Angélica Salvi / The Selva

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ARTISTAS

Angélica Salvi

Angélica Salvi Harpa, Eletrónica

Se a música é a mais abstrata das artes, será também aquela que melhor veicula o trânsito das emoções, as de quem toca e de quem ouve, de quem toca para quem ouve e até de quem ouve para quem toca. “Phantone”, álbum a solo saído em 2019 de Angélica Salvi, harpista espanhola há muitos anos radicada no Porto, não só evidencia essa particular condição como tem a rara faculdade de fazer com que voltemos a acreditar num futuro para a música no cada vez mais horrendo mundo de hoje. 

Neste projeto, Salvi reúne as suas diferentes valias enquanto intérprete dos compositores contemporâneos e enquanto improvisadora e junta-lhe algo mais, algo que surge entre um imaginário “folky” sem origens temporais e geográficas definíveis e uma aguda sensibilidade exploratória que recorre a preparações e a processamentos eletrónicos de sinal para de tudo isso fazer algo de diferente e novo. O que ouvimos pode ser da matéria dos sonhos, de tão estranho que nos soa, mas não ficamos alienados. Esta é uma música redentora, uma música que salva, que faz com que ainda queiramos continuar. Em vez de nos prender às cadeiras, mesmo o belíssimo tema “Indigo” tem a particularidade de nos fazer querer mais e agir em conformidade.

Rui Eduardo Paes

 

The Selva

Ricardo Jacinto Violoncelo
Gonçalo Almeida Contrabaixo
Nuno Morão Bateria

Com The Selva, o uso da repetição adapta as lições do minimalismo norte-americano – o de Steve Reich, mas sobretudo aquele praticado por Arnold Dreyblatt – na construção de temas assentes em pequeníssimos elementos. As frases obstinadas do violoncelo e do contrabaixo suportam uma série de micro-acontecimentos que ganham dimensão precisamente por terem uma base previsível. Surgem igualmente contínuos atonais que relembram as explorações de Harry Partch, resultando numa espécie de tubo de som flutuante que vai mudando de direção por meio das sugestões da bateria.

Saído em 2019, o mais recente álbum do trio, “Canícula Rosa”, vai do noturno ao solar, com constantes mudanças de cor e de luz. O nome escolhido para este trio tem uma carga imensa: The Jungle é a designação que foi dada ao acampamento que se instalou em Calais, França, por refugiados que tentavam atravessar o Canal da Mancha. Nesse mesmo local, foi erigido um muro nas margens da autoestrada, mais uma vedação numa Europa que se esqueceu da vergonha que era o Muro de Berlim. The Selva propõe-se derrubar esse muro simbólico, tocando uma música improvisada que destoa da generalidade desta tendência. Como? Tocando algo que nos remete tanto para a música antiga como para o refrão do que poderia ser um tema dos Soft Machine, sempre com muitas mais alusões pelo meio, nenhuma delas se concretizando.

Rui Eduardo Paes


JAZZ 2020

A Fundação Calouste Gulbenkian junta-se à Associação Porta-Jazz e ao Jazz ao Centro Clube para apresentar o Jazz 2020, um ciclo com 10 concertos divididos entre Lisboa, Porto e Coimbra. Entre 31 de julho e 9 de agosto, o jazz e a música improvisada com carimbo português vão estar na ordem do dia.

Numa altura em que muitos artistas viram os seus projetos cancelados ou adiados, esta edição é também uma oportunidade única para apoiar mais de 60 músicos e as equipas técnicas envolvidas na produção destes concertos.

 

Conheça a programação

A Fundação Calouste Gulbenkian reserva-se no direito de recolher e conservar registos de imagens, sons e voz para a difusão e preservação coletiva da memória da sua atividade cultural e artística. Caso pretenda obter algum esclarecimento, poderá contactar-nos através de [email protected]

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