Exposição de Pintura. Comemorações dos 150 Anos do Nascimento de Teresa de Saldanha

Comemorações dos 150 Anos do Nascimento de Teresa de Saldanha

Ocasião evocativa da personalidade e obra de Teresa de Saldanha (1837-1916), fundadora da Congregação Portuguesa das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena. A exposição reunia maioritariamente desenhos e pinturas da sua autoria, contemplando ainda documentação, escritos e objetos que lhe pertenceram, tendo sido acompanhada por um extenso ciclo de conferências.
Commemorative event capturing the personality and work of Teresa de Saldanha (1837-1916), founder of the Portuguese Congregation of the Dominican Sisters of Saint Catherine of Siena. The exhibition, which was accompanied by an extensive series of conferences, consisted largely of drawings and paintings by the artist, although it also included documents, various writings and objects in the artist's possession.

A 5 de julho de 1987, a Congregação Portuguesa das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena, na pessoa da Irmã Inês Mota e Melo, contacta a Fundação Calouste Gulbenkian tendo em vista o assinalar dos 150 anos do nascimento de Teresa de Saldanha, fundadora da referida Congregação. Era pedido «um pequeno espaço […] para a exposição dos seus quadros, bem como um pequeno auditório para conferências proferidas pela Dra. Helena Souto, Dr. António Quadros e Dr. José Augusto Mourão, entre outros». Em jeito de comemoração, pretendia-se que a iniciativa contribuísse para «dar a conhecer a sua obra nas suas diversas facetas: artística, literária e espiritual, através de exposições, colóquios e artigos em jornais e revistas» (Ofício de Inês Mota e Melo para a Administração da FCG, 5 jul. 1987, Arquivos Gulbenkian, SEM 00377).

A exposição inauguraria na Zona de Congressos da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) no dia 19 de fevereiro de 1988, seguida pela conferência inaugural do ciclo, proferida por Jorge Borges de Macedo e subordinada ao tema «O Momento de Teresa de Saldanha: O Mundo do Oitocentos», a primeira das seis comunicações que decorreriam no Auditório 2 da FCG até ao dia 4 de março. Os registos fotográficos do evento inaugural mostram uma grande afluência de público, contando-se, entre as figuras públicas que compareceram, o presidente da FCG, José de Azeredo Perdição e António Ribeiro (1928-1998), o então Cardeal Patriarca de Lisboa (D. António II).

A mostra reunia maioritariamente desenhos e pinturas de Teresa de Saldanha, contemplando ainda documentação, escritos e objetos que lhe pertenceram.

Não foram encontrados registos da edição de qualquer catálogo de exposição ou da publicação de um livro de atas das conferências. No entanto, os Arquivos Gulbenkian conservam um dossiê, coligido pela Congregação de Santa Catarina de Sena, que, para além de uma biografia cronológica de Teresa de Saldanha, reúne fotografias de desenhos a carvão, guaches, aguarelas e óleos da sua autoria. Muitas das peças desse portefólio terão estado certamente expostas (Teresa de Saldanha. A sua Obra. Dossier…, 17 mai. 1987, Arquivos Gulbenkian, SEM 00377).

Enquanto pintora, Teresa de Saldanha recebe desde muito cedo a influência da geração do romantismo português, da qual foi contemporânea, tendo mesmo como mestre o pintor Tomás da Anunciação (1818-1879), um dos principais cultores dessa tendência em Portugal. O legado de predisposição romântica sente-se em muitas das peças apresentadas na mostra, destacando-se o desenho a carvão em que realizou retratos e expressou a dramatização de temas paisagísticos e rurais, apelos que os românticos portugueses enfatizavam no seguimento de Almeida Garrett e dos seus incentivos à redescoberta cultural do país e das gentes. Também as cenas de costumes figurariam nas suas aguarelas e óleos, juntamente com a temática religiosa que desenvolve intensamente no ano de 1865.

Juntamente com as abordagens detalhadas do ciclo de conferências, evocava-se assim uma personalidade histórica que, para a Igreja Católica, representa um marco de restauração cultural e institucional num tempo marcado pelo anticlericalismo anunciado pela extinção das ordens religiosas em 1834.

