Gravuras Modernas do Japão
1990
Programa «Convite à Cultura Japonesa»
Exposição organizada pela Fundação Japão e pela Embaixada do Japão em Portugal e apresentada na Galeria das Exposições Temporárias da Sede da Fundação Calouste Gulbenkian. Esta mostra centrava-se num momento muito particular da história da gravura japonesa: o do seu uso por artistas contemporâneos.
A longa tradição da gravura no Japão contribuiu para que durante muito tempo este país fosse considerado o «reino da gravura», como explica Haruo Kaai no seu texto para o catálogo (Gravuras Modernas do Japão, 1990). A técnica da xilogravura – Ukiyo-e, em japonês – prosperou no período Edo (1603-1868) e influenciou a pintura europeia de finais do século XX. Contudo, com a ocidentalização e a negação da cultura tradicional, que marcaram os períodos seguintes, a produção da estampa japonesa decaiu fortemente, só recuperando o seu lugar de relevo após a Segunda Guerra Mundial.
Entre os finais da década de 50 e a década de 70 do século XX, foram desenvolvidas novas técnicas, e a gravura deixou de ser produzida exclusivamente pelo artista-gravador especializado, passando a ser utilizada menos como instrumento de reprodução e mais como medium artístico. Como esta exposição revela, através de uma seleção de obras variada, o modo de representação e as temáticas de outrora (beleza feminina, o teatro Kabuki, as cenas históricas e lendas populares, paisagens, entre outras) davam então lugar à geometrização, à abstração, e a imagens da contemporaneidade. À serigrafia Abóbora (1986), de Yayoi Kusama, uma abóbora de forma estilizada com o padrão de pontos, que se tornara a imagem de marca da artista, juntava-se, por exemplo, uma paisagem urbana de Tetsuya Noda, intitulada Diário 23 Novembro 86 para Kumamoto, ou a litografia abstrata Cores Intaglio, de Mitsuo Kanou.
Integrada no programa «Convite à Cultura Japonesa: Setembro de 1990», esta exposição pretendia aproximar o público estrangeiro da arte japonesa contemporânea, em particular de um campo com vasta tradição, e estreitar os laços entre os dois países, Portugal e Japão.
Na inauguração da mostra estiveram presentes o então presidente da República, Mário Soares, e Noboru Takeshita, primeiro-ministro do Japão entre 1987 e 1989.
Mariana Roquette Teixeira, 2018