.

 

Eurico Carrapatoso (n. 1962)
Ó meu Menino

Eurico Carrapatoso (n. 1962) é um dos mais prestigiados e ecléticos compositores contemporâneos portugueses. A sua música tem vindo a ser regularmente executada, editada e difundida desde 1987, não apenas na Europa, mas também nos restantes continentes, tendo nomeadamente sido galardoado em Portugal e no estrangeiro. Em Ó meu Menino (1997), uma das suas peças mais conhecidas, utiliza uma melodia tradicional do Alentejo sobre a qual desenvolve um trabalho requintado de harmonia e de utilização dos recursos vocais. O resultado é suave, calmo e quase hipnótico. Cada verso é tratado de forma diferente, dando a todas as vozes a oportunidade de cantarem a melodia.

 

Joly Braga Santos (1924 – 1988)
Cuatro canciones
1. De los álamos vengo
2. Al alba venid
3. Al cantar de las aves
4. Ay, luna que reluces

Joly Braga Santos (1924-1988) foi maestro e compositor. Numa fase inicial, a sua música refletiu um gosto especial pela música tradicional e pela polifonia renascentista. Depois de realizar estudos de composição em Itália, adquiriu uma postura mais vanguardista, no entanto sem prejuízo da sua própria identidade musical. Na sua música vocal, o texto determina o fluir da música a nível melódico e rítmico, enquanto que as cores harmónicas definem as tensões e as densidades e servem as situações e os ambientes. As Cuatro Canciones, sem data de composição, mas estreadas em 1973 pelo Coro Gulbenkian, são sobre textos anónimos dos séculos XV e XVI. As canções, melodiosas e luminosas, revelam uma escrita simples e melódica, quase sempre de caráter modal.

 

Béla Bartók (1881 – 1945)
Quatro Canções Nacionais Eslovacas, Sz. 70
1. Zadala mamka, zadala dcéru
2. Na holi
3. Rada pila, rada jedla
4. Gajdujte, gadjence

Béla Bartók (1881-1945) nasceu numa região rural da Hungria (hoje parte da Roménia) e foi influenciado, desde muito cedo, pelas melodias tradicionais que com facilidade reproduzia no piano. Filho de um músico amador e de uma professora de piano, receberia também uma formação clássica formal, nomeadamente no Conservatório de Budapeste. Do seu envolvimento profundo com o estudo da cultura popular resultaria a recolha e publicação de centenas de melodias de raiz tradicional, cinco livros e inúmeros artigos sobre música folclórica.

Os primeiros arranjos corais de canções populares foram compostos por Bartók entre 1910 e 1917. Datam deste último ano as Quatro Canções Nacionais Eslovacas, para coro misto com acompanhamento de piano, composições que seriam publicadas em 1924. A abordagem musical é geralmente homofónica, com momentos pontuais de polifonia e estilo imitativo. A primeira canção, introduzida pelo piano em modo menor, é a mais longa e melancólica. O texto, cantado inicialmente pelas vozes femininas em sequência, consiste num diálogo entre uma mãe e a sua filha, esta última expressando amargura por se casar noutro outro com um homem mau. A segunda é uma curta e alegre canção campesina alusiva aos ceifeiros, enquanto que as terceira e quartas canções, também muito curtas, são triunfantes e em ritmo de dança.

 

Fernando Lopes-Graça (1906 – 1994)
Três esconjuros
1. Contra os maus encontros
2. Contra os maridos transviados
3. Contra as trovoadas

Destacada figura da música e da cultura portuguesas do século XX, Fernando Lopes-Graça (1906-1994) foi compositor, pianista, maestro, professor e musicólogo. Pesquisador e estudioso da música tradicional portuguesa, integrou-a de algum modo na sua música, seja diretamente pela harmonização das suas melodias, seja através da integração das suas características (ritmos, melodia, harmonia) no seu estilo pessoal. Os Três esconjuros, de 1956, usam textos tradicionais, e foram dedicadas ao Coral dos CTT, que os estreou em 1957. Numa atmosfera luminosa, a constante liberdade rítmica, a harmonia obstinada e a invenção de um mundo folclórico imaginário revelam um profundo conhecimento dos movimentos e correntes contemporâneas.

Notas de Miguel Martins Ribeiro


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