As ordens femininas seriam extintas apenas em 1862, mas a incorporação de noviças foi interditada de imediato. Nascida no seio da fidalguia portuguesa, em 1837, já no decurso deste processo encetado com a Revolução Liberal, Teresa de Saldanha fundaria, em 1968, a Congregação Portuguesa das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena. Fê-lo com o apoio de duas mulheres que incentivara a fazer noviciado na Irlanda, Miss Harriet Martin e Maria José Barros e Castro, que regressariam a Lisboa já enquanto Irmãs Maria Madalena e Maria José, para fundar a Congregação e professar a partir dela (Ibid.).

Datam de 1869, o ano seguinte ao da implantação da Congregação, as últimas produções pictóricas que se conhecem da autora que, já como Madre Teresa de Saldanha, passaria a dedicar-se mais exclusivamente à missão religiosa que os seus escritos e atividades apostólicas já prometiam desde a década de 1850.

 

A documentação fotográfica acessível nos Arquivos da FCG mostra que a Rádio Renascença, emissora católica, terá registado a conferência inaugural de Borges de Macedo, instalando um microfone no púlpito. Acrescentava-se assim aos muitos operadores de imprensa que cobriram e divulgaram as comemorações enquanto decorreram, levando avante o papel dos «artigos em jornais e revistas» que a iniciativa projetava desde o início para celebrar a pessoa e obra de Teresa de Saldanha (Ofício de Inês Mota e Melo para a Administração da FCG, 5 jul. 1987, Arquivos Gulbenkian, SEM 00377). Merece destaque o extenso artigo publicado por Antónia de Sousa no suplemento «Mulher» do Diário de Notícias, que inclui uma secção com a transcrição de diversas cartas de Teresa de Saldanha (Sousa, Diário de Notícias, 17 fev. 1988, pp. 25-27). Refira-se também o texto «Uma Mãe-Coragem Portuguesa», publicado no Diário Popular, da autoria de José Augusto Mourão, um dos conferencistas do ciclo (Mourão, Diário Popular, 24 fev. 1988).

Daniel Peres, 2018


Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Eventos Paralelos

Ciclo de conferências

[Exposição de Pintura. Comemorações dos 150 Anos do Nascimento de Teresa de Saldanha]

19 fev 1988 – 4 mar 1988
Fundação Calouste Gulbenkian / Edifício Sede – Auditório 2
Lisboa, Portugal

Material Gráfico


Fotografias

Ciclo de conferências «Comemorações dos 150 Anos do Nascimento de Teresa de Saldanha». Frei Bento Domingues
Ciclo de conferências «Comemorações dos 150 Anos do Nascimento de Teresa de Saldanha». Frei Bento Domingues
Ciclo de conferências «Comemorações dos 150 Anos do Nascimento de Teresa de Saldanha». Helena Sotto
Ciclo de conferências «Comemorações dos 150 Anos do Nascimento de Teresa de Saldanha». Helena Sotto
Ciclo de conferências «Comemorações dos 150 Anos do Nascimento de Teresa de Saldanha». Helena Sotto
Ciclo de conferências «Comemorações dos 150 Anos do Nascimento de Teresa de Saldanha». Jorge Borges de Macedo
Ciclo de conferências «Comemorações dos 150 Anos do Nascimento de Teresa de Saldanha». Jorge Borges de Macedo
Ciclo de conferências «Comemorações dos 150 Anos do Nascimento de Teresa de Saldanha». Raúl Rolo
Ciclo de conferências «Comemorações dos 150 Anos do Nascimento de Teresa de Saldanha». Raúl Rolo
Ciclo de conferências «Comemorações dos 150 Anos do Nascimento de Teresa de Saldanha». Frei José Augusto Mourão
Ciclo de conferências «Comemorações dos 150 Anos do Nascimento de Teresa de Saldanha». Frei José Augusto Mourão
Ciclo de conferências «Comemorações dos 150 Anos do Nascimento de Teresa de Saldanha». Frei José Augusto Mourão
Luis Guimarães Lobato (à esq.), D.António II, Cardeal Patriarca de Lisboa (ao centro), José de Azeredo Perdigão e Irmã Inês Mota e Melo (à dir.)

Documentação


Periódicos


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM 00377

Pasta com documentação referente à produção da exposição e ciclo de conferências que lhe esteve associado. Não contém a versão final do convite, mas contém uma maqueta e os textos que nele seriam montados. Contém portfólio de obras de Teresa de Saldanha compilado pela Congregação de Santa Catarina de Sena, organização de que partiu a iniciativa do evento. 1987 – 1988

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Comunicação), Lisboa / COM-S001/019-D02205

Coleção fotográfica, cor: inauguração (FCG, Lisboa) 1988 – 1988


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